Barcelona é tradicionalmente o palco do segundo evento “grande” da época europeia disputada sob terra batida. Barcelona é, quase por definição também, o palco da segunda vitória de Rafael Nadal na época europeia de terra batida, ano após ano. Assim aconteceu em nove das últimas treze épocas. Poucas (ou nenhumas) indicações havia de que o mesmo não acontecesse também este ano. Sim, porque no que toca a falar de Rafael Nadal e torneios em terra batida, o “raro” é mesmo o espanhol não sair com o troféu debaixo do braço.

Amplamente anunciada como “a melhor edição de sempre” do Barcelona Open Banc Sabadell, foram vários os craques que estiveram na Catalunha esta semana: para além de Rafa, também Djokovic recebeu wild-card à última da hora, fazendo companhia a Grigor Dimitrov, Dominic Thiem, David Goffin… enfim, um quadro “de luxo” tendo em conta a categoria ATP500 do torneio catalão.

Foi com estádio cheio que o público espanhol recebeu o sérvio 12 anos depois da sua estreia em terrenos catalães, quando ainda tenha somente 18 anos. O eslovaco Martin Klizan, de 28 anos, e que já anda fora dos grandes palcos do ténis há bastantes meses (resultando na sua atual classificação de 140.º) era o alvo a abater de um Djokovic nervoso e com uma falta de confiança assinalável, que esperava regressar às vitórias mas principalmente a um nível exibicional condizente com o estatuto que carrega às costas.

Mas não foi em Barcelona que o conseguiu. O sérvio voltou a desiludir os milhares de fãs e Klizan revelou-se competente e audaz no que toca a explorar as debilidades – físicas, táticas e psicológicas – do atual 13.º classificado da hierarquia ATP – derrotando o sérvio em três partidas. E este foi o principal destaque da metade superior da grelha, assumindo que já “não merece” destaque o facto de Rafa seguir “cilindrando” todos aqueles que à frente lhe surgem, distribuindo por duas vezes em quatro encontros os famosos “pneus” – vulgo, 6/0.

Djokovic chegou a Barcelona para encontrar o seu melhor ténis, mas saiu de mãos a abanar
Fonte: Barcelona Open BancSabadell – Trofeo Conde de Godo

Na metade inferior, um nome grande se destacou. E não digam que o Bola na Rede não avisou, porque já aqui falámos dele.

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Pois é, Stefanos Tsitsipas deu o seu primeiro passo de gigante no circuito “dos adultos” e mostrou que sim, é possível ser-se (muito) competente em terra batida, sendo também um bom jogador em pisos muito rápidos, como relva. A aliança entre um serviço que abre as portas dos pontos ao grego, e uma consistência fabulosa para um miúdo de 19 anos, revelou-se letal para todos os seus adversários – Dominic Thiem incluído – até chegar à Final. Aí, o grego que jogava a sua primeira final do circuito ATP enfrentou Rafa Nadal que procurava “La undecima” em onze finais disputas…somente em Barcelona.