Terceiro Anel

Simplesmente incrível aquilo que o Benfica fez esta noite. No terreno de uma fortíssima Juventus apoiada pelo seu público, num ambiente tremendamente adverso, acabando a partida com nove unidades em campo, a equipa portuguesa logrou atingir, pela segunda época consecutiva, uma final da Liga Europa.

O Benfica entrou muito bem no desafio, conseguindo trocar a bola com qualidade, pondo assim em respeito a equipa da Juventus, que encarou esta eliminatória como se de favas contadas se tratasse. Porém, com o decorrer da primeira parte, o conjunto italiano foi empurrando os encarnados para o seu último reduto, mas mesmo assim não conseguia criar grandes oportunidades de golo. Foi à beira do intervalo que a Juventus esteve mais perto de marcar, mas Luisão (mais uma enormíssima exibição do capitão do Benfica!) salvou a equipa com um excelente corte de cabeça, em cima da linha de golo. De referir algum desacerto defensivo de Markovic, nos primeiros 45 minutos, desacerto esse que acabou por causar acrescidos problemas a Maxi Pereira, que teve pela frente um sempre explosivo Pogba.

A chuva apareceu na segunda parte, e em grande quantidade, mas o estoicismo e garra encarnados não desapareceram. Bem pelo contrário! Exceptuando um livre directo de Pirlo, raramente a Juventus criou oportunidades para marcar. E, de facto, o que torna ainda mais épica esta exibição do Benfica é a forma como o conjunto se aguentou, depois da expulsão de Enzo Pérez aos 67 minutos. Com uma total coesão e grande capacidade de entreajuda, a equipa orientada por Jorge Jesus foi sustendo os ataques da equipa bianconera.

Nos últimos minutos, e quando os nervos já imperavam, Ezequiel Garay teve de sair de campo, depois de ser violentamente atingido na face por Pogba, de uma forma involuntária. Benfica com nove jogadores, nove heróis, nove guerreiros. Compensação quase interminável, adeptos italianos incrédulos, elementos da Juventus a pagar bem caro a arrogância evidenciada ao longo dos últimos dias. E depois, enfim, o momento mais ansiado: apito final, 10ª final europeia da história do Sport Lisboa e Benfica, festa entre toda a equipa e os cerca de dois mil adeptos encarnados que marcaram presença em Turim.

Jornada de sonho do Benfica, em Turim. Fonte: Abola.pt
Jornada de sonho do Benfica, em Turim
Fonte: Abola.pt

Como marca negativa, o facto de o Benfica não poder vir a contar com Enzo Pérez, Salvio e Markovic, para a final de 14 de Maio, neste mesmo estádio. Contudo, uma final é sempre uma final, e a equipa portuguesa é a favorita para o jogo decisivo, que será disputado frente a uma boa equipa do Sevilha.

Uma coisa é certa: este Benfica está a viver uma das mais bonitas fases do seu historial. Está em três finais, pode ganhar tudo, tem encantado milhões de adeptos, e merece ser feliz, depois de tanto azar vivido nos últimos anos. E depois temos este lado mágico do futebol que o torna um desporto tão apaixonante: a poderosa Juventus, do alto do seu pedestal, a ser eliminada por um transcendente Benfica, que conta com um plantel de sonho, mas que afinal de contas é uma equipa de Portugal, país sempre demasiadamente desrespeitado pelas instâncias futebolísticas internacionais.

Parabéns, Sport Lisboa e Benfica; parabéns, nação benfiquista; parabéns, Portugal.

A Figura
Jorge Jesus – Depois da contestação de que foi alvo na época passada, o técnico amadorense está a viver uma temporada de sonho, e com todo o mérito. Superou várias tormentas, más exibições, lesões, vendas, e acabou por guiar o Benfica a uma fantástica temporada, independentemente daquilo que aconteça nas três finais que aí vêm.

Fora-de-Jogo
Arrogância italiana – Completo mau perder da Juventus, que nunca esperou não disputar a final da Liga Europa, que ainda para mais se irá realizar no seu estádio. Análise de jogo simplesmente patética de Antonio Conte, que parece ser a única pessoa neste planeta que acha que a sua equipa foi prejudicada pela arbitragem durante esta eliminatória.

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