Escrever por linhas direitas

- Advertisement -

camisolasberrantes

Hoje por acaso até dormi bem. Coisa que já não acontecia há umas semanas. Por motivos que para aqui não são chamados e por outros tantos que chamados para aqui não são. Interessa só e somente descortinar a piada cósmica e intrinsecamente cínica que é a nossa vivência térrea. Pois que se dormi bem, mal acordei deram-me os tremores. Sem motivo aparente. Avizinhar-se-á um mau dia?

Não. Nem por isso. Simplesmente o coração não esquece. E há sempre uma parte qualquer profunda no nosso âmago que adormecida nos acorda e nos relembra dos calafrios de outrora. Dos fantasmas que nos assombram as memórias, dos sorrisos que nos roubaram e das lágrimas que em nós despertaram. Assim despertei também. Com a indecisa certeza de que algo não batia bem.

E não batia mesmo. Por sete vezes. De sete vilipendiadas maneiras. Atingindo sete antigas chagas. De um coração recuperado, mas que ainda sofre. O dia foi o de hoje, muda o ano: 25 de Novembro de 1999. E por isso o sofrimento. Por isso o relembrar. Em mim descomemora-se mais um aniversário da maior derrota europeia de todos os tempos do Benfica: o 7-0 contra o Celta de Vigo.

João Vieira Pinto e José Calado no sofrimento contra o Celta de Vigo / Fonte: record.xl.pt
João Vieira Pinto e José Calado no sofrimento contra o Celta de Vigo
Fonte: Record

Oito tenros anos. Recordo que estava a dormir a sesta na sala dos meus avós. Lá acordei, porque já eram mais horas de jantar do que dormir, mas mal sabia para o que estava a acordar. Nem me consegui endireitar sob as ditas almofadas azuis e verdes – para ajudar ainda mais à pintura de tal desastre –, como se antevisse tal cenário decrépito e de cortar o coração. Bom, não tive propriamente de trabalhar nas minhas capacidades de futurologia para tal, porque o primeiro da noite surgiu logo aos 19 minutos e de grande penalidade. Ah, e o segundo e terceiro e quarto entraram ainda antes do final da primeira parte. Responsáveis? Por ordem: Valery Karpin, Makélélé, Mario Turdó e Juanfran. Depois disso, tudo se tornou turvo e confuso. A esperança dentro de mim morreu. E levou consigo um bocado da minha infância e da minha capacidade em confiar. Em todos. E no tudo e no nada, que é o futebol. Continuei deitado. Dormente. Apático. Perdido. A sofrer sem saber ainda como se sofre. Mas assim foi. Assim ficou.

Nesse ano o Celta acabaria por ficar em sétimo na Liga Espanhola e o Benfica em terceiro na Liga Portuguesa, atrás de Porto e Sporting, respectivamente. No que à Taça Uefa diz respeito, os espanhóis mataram o meu sonho na 3ª ronda e ainda tiveram tempo para eliminar a Juventus na ronda seguinte – com outra goleada por 4-0, em casa. Como o Benfica, mas de forma mais gloriosa, morreram nos quartos-de-final, contra os franceses do Lens. O troféu ficou para o Galatasaray.

No entanto, as rosas não têm só espinhos. Na sua coroa passeiam as ânsias dos amores, das paixões e da esperança vívida. Nem tudo é mau. Nem tudo é sofrimento e angústia. E o Benfica também teve as suas vitórias. As suas goleadas. Agora que já falámos da maior derrota de todas, olhemos antes para as cinco maiores vitórias de todos os tempos na Europa: duas em 1965 contra os luxemburgueses do Dudelange, por 10-0 cá e 8-0 lá. Outra em 1968 contra o Valur Football Club, da Islândia. Esta deu 8-1 em Lisboa. Em 1970 outro 8-1 em casa contra o já extinto Olimpija, clube esloveno que em 2005 “ressuscitou” sob o nome Nogometni Klub Olimpija Ljubljana. A fechar as contas o 7-0 contra o Fenerbahçe, em 1975. Mas como nem tudo é passado (longínquo) podemos também recuar a 2009 – ano de e à campeão –, quando o nosso Benfica impôs ao Everton a sua maior goleada de sempre: 5-0 na Luz, a contar para a Liga Europa. Nesse ano haveríamos ainda de chegar aos quartos-de-final, onde o Liverpool nos cortaria as pernas.

Em semana de Champions é preciso recuperar o espírito lutador e perceber que, mesmo na desgraça, há sempre um raio de sol que «lá no céu, risonho vem beijar». Se o nosso destino não for continuar na Champions, seja. Mas a sair, saímos de cabeça levantada como fizemos na Grécia, perante um Olympiakos totalmente vencedor, mas totalmente domado. A Europa a quem a merece. E o ano passado merecemo-la. Quem sabe este ano os deuses não escreverão tortuosamente por linhas direitas…

Subscreve!

Artigos Populares

Yaya Touré vai fazer história e desafia o PSG na Champions League: «Vamos jogar sem medo e com um grande desejo de vencer»

O Slovan Bratislava tem pela frente o atual campeão europeu PSG na estreia na fase de liga da Champions League.

Pepa e Carlos Vicens projetam Estrela da Amadora x Braga: «Não podemos estalar os dedos e ter logo um relvado bom»

Pepa e Carlos Vicens realizaram a antevisão ao encontro em atraso da 3.ª jornada da Primeira Liga entre Estrela da Amadora e Braga.

Rui Vitória antevê Al Wasl x Al Ain: «O jogo pode ser decidido por pequenos detalhes»

Rui Vitória fez a antevisão do jogo do Al Wasl frente ao Al Ain num encontro a contar para a quinta jornada da Liga Emirados Árabes Unidos.

Arsenal quer renovar contrato com Mikel Arteta e com 3 destaques na campanha do título na Premier League

O Arsenal está a negociar várias renovações. Além de Mikel Arteta, também Declan Rice, Martin Odegaard e Jurrien Timber em negociações.

PUB

Mais Artigos Populares

Primeira Liga: árbitros chumbaram exames físicos mas vão apitar partidas de FC Porto e Benfica

José Bessa e João Gonçalves chumbaram nos exames físicos, mas vão apitar FC Porto e Benfica na sexta jornada, respetivamente.

Barcelona x Feyenoord EM DIRETO: assiste ao jogo da Champions League

O Barcelona e o Feyenoord enfrentam-se durante o final de tarde desta quarta-feira, num encontro da Champions League.

Relatório Tático: FC Porto x Manchester City | 1.ª jornada da fase de liga da Champions League

O FC Porto perdeu com o Manchester City por 2-0. Fica com o meu relatório tático do encontro da 1.ª jornada da fase de liga da Champions League.