«Disse que esperava por Pinto da Costa, mas no dia seguinte ligaram-me para ir para o SL Benfica» – Entrevista BnR com Beto

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«FUI TRABALHAR PARA UMA FÁBRICA DE SANDÁLIAS».

Bola na Rede: Focando agora a atenção na sua carreira. O Beto começa a carreira no Brasil, passa pela Argentina e Uruguai, e por diversos clubes antes de rumar a Portugal. Como surgiu o convite para jogar em Portugal, no FC Paços Ferreira?

Beto: Tenho de agradecer muito ao José Mota, que me descobriu no Brasil, com a ajuda do meu empresário da altura. Contratou-me para o FC Paços Ferreira.

Bola na Rede: Foi seu treinador durante muito tempo…

Beto: Exato. Ele gostou de mim e do Gláuber, que também foi para o Paços e, depois, para o Boavista FC. E foi assim que aconteceu. Depois, fui crescendo e dando-me a conhecer ao futebol mundial. Do Paços para o SC Beira-Mar, e só depois para o SL Benfica. No SC Beira-Mar, aliás, fiz uma excelente época.

Bola na Rede: Só uma questão, Beto, antes que nos antecipemos: há uns anos, deu uma entrevista em que afirmou que chegou a pensar desistir do futebol para trabalhar numa fábrica de sandálias. Essa foi a fase em que esteve mais longe do mundo do futebol?

Beto: Sim, apesar de o meu pai me incentivar sempre a jogar. Só que era complicado. Ia para um clube, não dava certo. Ia para outro, não dava certo. E, a certa altura, o meu pai disse que eu tinha de trabalhar e sobreviver. E eu fui trabalhar para um fábrica de sandálias durante cinco dias. Até que chegou ao sexto dia – um domingo -, e o dono disse que eu tinha de ir trabalhar. Só que aos domingos fazemos as “peladinhas”. E eu disse: “Não, não vou trabalhar mais e vou voltar a jogar, de novo”. O futebol apareceu novamente e ficou mais iluminado. Depois, foi tudo rápido até chegar a Portugal.

Bola na Rede: E, depois, foram muitos anos em Portugal…

Beto: Muito bons anos aí!

Bola na Rede: José Mota marca a sua carreira, acredito.

Beto: Marca, claro, sem dúvida. Ainda hoje falo com ele, conversamos muito. Sempre que vou a Portugal, tenho de falar com ele e de o ver. É uma amizade que conquistámos. Nunca nos deixámos de falar e o “Mota”, para mim, é como um pai no mundo do futebol.

Mário Cagica Oliveira
Mário Cagica Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
O Mário é o fundador e diretor-geral do Bola na Rede. É também comentador de Desporto na DAZN, SIC e Rádio Observador e professor universitário.

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