A nova prova de fogo de Rui Vitória

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Começando pelo início da fase de construção de jogo da equipa, há uns tempos atrás referi aqui que, para que o 4-4-2 utilizado por Rui Vitória fizesse estragos, era necessário dois laterais que soubessem participar na manobra ofensiva da equipa: que soubessem subir com critério, que soubessem cruzar, que soubessem combinar com os colegas, etc. Alex Grimaldo é o único lateral na equipa principal que cumpre esses requisitos. Ora, num sistema de 4-3-3 existe mais um homem no meio-campo e como tal, os centrais têm mais linhas de passe para poderem construir. Com isso, os laterais não têm tanta necessidade de participarem na manobra ofensiva da equipa e jogadores como André Almeida e Eliseu não serão forçados a fazer algo que as suas limitações técnicas não permitem. Assim, eles sobem de forma mais criteriosa e também têm um maior controlo sobre os seus opositores.

Depois, com os jogadores que o plantel tem, o miolo no 4-3-3 pode oferecer mais variantes tácticas, consoante as diversas circunstâncias de jogo e as caraterísticas do adversário. Pode-se apostar em jogadores como Samaris, Filipe Augusto e Chrien caso seja necessário um miolo mais musculado e com maior capacidade de recuperação de bolas; como também de pode apostar em jogadores como Pizzi, Krovinovic, João Carvalho e até mesmo Zivkovic caso seja necessário maior criatividade e maior qualidade a colocar a bola no último terço do terreno. Nesse aspecto, acho que Krovinovic terá um papel proponderante neste novo sistema táctico. O internacional jovem croata é o jogador mais criativo da equipa, tendo muita qualidade tanto a definir os lances, como a executá-los, sendo que um 4-3-3 é a táctica que lhe dá mais liberdade.

A vitória em Guimarães poderá ser um ponto de viragem no percurso da equipa Fonte: SL Benfica
A vitória em Guimarães poderá ser um ponto de viragem no percurso da equipa
Fonte: SL Benfica

No ataque era onde residia o maior mistério do 4-3-3, mas o jogo em Guimarães mostrou que essa tese de que Jonas não encaixa num 4-3-3 não passa de um mito. Primeiro, porque a sua elevadíssima qualidade na finalização permite-lhe perfeitamente jogar sozinho no ataque. Depois, a ausência de uma referência ofensiva da equipa não é algo assim tão mau quanto muitos fazem parecer. Pois a inteligência táctica de Jonas que faz com que este recue no terreno para buscar jogo, deixa os centrais sem uma referência de marcação. Estando os centrais adversários “às aranhas” este sobem no terreno de modo a tentar encurtar o espaço entre linhas, o que permite a Jonas abrir espaços para os extremos atacarem em profundidade e aparecerem em zonas de finalização. Assim, nunca faltará alguém a aparecer na área para finalizar. O segundo e o terceiro golo contra o Vitória SC mostraram isso.

Após a vitória em Guimarães, ficou demostrado o que um 4-3-3 pode oferecer a esta equipa e acredito que estão reunidos os ingredientes necessários para Rui Vitória para montar uma equipa realmente à sua imagem, bem como se poderão abrir outras portas para outros jogadores que não têm sido opção regular na equipa (João Carvalho à cabeça).

O 4-3-3 é uma táctica que por si só confere segurança defensiva, equilíbrio táctico e posse de bola, mas atenção! Jogar em 4-3-3 no Vitória SC não é mesma coisa que jogar num 4-3-3 num grande. Numa equipa que pretende realizar uma época tranquila, jogar em 4-3-3 com três “motas” no ataque é suficiente. Compete a Rui Vitória moldar o “seu” 4-3-3 ao nível de um clube grande. Ou seja, compete-lhe imprimir as dinâmicas necessárias para que o 4-3-3 se torne mais virtuoso e ofensivo.

É esta a nova prova de fogo de Rui Vitória: conseguir fazer um upgrade do “seu” 4-3-3. Se conseguir aplicar medidas que aplicou no 4-4-2 como a pressão alta e a rápida e agressiva reacção à perda de bola, creio que estará meio caminho andado para o novo 4-3-3 dar frutos. E se assim for, o Sport Lisboa e Benfica terá uma equipa realmente capaz de atacar o Penta.

Foto de Capa: SL Benfica

artigo revisto por: Ana Ferreira

Tiago Serrano
Tiago Serranohttp://www.bolanarede.pt
O Tiago é um jovem natural de Montemor-o-Novo, de uma região onde o futebol tem pouca visibilidade. Desde que se lembra é adepto fervoroso do Sport Lisboa e Benfica, mas também aprecia e acompanha o futebol em geral. Gosta muito de escrever sobre futebol e por isso decidiu abraçar este projeto, com o intuito de crescer a nível profissional e pessoal.

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