Cristina Martín-Prieto e as novas possibilidades do ataque do Benfica

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Depois de dois jogos como suplente, Cristina Martín-Prieto voltou a ser titular no ataque do Benfica na Champions League Feminina. A situação da internacional espanhola, presença constante nas convocatórias daquela que é (oficial e oficiosamente) a melhor seleção do mundo, tem sido algo oscilante na equipa feminina do Benfica. Mas é a partir da número 7 que as encarnadas mais poderão crescer.

No empate diante do Twente, o Benfica não fez a melhor exibição da temporada. As neerlandesas eram um adversário mais acessível – o que não é sinónimo de fraqueza – que as poderosas Juventus e Arsenal com quem as águias iniciaram o percurso na competição europeia, mas que se soube moldar e adaptar depois de uns minutos iniciais de volume ofensivo incontestável do Benfica. Esses 15 minutos são exemplo de como a avançada espanhola, mesmo quando não com a bola nos pés, pode impactar o jogo das águias.

Há, na relação com Caroline Moller, algo com muito potencial. O ataque do Benfica, em toda a sua dimensão, mesmo para lá das duas jogadoras mais adiantadas em casa, ainda não é pautado por sinergias claras. Ao longo do jogo, dois ou três lances de perigo com a bola a chegar à área do Twente, foram atormentados pela sede imensa de atacar a bola. A génese dos movimentos das avançadas do Benfica, a fome em colocar as redes a balançar, traz sinais positivos. Basta geri-los com maior frieza, comunicação e entendimento, algo que só se ganha com minutos em treino e em campo.

Benfica Jogadoras 2
Fonte: Mário Pinto / Bola na Rede

Quanto a Martín-Prieto, sem se fazer sentir presente, esteve sempre em campo nos primeiros minutos do jogo, os tais de domínio claro das águias, com maior capacidade para ligar por dentro, com Beatriz Cameirão a multiplicar-se em posicionamentos e Caroline Moller a receber bolas entrelinhas. Mais do que uma ponta de lança, a dinamarquesa pode subir o nível de jogo do Benfica a partir deste posicionamento mais livre nas costas da avançada.

Não sendo um poço de forças, tem uma capacidade clara de se aproveitar do corpo para receber a bola e dar seguimento ao jogo, quer rodando e vendo-o de frente, quer fazendo o esférico chegar aos corredores. Foi a partir desta ligação, particularmente com Lúcia Alves, que as águias mais perigo criaram.

Mesmo sem uma presença notória, foi o facto de Martín-Prieto, pela estampa física, capacidade de atacar espaços e vencer no corpo, que prendeu as centrais do Twente e permitiu, numa altura em que as neerlandesas procuravam pressionar a todo o campo, abrir tanto espaço para Moller jogar. A complementaridade entre uma avançada dotada tecnicamente e outra com recursos para influenciar tanto o jogo sem bola nunca deve ser destacada. Quando as intérpretes têm esta qualidade, muito menos.

Benfica Jogadoras
Fonte: Mário Pinto / Bola na Rede

A esta relação, a internacional espanhola junta-lhe ainda a capacidade de ser autossuficiente. Ficou expressa na sua plenitude no golo que marcou. Por mais que não seja uma avançada perfeita e que aos 32 anos, seja um projeto focado unicamente no presente, é impossível a um clube português relativizar os méritos e mais-valias de uma avançada como Cristina Martín-Prieto.

Última Nota: É lamentável que, depois de um jogo contra o campeão europeu com pouco mais de 7.000 pessoas no Estádio da Luz, nada se tenha feito para mudar a situação. Que os 2.645 adeptos nas bancadas sejam um número para, quem de seu direito, refletir.

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Que potencial vê na ligação entre a dupla Moller – Martín-Prieto, duas jogadoras muito complementares, com a Moller a oferecer muita capacidade de ter bola e a Prieto mais ataque ao espaço?

Ivan Baptista: Vejo o mesmo potencial que vejo na dupla com que terminámos o jogo, a Nycole [Raysla] e a Prieto, o mesmo potencial na dupla que terminou o jogo contra o Torreense e que nos ajudou a desbloquear o jogo com a Carolina Tristão e a Prieto. São dinâmicas diferentes e jogadoras diferentes, compreendo a questão. A verdade é que nós não podemos nunca minimizar aquilo que é uma dinâmica coletiva a una dinâmica grupal entre duas jogadoras. São jogadoras diferentes e, conforme os desafios do jogo, temos de jogar com os perfis delas. Sentimos que era preciso mudar e colocámos a Nycole, que também nos acrescentou muito. Ha três dias a opção foi a Tristão que nos ajudou noutras dificuldades que estávamos a ter. Não queria individualizar a questão em duas jogadoras, porque temos usado várias jogadoras nessas duas posições e temos tido resultados.

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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