Publicidade

Diogo Gonçalves | O novo dono da lateral direita encarnada

Pedro Cantoneiro · 4 min

Diogo Gonçalves é o novo dono da lateral direita encarnada
Foto: Sebastião Rôxo/ Bola na Rede

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

A vitória frente ao Boavista FC teve na exibição de Diogo Gonçalves a sua mais brilhante contribuição, num rendimento individual que se vem acentuando como uma das poucas boas novidades de uma temporada fracassada a toda a linha, e da qual há inúmeros aspetos a corrigir para 2021-22.

Por hoje, falar de Diogo é falar da melhor projeção de um lateral direito encarnado de categoria internacional depois de Nélson Semedo, intervenientes com características físicas semelhantes e que muito podem oferecer às suas equipas no capítulo ofensivo. No sábado, Seferovic bisou graças a duas contribuições do português de 24 anos, acumulando já quatro no total da sua época, três na Primeira Liga – Everton, Darwin ou Grimaldo, os que mais assistem nesta competição, levam seis quando já ultrapassaram os 1400 minutos de utilização, contrastando com os 525′ de Diogo.

Manteve-se a tendência no início desta temporada, apostando Jorge Jesus na mesma receita que Rui Jorge descobriu em 2018, na seleção nacional de sub-23. Fruto das múltiplas soluções de qualidade para a frente de ataque, houve necessidade de acomodar o extremo alentejano no onze, olhando-se para para a ala direita como zona ideal para aproveitar a sua verticalidade.

Na seleção, mais evidente no 4-4-2 losango, agora no SL Benfica a empurrar Rafa para zonas interiores onde pode ser verdadeiramente decisivo. Tanto num como noutro contexto teve exatamente o impacto esperado, ainda que na Luz tenha demorado a assumir-se dada a consistência defensiva do mais experiente Gilberto, que é mais seguro nas tarefas defensivas mas sem a mesma repercussão no último terço.

E mais estatísticas o comprovam: cruzamentos por 90 minutos (sete de Diogo contra três do brasileiro); percentagem de passes completos (88% contra 84%), onde se incluem os passes nos últimos trinta metros (25 por 90 minutos contra 20) e a criação de grandes oportunidades, onde o português leva cinco, mais uma do que o companheiro de posição que conta com mais cinco jogos disputados.

Diogo Gonçalves
Diogo Gonçalves parece ter ganho lugar no onze encarnado
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Se olharmos aos laterais de referência da última década encarnada, o primeiro que nos surge com verdadeira preponderância numa das laterais dos encarnados é Maxi Pereira, farol quanto à qualidade na posição e meta quanto às estatísticas superlativas no contexto nacional.

Se tivermos em atenção apenas números, permitindo-o resvalar para a tremenda insensibilidade que é concentrar na estatística o rendimento de um jogador ou da própria equipa, desconsiderando até o legado que o uruguaio construiu na Luz, e usufruindo da relativa importância dos mesmos, surgem-nos dados merecedores de atenção:

2009-10:  37 jogos, 4 golos e 8 assistências em 2932 minutos

2010-11: 46 jogos, 1 golo e 6 assistências em 3934 minutos

2011-12: 43 jogos, 3 golos e 4 assistências em 3654 minutos

2012-13: 43 jogos, 3 golos e 6 assistências em 3439 minutos

2013-14: 42 jogos, 5 assistências em 3439 minutos

2014-15: 5 golos e 11 assistências em 3758 minutos, o melhor registo do uruguaio, e que encontra rival no Nélson Semedo de 2016-17 (os mesmos 2/12 em 4217’), ou no André Almeida (idem, em 4727’) e Grimaldo de 2018-19 (7 golos e 13 assistências em 4829’), ainda que seja notória a cronometragem muito mais alargada destes três.

Comparando o atual aproveitamento de Diogo Gonçalves, há motivos para ser otimista quanto ao seu futuro de águia ao peito, num trajeto que se iniciou em 2010 e o levou a triunfar em todos os escalões formativos, com as seleções jovens em paralelo – 71 internacionalizações dispersas por todos as etapas disponíveis: sub-15, 16, 17, 18, 19, 20 e 21.

É nesta última que começa precisamente a aventura da sua adaptação a outros terrenos, com Rui Jorge a ser o responsável pela visão de o recuar uns metros para alavancar a sua importância no conjunto. Numa altura em que Diogo passava por momentos de menor fulgor no Nottingham Forest FC, primeiro empréstimo depois da estreia pela equipa A do SL Benfica, em 2017-18, e quando partilhava balneário com talentos de realce como André Horta, João Carvalho, Diogo Jota, Félix, Gedson, Rafael Leão ou Bruno Xadas, o selecionador encontrou um espaço inédito para ele – mas completamente de acordo com as suas características.

Esse processo de adaptação teve, então, interregno declarado fruto do desenvolvimento exponencial que João Pedro Sousa e o FC Famalicão lhe proporcionaram na sua posição de origem. Naquela que foi a época de afirmação em contexto de Primeira Liga, Diogo explodiu na consistência do seu jogo como um dos últimos homens – a única oportunidade para relembrar conceitos mais defensivos foi na quarta eliminatória da Taça de Portugal, numa vitória (1-0) frente à Académica.

Todos os outros 33 jogos fê-los, na grande maioria dos minutos, na extrema direita do 4-2-3-1 que fez furor com o futebol de estética memorável e resultados práticos de registo. A intromissão nos lugares cimeiros e as meias-finais da Taça são atestado da grande época famalicense e Diogo foi figura fundamental. Regressaria com todo o mérito à Luz.

Porém, com Everton, Pedrinho, Rafa ou Pizzi como concorrência direta, seria uma questão de tempo até recuar novamente no campo, aliando-se a apetência natural à reconhecida tendência de Jorge Jesus em transformar extremos em laterais de grande nível – exemplo mais latente será Fábio Coentrão, outras assinaláveis fixam-se em André Almeida ou Melgarejo, ainda que com sucesso relativo.

A pergunta que por agora se impõe será quanto ao nível de Diogo na próxima temporada, já mais rotinado com as ideias do técnico (se este cumprir contrato…) e das exigências específicas da posição e como a equipa se vai adaptar à sua desenvoltura no preenchimento da faixa. Por agora, agradece Seferovic e quem jogar nas suas proximidades, pois a certeza de serem bem servidos não é assunto de debate.

Pedro Cantoneiro

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quando a tática explica tudo e, mesmo assim, passa para 2.º plano | Torreense

Não é que a tática não seja importante. Ela é, aliás, crucial para entender o jogo e o seu caminho. Ainda assim, depois de dois golos dos descontos e de uma nova vitória - a primeira em casa - do Torreense, qualquer pensamento, qualquer sentimento, qualquer nota sobre o jogo tende a lembrar a magia de, não um, mas dois golos anotados nos descontos para mudar completamente o resultado e o apelo de um clube a uma prova. Só a tática, na forma como o Torreense se organizou 11x10, 10x11 e 10x10, explica uma vitória construída com base em pensamento, em estrutura e em alterações constantes, num dinamismo tal que precisa de múltiplos cantos para escrever uma epopeia. Mas também só a emoção ou, pelo menos, a capacidade de a exteriorizar, explica a forma como, quando todos já poderiam deitar a toalha ao chão, um clube da Segunda Liga se consegue superiorizar na Europa e, depois de sofrer uma reviravolta, responder na mesma moeda, depois de, em casa, perder pontos nos descontos, recuperá-los e triplicá-los. 

Diogo Ribeiro · 9 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.