Quando em 1992 se erigiu uma estátua à entrada da Luz, simulando o pontapé mais perfeito da história do Benfica, o gesto tornou-se importantíssimo na simbologia e um passo vital rumo ao total agradecimento à maior figura da nossa história. Enquanto símbolo, a Pantera voa quase tão alto como a águia, à custa das asas duma memória popular que se mantém forte como aquele Benfica dos ’60. O passo dado em 2008, com o projecto Eusébio Cup, foi de igual importância na valorização da lenda.

Se os clássicos europeus foi uma das marcas daquela equipa, fazia todo o sentido relembrar essas tardes-noite que tardaram (e tardam, oficialmente…) em repetir-se. Inter, Milão, Tottenham, Arsenal, Real Madrid, Ajax?  A final injustamente marcada para San Siro? O carrinho de Pivatelli em Coluna, naquela tarde de Wembley? A vantagem corajosamente defendida em White Hart Lane?  Os… 5-3? A passagem de testemunho entre Eusébio e Cruyff? Sim! Que se ponham as velhas gerações a marinar no oceano da memória e que se ponham os mais novos a marinar no da imaginação, como o fizeram estes jogos! É imperativo que haja um momento desta importância em cada Agosto, que a cada pré-época, já elas recheadas de sonhos, se sobreponham outros sonhos e se agradeça aos heróis da nossa história.

Grande iniciativa do Benfica pós-tragédia. Convite á Chapecoense, que infelizmente não se deslocou a Lisboa por impedimento da… Confederação Brasileira de Futebol
Fonte: SL Benfica

Quando, em 2014, Eusébio se despede e parte rumo ao Olimpo, num dia em que até o céu chorou, a importância e carga emocional da ocasião aumentou exponencialmente. O Rei foi demasiado cedo, seria sempre demasiado cedo. Tornou-se imperial manter e fortalecer a tradição, torná-la perpétua no calendário e discernir os «os valores mais altos que se levantam», como o Sr. Mário Wilson exaltou em certa gala. E se nesse ano ainda o relembrámos com a prestigiante presença do Ajax, fica a sensação dum certo… desleixo a partir daí. Em 2015, depois daquela pré-época atribulada pelas Américas, a homenagem é festejada em Monterrey sob pretexto de 10 (!) jogos de Eusébio com a camisola local. Conveniência? Se fica difícil argumentar contra essa ideia, como defender a ocupação do Algarve dois anos depois? Impossível. Se a ideia Monterrey tiver realmente sido com boas intenções, porque não continuar o projecto e deslocar a taça para Maputo, Tomar ou Toronto? De destacar a edição com a presença do Torino e o convite á Chapecoense, infelizmente recusado por motivos ainda dúbios, atitudes que engradecem o nome da instituição e o de Eusébio e que se coadunam com os valores fundadores.

Apanhando a boleia da ideia de Tiago Pinto que, ainda este mês, afirmava que «ou se faz com dignidade ou não se faz», a Eusébio Cup é algo que tem de ser encarado como total prioridade para o planeamento benfiquista, garantindo com toda a antecedência as condições necessárias à exaltação da memória de Eusébio, ano após ano. A inexistência duma homenagem é uma situação que não pode nem deve repetir-se porque, como exalta o hino original,

E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,

Honrai agora os ases

Que nos honraram o passado!

Foto de Capa: SL Benfica

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