A ressaca pós alvalade | SL Benfica

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Se há uns meses algum determinado indivíduo insinuasse que o Benfica iria festejar efusivamente um empate ao cair do pano na casa do rival, que nem sequer garantia o título de campeão aos encarnados, esse indivíduo seria tomado como um louco. Mas a verdade é que o louco tinha razão e é preciso olhar para o que trouxe as águias até este ponto de insanidade.

Tudo começou quando, a certa altura do campeonato, se criou a expectativa de que este último jogo já seria jogado sem qualquer tipo de importância, numa altura em que os jogadores têm o luxo de entrar para o estádio do rival com o cabelo pintado, uma utopia para alguns.

Esse pensamento foi desvanecendo ao longo do tempo, principalmente quando, no dia 7 de Abril de 2023, na receção ao FC Porto em pleno estádio da Luz, o Benfica viu uma possível vantagem de treze pontos fugir para encarar a cruel e dura realidade de que o principal rival na luta pelo título estava, a partir daquele momento, a apenas sete pontos.

Para piorar essa situação, as águias escorregaram também, no sentido literal, em casa do GD Chaves, logo na jornada seguinte, diminuindo a então possível e utópica diferença de treze pontos para quatro. 

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Quando uma equipa se encontra numa situação crítica desse género esperam-se mudanças tanto a nível tático, como e principalmente no que toca à mentalidade. Essas mudanças de facto aconteceram, de forma um pouco subtil, mas aconteceram, porque efetivamente as águias foram capazes de vencer por quatro vezes consecutivas, colocando novamente as expectativas no sítio certo.

Contudo, depois de todo esse processo realizado, as águias esqueceram-se de aplicar o mesmo método do outro lado da cidade de Lisboa. 

A mentalidade com que os encarnados entraram no dérbi não foi, de todo, a mentalidade que se deve portar quando se ambiciona ser campeão. A primeira parte atroz realizada pelas águias custou a conquista do título na noite de ontem.

Dito isto, um bom dia de descanso e simples remédios não servem para recuperar das consequências desta noite difícil, pois, neste caso em específico, só no próximo sábado é que se pode resolver esta maçante dor de cabeça de uma vez por todas.

Guilherme Terras Marques
Guilherme Terras Marques
Orgulhoso estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, vê no futebol e na sua cultura uma paixão. É apenas mais um jovem ambicioso que sonha fazer do jornalismo desportivo a sua vida. Escreve com o novo acordo ortográfico

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