No passado dia 3, foi anunciada mais uma candidatura às próximas eleições do SL Benfica, neste caso do movimento “Servir o Benfica”, liderado por Francisco Benitez. Depois das candidaturas de Luís Filipe Vieira, Rui Gomes da Silva, João Noronha Lopes e Bruno Costa Carvalho (embora esta ainda não tenha sido oficializada devido a questões relacionadas com os estatutos do clube), surge, assim, como a quinta e provavelmente a última, numas eleições que certamente farão correr muita tinta e provocarão bastantes discussões nos próximos tempos no universo encarnado.

Francisco Benitez tem 56 anos, os mesmos anos de sócio do clube, e foi atleta da modalidade de rugby, tendo contribuído para a conquista de alguns títulos nos escalões mais jovens e de formação; é licenciado em Marketing, passou por áreas como a Publicidade, Industrial e Grande Distribuição. Fã e apaixonado pelo associativismo, foi um dos fundadores da AAB (Associação de Adeptos Benfiquistas).

Segundo o próprio, a decisão de concorrer às próximas eleições iniciou-se ainda com o SL Benfica numa fase positiva da época, designadamente, como líder do campeonato, com sete pontos de avanço para o segundo classificado. Neste sentido, mencionou que não considerava pertinente que a candidatura fosse de um homem só, mas sim de um movimento que congregasse vários sócios apaixonados pelo clube, tendo como líder um que personifica o coletivo, algo possível de verificar.

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No vídeo de apresentação, além de Francisco Benitez (candidato à presidência), foi revelada a presença do candidato ao Conselho Fiscal (Nuno Leite) e à Mesa Assembleia Geral (João Pinheiro), os quais, juntos, apresentaram e elencaram um conjunto de medidas, propostas e valores que devem, no seu entender, ser os mais indicados a seguir pelo SL Benfica no futuro, caso o seu movimento obtenha a vitória nas eleições.

Assim sendo, foram focados três pilares vitais: democracia, através de uma Assembleia Geral que assegure e restaure a tradição democrática do clube; transparência, com um Conselho Fiscal independente, que seja o garante para os associados de uma Direção questionada e fiscalizada sempre que pertinente; ambição desportiva, possibilitada por uma Direção capaz de aliar competência à paixão pelo SL Benfica e recentre a prioridade em obter sucesso desportivo. Por oposição, algumas situações mereceram críticas concisas e, a meu ver, extremamente adequadas para a atual direção do clube (OPA, agressão de Luís Filipe Vieira a um sócio, eternização no poder e tecnocracia na SAD)

Posto isto, foram esmiuçadas outras ideias mais concretas para o futuro do clube, nomeadamente:

  • a tentativa de reter os melhores jogadores no SL Benfica, não só no futebol mas também nas diversas modalidades, quer com aumentos salariais quer com a apresentação de projetos que aliciem os atletas a tal permanência (ambição europeia, reforços de qualidade, investimento);
  • a limitação de mandatos na presidência do clube; reduzir as enormes discrepâncias do sistema eleitoral, particularmente, a relação número de anos de sócio/número de votos;
  • a aprovação, em Assembleia Geral, dos membros indicados pelo clube para a SAD;
  • complementar o voto eletrónico com o voto físico, de forma a aumentar a credibilidade, transparência e evitar possíveis fraudes;
  • a hipótese de Assembleias Gerais se realizarem aos fins de semana, em outros pontos do país e serem transmitidas para todos os sócios, para que o maior número possível tenha conhecimento dos assuntos discutidos e das decisões tomadas;
  • reduzir a quotização para captar mais associados, com a possibilidade de equiparar os sócios correspondentes aos sócios efetivos;
  • o fomento das Casas do Benfica no que diz respeito ao recrutamento de associados do clube, com a promessa de 25% do valor das quotas para as mesmas;
  • renumerações de sócios no período de 5 anos;
  • a obrigatoriedade de existirem debates com os candidatos à presidência do clube na BTV;
  • o regresso de modalidades como o futebol e voleibol de praia, assim como do rugby ao Complexo da Luz;
  • a obrigatoriedade de apresentação de novo Orçamento/Relatório e Contas em caso de não aprovação na Assembleia Geral;
  • entre outras que podem ser lidas no Twitter ou Facebook do Movimento “Servir o Benfica”, ou ouvidas no vídeo de apresentação da candidatura.

Em jeito de conclusão, além do amor ao clube, transparência, credibilidade e enorme ambição do projeto para a conquista de títulos nas diversas modalidades, captação de parceiros comerciais de renome e afirmação do clube no que concerne ao prestígio e dimensão à escala planetária, é necessário salientar o cariz modernizador do Movimento, a organização, associativismo e, assim, saudar mais uma candidatura à presidência do SL Benfica, sinal de uma enorme vitalidade e de conjuntos alargados de pessoas, alguns com ideias divergentes, mas que, na sua essência, desejam o melhor para os desígnios do clube. Fazendo jus ao nome do Movimento, o que faz sentido é “Servir o Benfica” e não utilizar esta grandiosa instituição para proveito pessoal ou como escudo protetor.

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