Querido Pai Natal,

Escrevo-te (permite-me o tratamento informal) por saber que também não vives sem o vermelho e branco. Sendo o Benfica um clube do Mundo, o nome do Glorioso já ressoará, faz anos, no Pólo Norte, pelo que são dispensáveis quaisquer apresentações. Como tal, vou direto ao assunto.

Em primeiro lugar, o primeiro lugar. Quero o Benfica campeão. É este o meu mais premente desejo de Natal. Como sou paciente, não me importo de esperar até os idos de maio – até porque imagino a canseira que deve ser a tua noite de 24 de dezembro, correndo mais casas que um candidato à presidência de uma junta de freguesia.

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No entanto, uma prenda antecipada não perde o valor por isso, pelo que aceitaria de bom grado festejar mais cedo do que é tradicional – não sou daqueles que se agarram cegamente às tradições (sabes de quem falo e estou convicto de que estão na tua lista dos marotos). De resto, até dava jeito encerrar a questão do campeonato com alguma urgência, uma vez que o meu segundo desejo é…

… uma grande campanha na Liga Europa (ou uma grande caminhada europeia, como lhe chamam aqueles que julgam que utilizar chavões de Liga dos Campeões ao falar da segunda prova de clubes da Europa a torna mais do que isso, tentando assemelhá-la à competição onde, de facto, devia estar o Benfica).

Contratações como a de Vinícius serão igualmente prendas aceitáveis
Fonte: Bola na Rede

Ainda que a prova não seja condizente com a – histórica e, de momento, latente – grandeza europeia do clube da Luz, vencê-la deveria ser uma obrigação. Ainda assim, e acedendo relutantemente à desculpa (sem aspas) de que jogar à quinta-feira e aos fins-de-semana torna difícil a gestão da época e dos objetivos traçados, aceito que a chegada às meias-finais possa ser suficiente para se considerar “grande” a campanha benfiquista na Liga Europa.

O meu terceiro desejo revela um salto abismal no nível de exigência e, talvez, seja algo só ao alcance do outro tipo barbudo que também mora num sítio mágico indefinido a que, vulgarmente, dão a designação de Paraíso. Quero o Benfica nas meias-finais da Liga dos Campeões (se o meu Eu de cinco anos soubesse que um dia viria a escrever ao Pai Natal a pedir meias…).

Sei que parece missão impossível, mas o futebol a espaços demonstrado pelo Benfica de Bruno Lage faz-me sonhar (que ainda não se paga, eu verifiquei no Orçamento de Estado 2020). Faz-me acreditar que a continuação da aposta sustentada na formação aliada a um reforço cirúrgico do plantel pode vir a resultar no ressurgimento do verdadeiro Glorioso Benfica – “de que tanto se fala e tão pouco se sabe o que é” -, como escreveu, sobre o amor, Almeida Garrett.

De resto, uma boa campanha na Youth League e títulos nas modalidades de pavilhão que têm trabalhado para os merecer – não te preocupes com o andebol, só desperdiçarás o teu tempo – complementariam bem o embrulho. E é tu… Espera, há mais uma coisa (eu podia ter apagado, é só para dramatizar). Mediante as tuas possibilidades, seria deveras agradável voltar a ver o Mágico nos pavilhões da Luz – ele já disse que ia deixar o Inter Movistar, vê lá isso.

Sem mais delongas, por falta de conteúdo, despeço-me cordialmente. Aguardo pelos presentes com a tranquilidade que adquiri no seminário de verão ministrado pelo Paulo Bento.

Respeitosamente,

Márcio Francisco Paiva

Foto de Capa: Carlos Silva / Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.                                                                                                                                                 O Márcio escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.