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Um texto que surge em resposta a esta publicação sobre um alegado “roubo” de quatro campeonatos ao Sporting Clube de Portugal.
Caro leitor, a recente polémica – já vai perceber porquê – instaurada pelo Sporting sobre os Campeonatos de Portugal “não contados não tem qualquer fundamento. E digo-o sem nenhum tipo de clubismo. Apenas com veracidade histórica, que deve, acima de tudo, ser respeitada. E neste caso ela é implacável: o Campeonato de Portugal – disputado entre 1921/22 e 1937/38 – era a prova antecessora (ou até a mesma) da Taça de Portugal e não deve ser confundido com o campeão nacional. Um pouco de pesquisa?
Então, o Campeonato de Portugal teve 17 edições: foram vencedores o Sporting (por quatro ocasiões), o Porto (outras tantas), o Benfica (três), tal como o Belenenses; o Olhanense, o Marítimo e o Carcavelinhos têm um cada.
As duas competições – Campeonato de Portugal e Taça de Portugal – já tiveram em 93 edições muitas formas de apuramento para participação: desde apenas um confronto entre os campeões de Lisboa e do Porto, a eliminatórias diversificadas em que os principais clubes faziam mais uma eliminatória do que hoje em dia. Também já se jogou apenas no fim da temporada ou ao longo da mesma. Já se disputou a duas mãos e também apenas a uma. Qual a relação entre ambas (além da decisão da Federação Portuguesa de Futebol, em 1938, mas já lá vamos)? A forma de ser disputada: isto é, por eliminatórias. São uma e a mesma competição. Daí que os dirigentes da FPF estivessem certos em 1938, e os de hoje em dia, se não quiserem desmentir os congéneres ancestrais, decidirão o mesmo. Se este devaneio for para a frente. Algo de que duvido.
Em relação ao Campeonato Nacional, que já teve dois nomes – Campeonato da I Liga e Campeonato Nacional –, conta com 82 edições e muitas formas de apuramento. Por exemplo, entre 1934/35 (data do primeiro) e 1946/47, durante 13 épocas – quatro como Campeonato da I Liga e nove como Campeonato Nacional – não havia promoções e despromoções entre a I Liga/Divisão e a II Liga/Divisão. Os clubes para garantirem o apuramento tinham de obter as classificações adequadas através dos campeonatos regionais, que tinham de terminar até 31 de Dezembro, para se fazer o sorteio e iniciar-se o Campeonato na primeira semana de Janeiro.
É só um dos muitos exemplos de como os moldes mudaram. Assim, o Campeonato Nacional já foi disputado por oito equipas; por 16 equipas. Por 18 equipas e até por 20. Mas quem ganhou essa competição não deixou de ser considerado campeão nacional, porque… É a história. Mais uma vez, o que une o Campeonato da I Liga ao Campeonato Nacional (além da decisão da FPF de 1938) é a forma como são disputados. Por pontos a duas voltas e jogos em casa e fora.
E como “não há História sem provas” – dizia um professor meu de Egiptologia – aqui estão elas: o Decreto da Federação Portuguesa de Futebol, explicando exatamente tudo aquilo que aqui estava, quando as mudanças foram efetuadas. Isto é, no ano de 1938, provando, cabalmente, que uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa: o Campeonato de Portugal, a ser adjudicado a algo, deverá sê-lo à Taça de Portugal. Até porque o formato da própria Taça era exatamente o mesmo. E no atual troféu – a taça em si – da atual Taça de Portugal, nas chapinhas do vencedor da competição, também se encontram contemplados os vencedores do antigo Campeonato de Portugal.
Aí estão as provas, para quem as quiser entender. Com um pouco de pesquisa chega-se lá. O pior é quando se quer manipular a História só porque… Sim. Caro leitor, se quiser reclamar com este humilde redator, não o faça. Vá antes à Federação, pois foram eles que escreveram os estatutos de ambas as competições – e não creio que os desmintam passados exatamente 78 anos: no ponto VI – Provas. Que belo nome para demonstrar tamanho delírio!
P.S. – Para a consulta das chapinhas no troféu da Taça de Portugal, sugerimos que o leitor aproxime a imagem, para melhor visualização:
















