19 de agosto de 2016, Rafa Silva assina pelo Benfica e torna-se protagonista da maior transferência de sempre entre clubes portugueses, num valor que rondava algo como 16 milhões de euros. Há pouco mais de um mês, tinha sido um dos 23 eleitos que conquistaram o Europeu com a seleção portuguesa.

Uma época passou e, ainda, não fez jus ao valor pago por ele.

Disputou 12 partidas como titular, num total de 20 jogos disputados, com ressalva para o clássico contra o rival da segunda circular, em que fez uma assistência para o golo de Eduardo Salvio, num passe notável de trivela. Acabou por nunca se impôr como um dos indiscutíveis, também face à forte concorrência de Cervi e Zivkovic. Apenas há a destacar o facto de ter sido sempre titular nos clássicos, fazendo valer a sua experiência.

Se em alguns jogos a exibição agradava, lembro-me dos dois clássicos no Estádio da Luz, noutros era exigido que fizesse mais. Marcou apenas por duas vezes e registou seis assistências.

Pede-se mais dele, nomeadamente na última decisão. Quando em situações de contra-ataque peca por não tentar finalizar ou por demorar demasiado tempo a fazê-lo, permitindo que as defesas contrárias se posicionem de novo. Falta-lhe segurança e regularidade nas exibições.

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Rafa ainda não convenceu Fonte: SL Benfica
Rafa ainda não convenceu
Fonte: SL Benfica

Se quer ser, a par de Fejsa, Luisão ou Pizzi, um dos titulares vai ter de elevar ao expoente máximo as suas características – tentar desequilibrar com maior preponderância, apostar forte nos lances de 1 x 1 e nas transições rápidas. Este ano sem a sorte de ter uma linha defensiva tão forte quanto a que tinha com Nelson Semedo, Lindelof e Ederson.

A versatilidade a nível de posicionamento – pode jogar nas alas, assumir a posição 10 no terreno de jogo, ou ser um segundo avançado – é um dos seus maiores trunfos. O facto de conseguir desempenhar várias funções no campo permite que a qualquer momento seja chamado à titularidade ou a substituir alguém no decorrer da partida.

Contudo, a concorrência não lhe antevê tarefa fácil. Franco Cervi e Zivkovic já provaram que estão na calha para se assumirem também como titulares e não vão facilitar a vida de Rafa.

Cervi faz uso da sua rapidez e da elevada capacidade técnica, aliando a disponibilidade física para ajudar em tarefas defensivas. Já Zivkovic aposta na visão de jogo e nos cruzamentos tensos que, com frequência, levam perigo à área adversária.

Rafa Silva chegou como promessa do futebol português e internacional A, mas tarda em afirmar-se como tal. Resta saber se vai ser na época que se aproxima que vai fazer valer os milhões gastos para o contratar.