Terceiro Anel

Ponto prévio: não se assistiu a um grande espectáculo em Coimbra, em partida a contar para a 11ª jornada do campeonato. Mas o Benfica foi um justíssimo vencedor, fazendo prevalecer a sua enorme superioridade face à equipa dos “estudantes”, que raramente incomodaram o guarda-redes Júlio César. Foi, portanto, uma lição tranquila para os comandados de Jorge Jesus, que assim abordam de uma forma mais tranquila a semana que aí vem, na liderança, depois da eliminação europeia que deixou a nação benfiquista em choque.

O campeão nacional surgiu em Coimbra com um onze praticamente sem novidades. Lima, a atravessar porventura o pior momento de forma desde que chegou ao Benfica, ficou no banco de suplentes, a par de Derley, ao passo que o titular foi Jonas, que voltou a comprovar toda a excelência e inteligência do seu jogo (bem tem razões para se lamentar Jorge Jesus por não ter tido a oportunidade de contar com o craque brasileiro na Liga dos Campeões). Imprimindo nos minutos iniciais da partida um ritmo muito forte, depressa se viu que o Benfica queria resolver a questão bem cedo, até para exorcizar eventuais fantasmas. Com ataques rápidos e envolventes, o pânico rondava a baliza da Académica, equipa que voltou a provar o porquê de apenas ter apontado até ao momento sete golos no campeonato (segundo pior ataque da prova). E numa das iniciativas atacantes das “águias”, o primeiro golo: passe sensacional de Enzo Pérez a desmarcar Nico Gaitán, e depois…pronto, depois o internacional argentino fez aquilo que melhor sabe, com uma recepção de bola de elevado nível secundada por uma finalização tão fria quanto repleta de classe. Mas quem pensou que a Académica iria reagir no imediato enganou-se redondamente. Até à meia-hora de jogo só deu Benfica, com os campeões nacionais a desperdiçarem duas soberanas oportunidades de golo, por intermédio de Jonas e Enzo Pérez, respectivamente. A partir dos 30 minutos, o ritmo do desafio baixou um pouco, com a equipa orientada por Paulo Sérgio a conseguir equilibrar a batalha do meio-campo.

Nico Gaitán foi o maior destaque do lado dos "encarnados" Fonte: Faceboko do Sport Lisboa e Benfica
Nico Gaitán foi o maior destaque do lado dos “encarnados”
Fonte: Faceboko do Sport Lisboa e Benfica

Contudo, o Benfica continuou tranquilo no jogo, com a sua defensiva a debelar sem grandes problemas quase todos os lances – com destaque para André Almeida, que voltou a realizar uma excelente exibição. E quando já se pensava no intervalo, a machadada que quase arrumou com o jogo: livre de Enzo, saída completamente disparatada de guarda-redes e Luisão a cabecear para o segundo golo do Benfica. Contudo, o golo do Benfica deveria ter sido anulado, visto que o defesa-central brasileiro partiu de uma posição irregular para o cabeceamento.

Com uma vantagem de dois tentos ao intervalo, o Benfica pôde encarar a etapa complementar com muito maior serenidade. E, de facto, foi isso que se viu ao longo dos segundos 45 minutos (que na verdade foram bem mais, em virtude da interrupção que a partida sofreu, devido a desacatos nas bancadas). A Académica lá ia tentando desmontar a estrutura benfiquista, mas nada feito. Júlio César teve de intervir pouquíssimas vezes, o quarteto defensivo dos campeões nacionais chegava e sobrava para as encomendas, Enzo Pérez assumia o meio-campo ao lado de um Samaris que revelou melhorias em termos posicionais (apesar de ainda cometer muitas faltas e de errar alguns passes), Salvio lá ia sacudindo de quando em vez os acontecimentos com os seus sprints, Jonas lá ia enchendo o campo com a sua experiência e classe, Gaitán ia pintando vários quadros que só ele sabe pintar e Talisca ia passando ao lado da partida. Deu para Jorge Jesus lançar Ola John durante algum tempo, deu para Jorge Jesus dar minutos a Derley e ainda deu para Jorge Jesus queimar tempo, lançando Lima quase no suspiro do desafio para a saída do melhor em campo, Nico “Artista” Gaitán.

Contas feitas, vitória tranquila e normal do Benfica, que realizou uma excelente primeira meia-hora, perante uma Académica muito frágil e sem chama, e que terá muito trabalho pela frente para evitar uma temporada sem sobressaltos. Por seu turno, temos aquilo de que já se suspeitava há muito tempo: este Benfica parece talhado para o consumo interno, e sendo assim os “encarnados” lá vão passar mais uma semana na liderança do campeonato. Nota final para os adeptos do Benfica: apesar de o estádio não ter estado cheio (muito longe disso), as claques da equipa campeã nacional foram inexcedíveis nos cânticos, fazendo-se ouvir permanentemente ao longo da partida.

A Figura:

Nico Gaitán: já se sabe há muito tempo que este futebolista argentino é um verdadeiro artista com a bola nos pés, mas não é caso para alguém se cansar de o dizer. Jogador fenomenal, desequilibrador nato, tecnicista puro. Todo o jogo do Benfica passa por ele, as hipóteses de a equipa vencer aumentam exponencialmente se Gaitán estiver bem. Hoje esteve fantástico e o Benfica venceu tranquilamente.

O Fora-de-Jogo:

Desacatos na bancada: simplesmente lamentável o facto de o jogo ter estado interrompido devido a problemas na bancada onde estavam os adeptos do Benfica. Não interessa aqui a cor, o que interessa é que cada vez mais assistimos a este tipo de problemas nos estádios portugueses. Futebol tem de ser uma festa e não um foco de desestabilização que afaste ainda mais as famílias deste fantástico desporto.

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