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Há uma frase sobre o futebol de que sempre gostei: “o futebol é a coisa mais importante das coisas sem importância”. É uma ideia que faz sentido e exemplifica bem a relevância do futebol para este país. Portugal é uma nação que ama o futebol, ponto.

Individualizando a realidade, eu digo-o com vaidade: amo o Benfica!

Pois é precisamente sobre esse amor, que orgulhosamente partilho com a restante nação benfiquista, de que vou falar.

Não me vou prender com a ideia habitual de que “ninguém ama um clube como nós” ou que “somos diferentes dos outros”. Isso é uma patetice. É uma noção errada e uma sentença injusta. Tenho a certeza de que existem muitos sportinguistas e portistas que amam o seu clube tanto quanto eu ou qualquer um de vocês ama o Benfica. Para me defender está Jorge Amado, que inteligentemente disse que “o amor não se mede”.

Ora, não é possível medir mas é possível sentir. E é essa a perspetiva que me interessa. Desde quando é que vocês, caros leitores afetos ao Benfica, se sentem benfiquistas? Em que particular momento sentiram que o Benfica se tornou uma parte indissociável das vossas vidas? Pensem nisto: terá sido numa vitória ou numa derrota que o vosso coração sentiu “a chama ardente”?

Os adeptos do Benfica têm uma grande ligação sentimental ao clube Fonte: sport-lisboa-e-benfica.blogs.sapo.pt
Os adeptos do Benfica têm uma grande ligação sentimental ao clube
Fonte: sport-lisboa-e-benfica.blogs.sapo.pt

A verdade é que os últimos anos têm sido um cocktail de vergonhas, humilhações e derrotas dolorosas, ao nível das melhores tragédias gregas. Estas batalhas catastróficas, de uma magnitude fora do normal, vitimaram milhares de benfiquistas, deixando feridas eternas no ego de cada papoila saltitante. Eu não fui exceção.

Mas, ao contrário do que seria esperado (e corrijam-me se estiver errado), o nosso laço sentimental para com o clube aumentou exponencialmente no meio desta tormenta. Porquê!? No fundo, não há resposta. Não se iludam, é inegável que as vitórias alimentam e os títulos alegram. Todavia, devo afirmar que, pessoalmente, nunca senti o benfiquismo tão presente como hoje. A falta de uma explicação em concreto não me faz confusão. Bem pelo contrário. É sinal de que é genuíno. É sinal de que, apesar das tais derrotas, a nossa paixão é inabalável. Isso é algo de que me orgulho, de que todos se devem orgulhar, independentemente do resto.

É por esta razão que vou ao estádio sempre que posso. Porque preciso de proximidade com aquele ambiente, preciso do cheiro a bifanas e finos, dos cachecóis ao alto durante o hino, do abraço ao desconhecido do lado durante o festejo de um golo, dos sorrisos no final da partida. Preciso porque, para mim, tudo isso é amor, tudo isso é Benfica, tudo isso é futebol.

Portanto, até domingo!

Pedro Beleza
Pedro Beleza
Benfiquista até ao último osso, mudou-se do Norte para Lisboa para poder ver o seu Benfica e só depois estudar Jornalismo. O Pedro é, acima de tudo, apaixonado pelo desporto rei e não perde uma oportunidade de ver um bom jogo de futebol.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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