Rafa tornou-se a maior contratação do Benfica a uma equipa portuguesa, quando se juntou aos encarnados no verão de 2016 a troco de 16 milhões de euros. Na altura, o internacional português e campeão europeu pela seleção nacional no ano em que passou a vestir a camisola do Benfica foi contratado, no derradeiro dia da janela de transferências em Portugal, e vinha com selo de promessa, com apenas 22 anos de idade. Porém, tardou a convencer.

Na época 2016/17, Rafa fez 31 jogos ao serviço das águias, mas apenas marcou dois golos. Além disso, por apenas quatro vezes, Rafa fez o jogo do início ao fim. A qualidade parecia estar escondida, mascarada por detrás de muita velocidade, atrapalhação e dificuldade em decidir bem.

A temporada seguinte não foi muito mais feliz para o português: fez 25 jogos e três golos. Desses 25 jogos, seis deles foram completos. Parecia que a confiança no extremo estava a aumentar, contando com uma diferença de apenas 100 minutos entre a época passada e a segunda época de águia ao peito, mesmo tendo menos seis jogos.

Contudo, a verdadeira explosão do veloz jogador foi na presente temporada. Já conta com 36 jogos, faltando ainda jogar, no mínimo, dez partidas (sete jornadas da Primeira Liga, a meia-final frente ao Sporting e as duas mãos para os quartos de final da Liga Europa). Se Rafa já bateu o recorde de jogos disputados – e ainda o poder alargar –, mais se poderá dizer quanto ao seu recorde de golos, quer na Luz, quer na carreira. Totaliza 14 golos, podendo ainda assinar mais tentos no que resta da época.

Anúncio Publicitário

Mas não se pode resumir um jogador pelo número de jogos e de golos. Muito menos sendo Rafa um extremo, não um avançado puro. E é neste parâmetro que vemos a verdadeira explosão do camisola 27.

Atualmente, Rafa a jogar é uma lufada de ar fresco por inúmeras razões. O extremo tem uma capacidade de alto nível para desequilibrar. Quando a bola lhe chega aos pés na zona do meio campo, em ocasião de contra-ataque, sabemos que, à partida, Rafa irá começar uma cavalgada alucinante, contornando adversários como cones, terminando o lance em perigo, ou em falta a favor encarnado. É incrível a maneira como Rafa consegue ganhar espaço para o ataque do Benfica. Recebe no centro do terreno e, mesmo com dois adversários em cima, tem a capacidade de virar, ultrapassá-los e colocar-se numa posição espaçosa e confortável para levar o lance para mais perto da área adversária.

Rafa marcou o 14.º tento da época frente ao Moreirense
Fonte: SL Benfica

Acontece inúmeras vezes nos jogos encarnados ver Rafa a correr com a bola desde a zona central do campo, ganhando terreno e levando o jogo do Benfica para a frente quando este parece bloqueado. Os avançados acompanham a sua progressão, permitindo criar várias oportunidades de chegar junto da área e, por sua vez, criar perigo à baliza oposta.

Temos visto Rafa a conseguir acrescentar bastante qualidade ao jogo encarnado, algo que nas épocas passadas parecia difícil de acontecer.

Finalmente, é difícil não realçar o esforço que tem colocado em qualquer ocasião. Não é anormal ver Rafa a fazer 90 minutos de alta intensidade e ainda o ver a sprintar a alta velocidade no prolongamento de um jogo; assim como não é anormal ver o mesmo jogador a fazer sprints semelhantes no jogo feito três dias depois desse. A sua disponibilidade física é absolutamente espantosa.

Terminando, penso que o que falta a Rafa é um pouco de confiança, de crença em si próprio. Aparenta que não sabe o quão bom jogador ele é. Este ceticismo por ele praticado em campo parece explicar as várias más decisões quando é o próprio que tem de fazer o último toque do lance, seja para o golo, seja para a assistência. Descrente das suas capacidades, muitas vezes decide mal, ou não encara o lance com a confiança necessária para não falhar. Isto é algo em que tenho vindo a reparar desde que o vejo com o manto sagrado, mas que vejo cada vez menos. À medida que a sua confiança em si sobe, o seu rendimento também e isso poderá ser a chave para Rafa dar um próximo passo.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo anteriorMoise Kean: O menino que joga com os graúdos
Próximo artigoFC Porto 2-0 Boavista FC: À moda do Porto
Desde pequeno que o Benfica faz parte da vida do Pedro Estorninho. Avô e pai benfiquistas deixaram-lhe no sangue a chama das águias. A viver nos Açores nunca teve muitas oportunidades de ver o clube ao vivo, mas os estudos trouxeram-no à capital, onde pode assistir de perto aos jogos do tricampeão. A paixão pela escrita sempre foi algo dentro dele que nunca conseguiu mostrar e surge agora a oportunidade de juntar o melhor dos dois mundos.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.