Mile Svilar é um caso especial de precocidade. Menino prodígio vindo da conceituada escola belga, com mais de duas dezenas de internacionalizações nas selecções jovens, exige na chegada a Lisboa protagonismo imediato e um lugar cativo na primeira equipa. À custa de uma evolução saudável e acentuada no tempo, é lançado às feras em jogos de Liga de Campeões, surgindo numa fase horrenda de Rui Vitória: depois do desastre de Basileia, Júlio César cede espaço a Bruno Varela, que, não estando também de todo preparado, luta durante umas semanas pela titularidade com o belga de dezoito anos. Entre 14 de Outubro e 5 de Novembro de 2017, Svilar faz todos os minutos, assumindo a baliza na jornada dupla frente ao Manchester United de José Mourinho, na qual a notória falta de preparação para o nível de topo é resumida no famoso auto-golo após balão inofensivo para a área.

Numa idade na qual o tempo de jogo se torna crucial para a evolução do atleta, o SL Benfica comete erro crasso no desenvolvimento sustentável da sua futura estrela, ao mantê-lo no plantel para 2018/19, entregando-lhe as taças de Portugal e da Liga. Quando o atleta suplicava por minutos, e podendo remetê-lo para a equipa B numa fase transitória ou empresta-lo com garantias de titularidade, o clube decide que Svilar é para ficar como segundo guarda-redes, na sombra de Odysseas. Naturalmente, os números são escassos: 12 jogos que traduzem 1080 minutos, uma época de estagnação e o adiar da confirmação de todo o potencial que lhe é reconhecido.

A estreia de Svilar na Champions, aos 18 anos
Fonte: SL Benfica

É no verão seguinte que entra o planeamento de Bruno Lage, que entrega a Mile definitivamente o espaço ideal de crescimento: a baliza da equipa B é dele em 2019/20, depois de várias ofertas de empréstimo rejeitadas, segundo noticiado na comunicação social. É agora visível um projecto a curto e médio prazo, numa aposta séria nas capacidades do imberbe belga, que tem tudo para assumir a baliza encarnada nos anos vindouros.

Valendo-se do seu forte sentido posicional, elasticidade e coragem, Svilar é um guarda-redes moderno, não se coibindo de fechar uns metros à frente de forma a anular a profundidade adversária e funcionar como líbero – é, nesse sentido, o melhor guarda-redes nos quadros. Dos sete jogos do SL Benfica B até agora na Liga Pro, Mile completou os 630′ correspondentes, exibindo bons pormenores apesar da inconsistência da equipa liderada por Renato Paiva e dos 10 golos sofridos.

A direccioná-lo no seu desenvolvimento terá dois bons treinadores de guarda-redes. O “Record” desta semana noticiava o plano de acompanhamento que Fernando Ferreira teria preparado para Mile. O treinador de guarda-redes que transitou com Lage da equipa B é alguém de créditos firmados, com passagens pela formação do Sporting CP, Real SC e 1º de Agosto – o mesmo que garantiu uma excelente segunda-volta a Odysseas, com oito clean sheets em dezanove jogos, um registo exemplar e digno de atenção.

Na equipa B, Paulo Lopes, o “senhor da trave”, terá certamente conhecimentos cirúrgicos da posição, fruto da larga experiência e da carreira de vinte anos ao mais alto nível, passada em todos os escalões profissionais do futebol nacional: um senhor na verdadeira acepção da palavra e que certamente ajudará o menino Svilar a perpetuar a excelente fase que atravessa.

Fonte: SL Benfica

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

 

 

 

 

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