Lições de uma reviravolta improvável

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Estamos prestes a terminar o primeiro ano de Rui Vitória à frente do Sport Lisboa e Benfica. E, se toda a gente sabe que a avaliação e a reputação de um treinador vive quase inteiramente de resultados, talvez seja interessante retirar algumas conclusões do que foi feito nos últimos dez meses, antes que a sua primeira impressão fique irreversivelmente marcada pela classificação final do campeonato.

Rui Vitória chega ao Benfica em Junho de 2015 num contexto muito particular. Chega com a tarefa difícil de ser sucessor de alguém que deu várias vitórias ao clube e que sai “em alta”, com altos níveis de popularidade. A juntar a isto, esse mesmo ex-funcionário junta-se a um dos rivais, criando um sentimento generalizado de traição e orgulho ferido, mas que acima de tudo provocou um clima de grande incerteza e ansiedade, que se sentiu entre os adeptos e que se estendeu à equipa.

O facto de ele próprio ser um treinador relativamente jovem, a abraçar o desafio de treinar o seu primeiro clube “grande”, e de ter um temperamento calmo e ponderado não ajudou: criou-se alguma desconfiança entre os adeptos, com medo de que fosse demasiado “manso” e de que não tivesse capacidades para manter os parâmetros a que já estávamos habituados.

Há que assumir e não esquecer que, no início da época, Rui Vitória era o “underdog”, o desfavorecido, o subestimado. E essa imagem colou-se às expectativas do que seria a próxima época do Benfica.

O período de Rui Vitória arranca e as dificuldades aumentam. Sem grandes reforços de destaque (à exceção de Mitroglou), as alterações mais marcantes na equipa passaram pela inclusão de jogadores da formação. Logo em Agosto a Supertaça é a primeira desilusão. Arranca a época 2015/2016 e perdem quatro jogos com os principais rivais. Em Novembro, eliminados da Taça de Portugal. E a meio de Dezembro a sete pontos do primeiro lugar.

Para os mais pessimistas, esta parecia ser já uma época para esquecer, em que dificilmente poderia sair daqui alguma coisa digna de registo. Para os realistas, não fazia mal manter as expectativas baixas.

Rui Vitória conseguiu construir um percurso vitorioso no SL Benfica Fonte: SL Benfica
Rui Vitória conseguiu construir um percurso vitorioso no SL Benfica
Fonte: SL Benfica

Hoje, a entrar no mês de Maio, o Benfica está desde o início de Março a segurar o primeiro lugar no campeonato. Chegou aos quartos da Champions e conseguiu exibições que encheram os benfiquistas de orgulho. As vitórias no campeonato são gordas e o Jonas afirmou-se como um dos melhores marcadores da Europa. Isto com um dos onzes objetivamente mais fracos dos últimos anos e com o plantel mais barato entre as equipas que estão no pódio.

Fazendo o ponto de situação: existe um antes e um depois de Rui Vitória? Mudou-se de treinador – mas, na prática, que mudanças é que se notam?

Leonor Caldeira
Leonor Caldeirahttp://www.bolanarede.pt
A Leonor é apaixonada pelo Benfica desde 1993, ou seja, desde que nasceu. Mora em Londres, mas o coração mantém-se no mesmo sítio: Av. General Norton de Matos, 1500-313 Lisboa, Estádio da Luz, a "casa" do Sport Lisboa e Benfica.                                                                                                                                                 A Leonor não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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