Terceiro Anel

Perante mais de 34 mil espectadores no Estádio da Luz, o Benfica somou a quarta vitória consecutiva no campeonato depois de derrotar o Marítimo por 2-0. Um triunfo indiscutível dos encarnados, triunfo esse que se começou a consolidar com uma boa primeira parte, em que o Benfica dominou por completo.

Com excelentes movimentações atacantes e com uma forte pressão sobre os jogadores da formação madeirense, o Benfica desde cedo mostrou que queria decidir, o quanto antes, a partida. E para esse dinamismo ofensivo em muito contribuíram Gaitán, que esta tarde realizou uma excelente exibição, e Rodrigo, que de facto está a atravessar um momento de forma esplendoroso. Um Rodrigo que nos traz à memória aquele avançado hispano-brasileiro que fez miséria durante grande parte da temporada 2011/2012, até se lesionar em São Petersburgo frente ao Zenit. Com dois golos, aos 18 e 35 minutos de jogo, o jovem dianteiro acabou por tranquilizar todo o estádio, numa partida em que, diga-se de passagem, nunca se sentiu que o Marítimo pudesse causar grandes estragos.

E quando a equipa insular chegou perto da baliza do Benfica, eis que surgiu Oblak, um guarda-redes bastante confiante e seguro, que definitivamente pegou de estaca no onze inicial de Jorge Jesus. De facto, será muito complicado para Artur Moraes regressar à titularidade no Benfica, ainda para mais quando se viu, no jogo da passada quarta-feira a contar para a Taça da Liga, que o guardião brasileiro se encontra com uma quase total ausência de confiança.

E o Benfica sem Matic? Como se comportou? Conseguiu ganhar a batalha do meio-campo? Conseguiu atacar? Não foi dominado? Não, claro que não. Sim, é verdade que o Benfica não defrontou – com todo o respeito pelo Marítimo – o Barcelona ou o Bayern de Munique, mas parece-me claro que, para consumo interno, existem todas as condições para os comandados de Jorge Jesus poderem lutar com todas as forças pelo título. Fejsa, como já se tinha percebido há muito tempo, é um jogador de recepção e passe de pronto, nunca entrando em grandes aventuras. É dono de um excelente sentido posicional, o que faz com que recupere inúmeras bolas. E, de facto, na partida de hoje viu-se isso, com o internacional sérvio a rubricar uma boa actuação. E depois, já se sabe, há um Enzo Pérez muito fiável, que raramente compromete e que é um autêntico motor. O perigo poderá advir de uma eventual lesão ou castigo do médio argentino, o que, a acontecer, acabará por limitar o leque de escolhas de Jorge Jesus. Rúben Amorim é um excelente centro-campista e estando bem fisicamente é uma opção bastante válida para o Benfica, sendo que depois temos os casos de André Gomes (Jorge Jesus lá voltou a colocá-lo para jogar os três últimos minutos de jogo, o que na minha opinião é escusado) e André Almeida, um futebolista outrora importante para o Benfica, mas que agora é quase um caso de estudo no plantel encarnado, tal é a forma como desapareceu.

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Em suma, o Benfica deu uma boa resposta a todas as dúvidas que foram surgindo ao longo da semana, depois da saída de Matic e depois das declarações, no mínimo infelizes, de Jorge Jesus. O internacional sérvio Nemanja Matic é um jogador soberbo, que muito deu ao Benfica, mas o clube da Luz tem de ser superior a estas saídas. Como tal, e até porque penso que continua a ter o melhor plantel do futebol português, o Benfica tem todas as possibilidades de alcançar o título nacional. Esta tarde, no Estádio da Luz, o Sport Lisboa e Benfica provou que continua firme na corrida por esse objectivo.