O Benfica visita a capital do móvel consciente das suas obrigações enquanto candidato ao título.

A almofada de sete pontos alcançada há uma semana é para manter e nada melhor que um Domingão de bola para alegrar os benfiquistas do norte, com a esperada enchente que se transformará num mar da típica alegria que caracteriza o apoio à equipa nas deslocações acima do Mondego.

Na Mata Real, templo do Portugal futebolístico, os encarnados encontram uma equipa regressada do ocaso da divisão inferior mas recheada de talento, já que Janeiro foi amigável para a turma de Pepa. Stephen Eustáquio e Adriano Castanheira vieram empregar o talento que faltava no onze pacense, que até agora se conseguiu manter acima da linha de água com algumas dificuldades.

Porém, talvez, tal acréscimo de qualidade não seja argumento suficiente para convencer a tradição a mudar: em 22 visitas dos lisboetas a Paços de Ferreira, contam-se 14 vitórias e apenas três derrotas, estatística pesada para uns castores que tudo farão para pontuar frente ao Campeão Nacional. A última delas foi o famoso 1-0 de 2014-15, resultado que á altura fez o Benfica de Jorge Jesus balançar na luta dum título que viria a ganhar.

 

COMO JOGARÁ O BENFICA?

Bruno Lage não tem razões para fazer grandes mudanças no onze ou na forma de jogar da equipa, já locomotiva a todo o vapor no topo da tabela e na corrida ao troféu de campeão. A principal dúvida será Rafa, que completamente recuperado insurgir-se-á quanto a vaga entre os titulares, apesar das exibições muito capazes de Cervi.

Uma das soluções seria incluir a figura da vitória em Alvalade no papel de segundo avançado, tarefa que pode desempenhar, como referiu o treinador na conferência de imprensa: «Conto com o Rafa para as três posições: ala esquerdo, ala direito ou avançado», não sem antes acabar de vez com os rumores que indiciavam um suposto interesse do jogador em mudar de ares com uma curiosa confissão, ao afirmar que «o sonho dele é ser presidente do Benfica, foi isso que ele me disse hoje. Está tudo dito».

A existir alterações, será essa a mais notória na escalação do onze, relegando Chiquinho para o banco de suplentes.

JOGADOR A TER EM CONTA – JULIAN WEIGL

Há talento suficiente em Weigl para determinar o rumo da partida, restando apenas saber com que audácia se apresentará em campo
Fonte: SL Benfica

Depois da introdução no onze e dos processos simples que demonstrou, alegando a seu favor a inteligência de perceber o contexto da sua entrada numa época a decorrer e da necessidade de criação de rotinas com os colegas, Julian terá agora oportunidade para começar a desenvolver o seu verdadeiro futebol.

Espera-se mais desenvoltura no momento ofensivo do internacional alemão, arriscando mais no passe vertical, uma das suas imagens de marca. As suas qualidades de regista, se exploradas a fundo, contribuirão para vitória confortável da turma encarnada e permitirão maior liberdade a Pizzi e Rafa, recebendo o esférico em melhores condições e em zonas nunca antes imaginadas.

ONZE PROVÁVEL

Odysseas; André Almeida, Rúben Dias, Ferro e Grimaldo; Pizzi, Weigl, Gabriel e Cervi; Rafa e Vinícius.

 

COMO JOGARÁ O PAÇOS DE FERREIRA?

A equipa de Pepa vem de um empate caseiro frente ao Gil Vicente de Vítor Oliveira, que culminou num ciclo de quatro jogos sem perder e sem sofrer qualquer golo, melhorias substanciais face à primeira volta.

A ida ao mercado de inverno foi frutífera para a equipa, aumentando o plantel em termos qualitativos com as entradas de Marcelo (ex-Rio Ave e Sporting), Stephen Eustáquio, João Amaral  e Adriano Castanheira, um prodígio que despontava nas Beiras ao serviço do Sporting da Covilhã.

A consolidação de Eustáquio junto a Pedrinho no centro do terreno deu segurança à equipa e elevou a sua capacidade do controlo da posse de bola, num duplo-pivot que oferece mais e melhores soluções aos desiquilibradores da frente. A principal ausência será Maracás por acumulação de amarelos, sendo muito provável a aparição de Marcelo no eixo da defesa ao lado de Marco Baixinho.

O resto do onze deverá manter-se sem mais alterações, fruto da saúde e disciplina da generalidade do plantel, constando apenas dois nomes no boletim clínico: Bruno Santos e Luiz Carlos.

JOGADOR A TER EM CONTA – STEPHEN EUSTÁQUIO

A melhor contratação da janela de Inverno portuguesa, tendo em conta a qualidade do jogador e os objectivos do clube
Fonte: FC Paços de Ferreira

Só as lesões impossibilitaram Stephen de vestir camisolas mais prestigiadas até agora. A aventura no México não correu totalmente bem e o luso-canadiano volta a Portugal para se afirmar de vez em contexto nacional.

Até agora, recém-chegado que é a Paços de Ferreira, conseguiu já assumir as rédeas de um meio-campo refém de organização e capacidade de controlo da posse de bola. O talento que tem, as doses cavalares de inteligência futebolística e a visão ampla do rectângulo de jogo serão entraves para a capacidade defensiva encarnada.

Da forma como o Benfica irá condicionar Stephen dependerá todo o desenrolar do jogo e o desfecho final. Um dos verdadeiros craques que nos permite testemunhar a sua genialidade em território luso.

ONZE PROVÁVEL

Ricardo Ribeiro; Jorge Silva, Marco Baixinho, Marcelo e Oleg; Pedrinho e Stephen Eustáquio; Hélder Ferreira, João Amaral e Adriano Castanheira; Douglas Tanque

 

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

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