Guilherme Arana | O substituto ideal de Grimaldo?

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Voou pela esquerda e vai mantendo o ritmo em 2022, já que acumulou minutos nos últimos dois jogos: noventa contra o Chile e seis contra a Bolívia, jogados em Março.

Mas para chegar a este nível muito penou Guilherme. Ainda que tenha começado de vento em popa, no paulista Corinthians, onde se formou – aos 16 anos sobe aos AA’s pela mão de Mano Menezes, treinava com eles e jogava pelos sub20, mostrando que o nível era realmente de profissional: o seu rendimento foi tão incontestável na Copinha São Paulo 2015 que foi imediatamente inscrito no campeonato Paulista.

Sairia por empréstimo para o Athletico Paranaense, por estar tapado por Uendel e Fábio Santos. Durou pouco. Fábio saiu e a diretoria paulista não teve dúvidas: seria Arana a segunda opção a partir dali. No primeiro jogo que faz, foi do inferno ao céu.

Um erro seu dá golo adversário mas o apoio dos colegas e a sua própria coragem viraram o destino já fatalista ao contrário, com uma grande exibição a partir dessa falha e preponderante envolvência nos golo crucial da equipa. Estava lançado e Tite, o atual selecionador brasileiro e seu técnico á época, dava o mote.

Jogo contra o Sport, na Arena. Eu com 17 anos. O time brigando pela liderança do Brasileiro. No intervalo, o Uendel, que tinha sentido uma lesão, chega em mim e diz: “Se prepara que eu não vou aguentar até o final.”

Então, vem tudo de novo…

Friozinho na barriga.

Nervoso, muito nervoso.

Estava 3 a 1 pra gente, jogo tranquilo. Mas, logo depois de entrar em campo, eu falho num lance e o Sport diminui. Passa mais um pouco, eles empatam com uma jogada pelo meu lado.

Acontece tudo que eu mais temia: errei na frente dos caras, na frente da nossa torcida, no meu jogo de estreia.É louco como um lance ou uma infelicidade pode simplesmente destruir o nosso sonho. Mas aqueles caras que me deixavam nervoso só de olhar pra eles nos treinamentos fizeram com que eu me sentisse a pessoa mais calma do mundo no momento de maior pressão da minha vida.

Na saída de bola, o Renato Augusto já dá em mim, como quem diz: “Vai, fica à vontade. Errar faz parte”. O grupo inteiro me deu moral e não deixou que eu me abalasse pela falha.

Já no fim do jogo, eu arrisco um drible na lateral e faço a jogada do pênalti que o Jadson cobrou para garantir a vitória. Ufa, eu consegui dar a volta por cima bem rápido.

Lembro até hoje das palavras que o professor Tite me disse após a partida: “Tu tem futuro, moleque, porque tu é corajoso”. Abri meu Instagram, e tinha muito mais mensagens que naquela vez que estreei na Copinha. A maioria me dando os parabéns por ter me recuperado durante o jogo.

Realizei meu sonho de pivete. Fui bicampeão brasileiro pelo Corinthians. E mesmo com pouca idade, eu já me sentia pronto para subir mais um degrau na carreira: jogar na Europa.

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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