É o segundo fim-de-semana de Agosto e Portugal fervilha de vida, à medida que um Verão tímido e tristonho se vai demorando a envolver no espírito habitual. O mercado inglês acaba de fechar, arrumando todas as suas idiossincrasias na gaveta e mostrando a face inovadora de um povo lógico e metódico: a pontualidade britânica é respeitada e todos os convidados têm que chegar a horas à festa, não sendo permitidos atrasos – o porteiro barra a entrada a quem não se arranjar a tempo. Espanhóis, franceses, italianos, alemães, holandeses e até nós, preferimos que a porta se feche com o forrobodó já em andamento, não vá algum dos convidados de maior valor ficar retido no trânsito.

É com todo este vagar e sob ameaças da chuva miudinha da incerteza, que a Liga Portuguesa 2019-2020 começa uma caminhada que se espera terminar na 38ª desenvoltura encarnada. O SL Benfica, esse, já tem a casa praticamente pronta, faltando apenas expulsar (ou emprestar, leia-se) alguns dos indesejados deste ano, como Kalaica, que necessita urgentemente de outro estímulo competitivo, ou a dupla Cervi/Zivkovic, assim que Lage decida quem fica dos dois. Rui Costa, apesar disso, mantém-se na expectativa e mostra abertura a eventuais volte-faces na organização do plantel – «o mercado vai estar aberto até ao final do mês e uma coisa é certa: teremos um plantel extremamente competitivo» –, não excluindo a hipótese de alterar algumas das peças do motor que fez engrenar a máquina, «apesar de estarmos muito satisfeitos com todos os jogadores que temos», exulta. Depois dos 5-0 ao rival vizinho, a equipa está confiante e é a mais preparada para a maratona de 34 jornadas, marcando encontro no primeiro convívio com o campeão da Segunda Liga 2018-2019.

Os encarnados querem continuar a festejar no regresso da Liga Portuguesa
Fonte: SL Benfica

O Paços junta-se à primeira etapa na Luz depois de umas férias tranquilas, mantendo a estrutura do ano transacto praticamente inalterada, apesar das saídas de Júnior Pius ou Christian, importantes peças do xadrez de Vítor Oliveira. A luta centrar-se-á na necessidade pacense de assegurar o quanto antes a manutenção, sendo obrigatório estabilizar o clube novamente no primeiro escalão. O timoneiro da subida fez as malas para Barcelos e para o seu lugar chegou Filipe Ramos, Filó para a malta da bola, homem que subiu a pulso na carreira e colecciona bons trabalhos. Chega à capital do móvel depois de ser o mentor do grande projecto de sub-23 do Desportivo das Aves, terminando a época na Covilhã e no 6º posto da tabela.

Em caso de vitória, o Benfica começará pela 6ª vez seguida com uma vitória na ronda inaugural, um ciclo que começou em 2014 numa vitória contra o mesmo Paços, por 2-0. No entanto, o destaque tem de ir para um denominado… “arranque aos soluços” neste milénio: desde 2000, são oito empates e quatro derrotas na introdução da Liga. Um facto definitivamente dono de toda a atenção da estatística nacional, que merece sempre ser realçado, lembrado, esmiuçado. O Benfica não poderá nunca esquecer a fase negra entre 2005 e 2014, sob pena de comprometer o futuro de todas as primeiras jornadas.  Se não fosse a primeira jornada de 2014-2015, provavelmente já não existiriam primeiras jornadas para serem jogadas na Luz.

É, portanto, um jogo cheio de bons prenúncios aquele se desenha para o próximo sábado, com ingredientes suficientes para justificar o preço do bilhete, apesar da hora marcada: 21h30 é realmente hora de baile e não de futebol, sendo uma afronta da Liga de clubes em relação aos seus adeptos. Apesar de ainda não ter aparecido em força, o calor é a justificação mais fácil…

Foto de Capa: SL Benfica

artigo revisto por: Ana Ferreira

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