O ambiente estava fervoroso: afinal, era dia do “Dérbi Eterno”. SL Benfica e Sporting CP defrontavam-se em jogo a contar para a primeira mão das meias finais da Taça de Portugal. Contudo, ao passar do minuto 38, Jardel lesiona-se e tem de sair do terreno de jogo. Na linha lateral, estava para “nascer” um novo prodígio, mais uma pérola do Caixa Futebol Campus que vinha com vontade de vencer; e venceu.

Francisco Ferreira, ou Ferro, fez a sua estreia, a primeira na era Bruno Lage, e deixou logo o público da Luz rendido. Quando Jardel recuperou, encontrou o seu substituto a brilhar com o manto sagrado. O entrosamento com Rúben Dias era brilhante, uma química apenas ao alcance de quem se conhece há anos, e Jardel teria de lutar pelo seu lugar.

Os meses foram passando, assim como as jornadas, e Ferro manteve o lugar que tanto merecia. Afinal, o jovem central não dava razões para que fosse relegado para o banco de suplentes, fazendo com que Jardel ficasse à espera de uma oportunidade.

As exibições do parceiro de Rúben Dias eram muito conseguidas. Muito capaz na saída de bola, acima da média na precisão do passe longo, na antecipação e no jogo aéreo, faziam dele um jogador a ter em atenção. Ainda que seja um “menino”, a maturidade que mostra em cada exibição, com os seus 22 anos, conferem-lhe uma grande margem de progressão.

Contudo, os últimos jogos ao serviço dos encarnados não lhe têm corrido de feição e tem mostrado sub-rendimento face àquilo a que nos habituou.

Ferro é, sem qualquer dúvida, exímio na construção de jogo, mas tem de melhorar no plano defensivo. Um defesa central que tem algumas dificuldades no processo defensivo é grave, muito grave. De toda a linha defensiva do Sport Lisboa e Benfica, o único jogador que é realmente bom sem a bola nos pés é Rúben Dias.

O número 97 das águias apresenta uma notória dificuldade em defender espaços largos, ou seja, tendo como adversário direto um avançado ágil e rápido, acaba por sentir muitas dificuldades. Aborda, muitas vezes, mal os lances e revela alguns erros de decisão, tais como quando deve fazer contenção ao portador da bola ou não, quando deve sair ou a quem deve sair.

Nos confrontos 1×1, principalmente contra avançados rápidos, Ferro demonstra algumas debilidades, sendo um dos pontos a evoluir
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Não pretendo dizer que Ferro é mau jogador (muito pelo contrário), no entanto, necessita urgentemente de evoluir as suas capacidades defensivas, que acabam por não prejudicar assim tanto a equipa devido às brilhantes exibições do seu parceiro de sempre.

Tendo em conta que atua como central pelo lado esquerdo, Ferro tem a “obrigação” de fazer as dobras a Grimaldo, que é um lateral muito ofensivo, que sobe muito no terreno de jogo. As equipas adversárias, cientes das debilidades defensivas de Francisco Ferreira, têm tendência a procurar essa zona do terreno (entre o Ferro e o Grimaldo), para sair para o ataque.

Numa liga em que os adversários não são, de todo, de classe mundial, as lacunas de Ferro acabam por passar algo despercebidas, mas para bem do jogador (e do SL Benfica), Ferro tem mesmo de trabalhar estes erros que o tornam num central banal, o que, com o potencial que tem, se torna mais grave ainda.

Tem tudo para ser um defesa de classe mundial. Os erros já há muito estão identificados. Agora, Ferro, é preciso evoluir.

Foto de capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Joana Mendes

Comentários