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Que bela ópera a que assistimos. Uma ópera de hora e meia em crescendo, com um enredo muito intenso e sofrido. Um belo espectáculo com o maestro Nicolás Gaitán a voltar para trás das cortinas ao som dos aplausos incessantes da plateia dos 3 mil espectadores presentes e dos milhões que assistiram ao jogo no sofá de casa. Num vocábulo mais literal, esta foi a primeira vitória fora do Estádio da Luz. E que vitória, logo contra um gigante europeu, um Atlético que há dois anos atrás venceu a Liga BBVA e foi finalista desta mesma competição. Mas desengane-se quem acha que é tudo um mar de rosas. É uma boa vitória, são 3 pontos sumarentos e essenciais, mas eu gosto de ouvir uma ópera num registo mais médio e não a saltar entre agudos e graves.

O Benfica voltou a entrar a medo, ainda não vi o clube da Luz entrar num jogo com a confiança com que entravam na era de Jesus. A equipa não teve muitas dificuldades em sair para o ataque, a bola estava a ser trocada de uma forma muito tensa – era nítido o nervosismo-, também fruto da alta pressão do Atlético de Madrid, e a defesa parecia um escorredor de esparguete: cheia de buracos. Gaitán não estava a ter espaço, mas quando o tinha guiava a bola de uma forma que poderia fazer, ao mais atento espectador, que poderia vir dali estragos.

O Benfica acabou por começar a jogar após levar um safanão. Já se tinha amedrontado por várias vezes com um dos mais temíveis artilheiros dos encarnados, Jackson Martinez, mas foi Correa que acordou o Benfica, com um golo que fez os encarnados meter os pés no chão. Assim que Gaitán se encontrou solto aproveitou uma bola perdida de um cruzamento de Nélson Semedo para fazer o primeiro golo da noite. Já era outro Benfica. A equipa começou, aos poucos, a conseguir avançar no terreno e André Almeida e Samaris compensaram bem as saídas dos laterais em missão ofensiva.

Gonçalo Guedes fez o golo da categórica vitória do Benfica; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Gonçalo Guedes fez o golo da categórica vitória do Benfica;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

A segunda parte começa como acabou a primeira, com muito Atlético, mas com o Benfica a saber sofrer e a sair a jogar com qualidade e com noção. Nota-se um fio de jogo e entendimento que contrasta muito com, por exemplo, o jogo da supertaça que parecia um episódio da antiga série televisiva Survival: cada um por si.
Em mais uma jogada liderada por Gaitán o Benfica acabou por chegar ao segundo golo por Gonçalo Guedes. O resto foi gerir, foi parar quando se tinha de pausar o jogo, fazer as faltas certas para quebrar os ataques… Foi o necessário sofrimento para se poder ganhar a uma equipa do gabarito do Atlético. De vez em vez lá eramos surpreendidos por uma subida de Nelson Semedo ou Eliseu.

Foi um jogo muito bom, no final de contas. Rui Vitória está de parabéns. Júlio Cesar foi enorme, Nelson Semedo está a crescer de uma forma soberba e forma com Gonçalo Guedes uma dupla segura e que já vale golos (uma dupla que critiquei por falta de maturidade num artigo anterior e que agora, com todo rejubilo, admito ter sido precipitado). Jonas e Jiemenez, uma novidade neste onze também é um aspecto a destacar e um caso a trabalhar nos treinos. A mobilidade que a dupla confere ao jogo do Benfica e o físico que Jiemenez oferece ao jogo são em tudo benéficas. Tudo acabou bem e cada vez acredito mais nos oitavos de final. Espero que esta vitória seja também o embale para acabar com a maldita seca de vitória fora da Luz.

Acabou por ser uma grande jornada da Liga dos Campeões com Benfica e Porto a elevarem o nome de Portugal ao vencerem dois grandes do futebol mundial. Fechem-se as cortinas. Que venha o próximo espectáculo.

A Figura:

Gaitán – nem podia ser outro.

O Fora-de-jogo

Jackson Martinez – falhou demasiado, mas não apenas por sua culpa uma vez que Júlio César esteve enorme.

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