A final do Campeonato Português de Voleibol já começou e o Sporting CP venceu o primeiro jogo da final, contra o SL Benfica, por 3-0, um resultado que surpreendeu toda a gente, não tanto pela vitória leonina, mas sim pela falta de argumentos por parte dos encarnados, tirando no primeiro set.

No entanto, não é sobre isso que este artigo vai falar, mas sim sobre o estado podre do desporto português. No próximo fim-de-semana ia disputar-se uma dupla jornada no Pavilhão do Benfica, mas o segundo jogo acabou adiado para dia 20 por questões de segurança.

No dia 14, o Benfica defronta em casa o Vitória FC, vulgarmente conhecido por Vitória de Setúbal e, por questões de segurança, a PSP ditou o adiamento do jogo para evitar que os adeptos sportinguistas se cruzassem com os adeptos do Benfica. Esta é uma situação que se repete esta temporada e que, na minha opinião, mostra quão podre está o desporto português. Estamos em 2019 e o que as forças de segurança fazem para não haver violência é obrigar a que se mudem as datas dos jogos. Se as pessoas não se sabem comportar – e temos muitas provas de que é verdade -, então é preciso que tomem medidas sérias.

Não é compreensível que se tenha de adiar jogos porque as pessoas não são civilizadas. Quem não se sabe comportar tem de ser castigado. Estas pessoas precisam de ser erradicadas do desporto, sejam adeptos, jogadores ou dirigentes, porque o mal está em todo o lado, não é exclusivo aos adeptos.

Possíveis confrontos entre os adeptos encarnados e os adeptos leoninos obrigaram ao adiamento do Jogo 3 da final do campeonato
Fonte: Carlos Silva Photography / Bola na Rede

É preciso começar a doer em todas as vertentes para que algo se faça. Quem for apanhado com mau comportamento, seja de que tipo for, tem de o sentir. Seja por ser proibido de assistir a jogos ao vivo, seja por ter de pagar multas financeiras elevadas – pelo menos o valor gasto em segurança no respetivo evento -, o clube, em caso de repetição, deve ser castigado também, mesmo que não tenha culpa do comportamento dos seus adeptos. Este castigo deve ir desde multas financeiras, passando por jogos à porta fechada e finalizando com atribuição de derrota nos jogos em que existam distúrbios.

O estado a que chegou o desporto português é deplorável e ninguém parece estar muito interessado em fazer algo para reverter esta situação. Depois, há muita admiração por existirem cada vez menos crianças e famílias nos jogos. Pior, quando há acontecimentos de violência mais graves, incluindo mortes. Para fora, o que passa é que existe impunidade total para quem comete crimes, mas aí o problema não está só no desporto, está em toda a justiça portuguesa.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

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