cab ténis

Pedro Cordeiro foi “dispensado” do comando técnico da selecção e substituído por Nuno Marques, com o objectivo de a equipa portuguesa atacar a subida ao Grupo Mundial da Taça Davis.

Para contextualizar, o Grupo Mundial tem equipas como a Espanha, de Nadal; a Sérvia, de Djokovic; a França, de Richard Gasquet, entre outros. Com isto não excluo à partida a hipótese de Portugal conseguir um lugar na elite do ténis mundial, mas não será certamente um objectivo que se possa traçar de ânimo leve, correndo o risco de falhar em toda a escala.

Isto porque é importante relembrar dois factos. Um: Portugal nunca passou dos playoffs de acesso ao Grupo Mundial. Dois: É mais fácil sair do grupo I (onde a selecção se encontra) do que conseguir um lugar no Playoff.

Podemos no entanto discutir também se Portugal atravessa agora a melhor fase da sua vida tenística. Um “plantel” com João Sousa, Gastão Elias, Pedro Sousa, Rui Machado e Frederico Gil, sendo que este último continua ainda (esperemos que durante pouco tempo) a ser uma carta fora do baralho, tem qualidade para disputar um lugar no restrito grupo mundial. Eu quero e gosto de acreditar que, motivado e em boa forma, este lote de atletas consegue fazer-nos sonhar com isso.

Rui Machado, Leonardo Tavares, Emanuel Couto, Nuno Marques e João Cunha e Silva numa homenagem da Taça Davis  Fonte: http://www.daviscup.com/
Rui Machado, Leonardo Tavares, Emanuel Couto, Nuno Marques e João Cunha e Silva numa homenagem da Taça Davis
Fonte: daviscup.com/

João Sousa está num belissímo momento de forma e vai entrar na temporada em que tem de dar tudo o que tem; Pedro Sousa é um jogador de um talento fora do comum, podendo, em situações de motivação extra, encontrar o seu melhor jogo; Gastão Elias, sem os azares das lesões, é um jogador regular, não compromete e estava em franco crescimento; Rui Machado, apesar dos problemas físicos, é um tenista explosivo e que em grandes ambientes como o de Taça Davis cresce; e, por fim, Frederico Gil é uma verdadeira incógnita.

Temos sem dúvida uma boa armada, mas precisamos de um bom comandante, e de sorte. Sem esquecer a sorte, Nuno Marques foi na minha opinião uma boa escolha; já aqui o defendi e volto a frisar. Nuno Marques foi um dos símbolos do ténis português. Conheço muitos jogadores que pegaram pela primeira vez na raquete depois de ouvirem falar de Nuno Marques nas notícias.

A Federação Portuguesa de Ténis dotou agora a selecção nacional de um técnico, Emanuel Couto. Seleccionador nacional de júniores e ex-tenista internacional, adoptando o mesmo método para a equipa feminina com Miguel Sousa e André Lopes. É uma medida essencial – que Pedro Cordeiro vinha reclamando desde há muito tempo atrás – para garantir melhores condições de trabalho à selecção portuguesa.

A selecção nacional de ténis tem agora todos os ingredientes para que tudo corra bem. Um seleccionador que é uma das figuras do ténis nacional, um treinador que jogou ao mais alto nível e que pode estabelecer as pontes entre os júniores e a equipa principal, um lote de jogadores jovem, motivado e em forma, a que se acresce um conjunto de atletas experientes.

Só nos falta a sorte. Vamos a isto!

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O Miguel jogou ténis durante mais de dez anos, sendo actual vice-presidente do clube ténis da sua terra natal, Almeirim. Para além disso, acompanha a modalidade desde 2008, tendo feito já a cobertura do Portugal Open, entre outros, e tendo sido já comentador convidado da Eurosport para a modalidade.                                                                                                                                                 O Miguel não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.