Esforço, devoção e anti-benfiquismo

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Bruno de Carvalho utiliza a rivalidade entre Benfica e Sporting, natural entre grandes clubes vizinhos, para travar qualquer discussão interna que o possa fragilizar. Bombardeando a comunicação social com dialéctica anti-benfiquista – atacando o clube rival, os seus profissionais e os seus adeptos –, ocupa, desta forma, o espaço mediático que lhe pertence. Recorrendo a um ódio endémico, projetando-o num inimigo externo, instrumentaliza as massas e impede, com todos os recursos de que dispõe, que o sportinguista comum perca demasiado tempo a pensar naquilo que não lhe interessa (a ele, entenda-se, Bruno de Carvalho); perdem-se as energias em discussões de café.

Lançam-se uns beijinhos provocadores, e fala-se de cartolinas e very-lights. Dizem-se mentiras. Cai-se no ridículo. Mas lá vai resultando. Assim, não se fala do fracasso europeu, do actual 3.º lugar (a um ponto do 4.º), da incompreensível (aos olhos do comum mortal) substituição de Bas Dost, do ordenado de Jorge Jesus, do ordenado de Bruno de Carvalho, do túnel de Alvalade, e muito menos se fala da decisão da UEFA sobre o “Caso Vouchers”, essa bandeira pela transparência e pela verdade desportiva, empunhada, há ano e meio, por Bruno de Carvalho. O presidente do Sporting assume-se, então, como profeta, protector e salvador; acena com o medo (a derrota e, sobretudo, a falência), recorda o passado, e mantém a confiança da porção de sócios que, antes de sportinguistas, são essencialmente anti-benfiquistas – vai dando, lamentavelmente, para diabolizar as alternativas democráticas que, assim haja coragem, se prestam a surgir.

Ao ler este texto, a esmagadora maioria dos sportinguistas ofender-me-á. Considerar-me-á um benfiquista, um “lampião”, que apenas quer o bem do seu clube e o mal do Sporting – não estão totalmente errados. Isso não invalida, todavia, que deseje a extinção do eterno rival; muito menos, que considere Bruno de Carvalho com as mínimas condições para ser presidente de um clube desta dimensão (ou de outra qualquer). Creio, pelo que me é dado a observar e a ouvir, que existem cada vez mais sportinguistas a pensar como eu; e cada vez menos a caírem na esparrela e, muito menos, a reverem-se neste presidente. E contra o argumento falso e cansado, propalado como barómetro pelo próprio, de que os benfiquistas temem Bruno de Carvalho, em contraponto com o passado recente e colaboracionista do clube, existem os factos: com José Roquette, Dias da Cunha, Soares Franco, José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes, entre 1996 e 2013, o Benfica venceu dois campeonatos; com Bruno de Carvalho, entre Março de 2013 e 2016, vão lá ver quantos ganhou.

Apesar de ser benfiquista, e de querer ser campeão mil anos consecutivos, nem ao meu pior inimigo posso desejar tanto mal.

Foto de Capa: Sporting CP

João Amaral Santos
João Amaral Santoshttp://www.bolanarede.pt
O João já nasceu apaixonado por desporto. Depois, veio a escrita – onde encontra o seu lugar feliz. Embora apaixonado por futebol, a natureza tosca dos seus pés cedo o convenceu a jogar ao teclado. Ex-jogador de andebol, é jornalista desde 2002 (de jornal e rádio) e adora (tentar) contar uma boa história envolvendo os verdadeiros protagonistas. Adora viajar, literatura e cinema. E anseia pelo regresso da Académica à 1.ª divisão..                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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