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Sou benfiquista, sócio há mais de 20 anos. Tenho um orgulho enorme no meu clube, nas suas conquistas, na sua história. Já chorei com o Benfica, já ri com o Benfica. Algumas das minhas memórias mais felizes envolvem um jogador vestido de vermelho a por uma rede a balançar. Se alguém insulta o Benfica à minha frente, sou tomado por uma pulsão felina que me esgaça as garras e a minha primeira reação é, inevitavelmente, a de repetir o insulto, mas em dobro e aos berros.

Quando vejo futebol, insulto o árbitro, insulto o adversário e insulto as respetivas mães. É muito feio, mas é o que é. Incontrolável. Não sou eu, é outro. Se eu fosse Pessoa, dava-lhe outro nome, outra história e talvez me desculpassem essa histeria que faz de mim alguém menos recomendável, sim, mas que não sou eu.

O jogo de futebol é uma guerra. Num jogo de futebol, ninguém conhece a razão. Um jogo de futebol chega até a fazer mal à saúde.

Mas depois o jogo acaba, eu meto o cachecol no armário e vou beber um copo com os meus amigos. Tenho-os de todas as cores, azuis e brancos, verdes, vermelhos. Nas suas listas de qualidades e defeitos consta, respetivamente, o facto de serem ou não do meu clube.

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Contudo, não posso dizer que seja amigo de nenhum por causa disso. O clube dos meus amigos foi-me indiferente no momento em que os escolhi.

Porque ser de um clube não quer dizer nada sobre ninguém. Atenção: esta frase até para mim é polémica, porque eu – se tudo o resto for igual – escolho sempre salvar um benfiquista a alguém de outro clube.

Mas é verdade: ser do Benfica, ou de outro clube qualquer, não faz de ninguém mais sério, mais honrado ou mais simpático. A minha namorada não é do Benfica. A maioria dos meus amigos não são do Benfica. Estão errados, eu sei, mas eu continuo a gostar deles.

Eis o estádio mais inspirador do país Fonte: SL Benfica
Eis o estádio mais inspirador do país
Fonte: SL Benfica

E avanço para a segunda polémica: dizer mal do Benfica também não diz nada sobre ninguém. Eu não vou gostar, mas o Benfica, como tantos clubes, tem várias coisas que lhe merecem a crítica. É legítimo criticarem o meu clube, como eu critico o clube dos outros. E mais: é legítimo faze-lo “sem olhar primeiro para o seu clube”, da mesma forma que eu não preciso de avisar que não lavei os dentes antes de dizer a alguém que cheira mal da boca.

Eu sei que isto é tudo muito confuso, porque se por um lado o tipo que escreve isto insulta pessoas que não conhece durante um jogo de futebol, por outro está a dizer que isto de defender cegamente os seus clubes não faz sentido nenhum.