Terceiro Anel

Conhecem um tal de Rodrigo José Lima dos Santos? Não, não é nenhum tio meu, mas sim Lima, o avançado que o Benfica foi recrutar ao Sporting de Braga em finais de Agosto de 2012. Avançado esse que realizou uma primeira temporada de sonho ao serviço do Sport Lisboa e Benfica, não acusando minimamente a pressão por representar pela primeira vez na sua carreira um dos colossos do futebol mundial.

Sempre fui um apreciador das qualidades deste dianteiro brasileiro desde os seus primeiros tempos no Belenenses. Dotado de um fortíssimo pontapé, de boa técnica, de um bom sentido posicional, sempre se furtando à marcação, Lima logo deu a entender  que não andaria por muito tempo no Restelo e,  posteriormente, em Braga. E, felizmente, ele veio parar ao Benfica, para meu gáudio, vendo logo ali naquele instante que tinha chegado ao meu clube um excelente reforço.

Mal entrou em Coimbra, num Académica vs Benfica da 4ª jornada da Liga 2012/2013, empatou a partida com tremendo petardo de fora da área, animando aquela minha noite de domingo, marcada pela chuva torrencial. Tudo parecia perfeito: Lima parecia entender-se as mil maravilhas com Cardozo e Rodrigo, o Benfica jogava muito, ninguém nos parava.

Por volta de Janeiro de 2013, quando eu pensava que se tratava de um devaneio pós-passagem de ano acidentada, eis que me apercebo de que Lima já era mesmo o homem que mais golos marcava no Benfica. Ele era remates colocados, ele era balázios do meio da rua, ele era grandes penalidades (irra, aquele penalty no último minuto no Benfica vs Académica, em que me puseste sem voz durante uma semana!), ele era todo sorrisos, ele era venerado por todo um Estádio da Luz, ele era o homem do momento.

No dia 21 de Abril de 2013, o momento supremo: após jogada de sonho de Gaitán, o nosso fantástico avançado com apelido de fruto utilizado na caipirinha desfere um remate acrobático e “arruma” com o Sporting (ok, caros sportinguistas, venham lá com o Capela, até porque ele beneficiou o Benfica no último sábado…). Nós, benfiquistas, estávamos no céu! O Benfica estava prestes a ganhar tudo, e o nosso amigo Lima não parava de provocar estragos nas defensivas contrárias.

Hino ao futebol, 21 de Abril de 2013 / Fonte: tvi24.iol.pt
Hino ao futebol, 21 de Abril de 2013
Fonte: TVI 24

Depois, bem…depois aconteceu aquilo que todos sabemos, mas que eu não vou repisar, porque não quero entrar de imediato em estado depressivo. Fomos todos abatidos para o Verão 2013, desolados com o negro mês de Maio. Pronto, com o calor e com a praia lá o pessoal ganhou forças para mais uma época, e lá depositámos esperanças num novo Benfica, mas sempre confiando em que o velho Lima iria permanecer, ou seja, que iria continuar a ser uma das nossas muletas.

Porém, não foi isso que se passou. Quiçá atordoado pelos cânticos vindos da bancada em favor de Cardozo, outrora mal-amado na Luz, Lima deixou-se ir abaixo, entrando numa série de exibições pouco conseguidas. Na 2 ª jornada da presente edição do campeonato até evitou com um golo no último segundo, frente ao Gil Vicente, que cerca de 6 milhões de pessoas fugissem de Portugal, mas depois disso…foi uma agonia.

Não sei se por efeito das caipirinhas, o homem não estava a render. O cúmulo para mim deu-se na semana passada, quando, em pleno Anderlecht vs Benfica, dei por mim a gritar e a vociferar contra Lima que nem um louco, em frente ao televisor, quando há poucos meses atrás apenas não o perseguia à saída de casa por mera questão de vergonha.

No domingo passado, o homem lá nos deu um cheirinho daquilo que vale. Sim, eu acho que ele até nem fez um jogo do outro mundo, mas voltou a decidir, voltou a sorrir, voltou a sentir que é uma peça chave no nosso Benfica. E ainda bem que isso aconteceu! Nós, nação benfiquista, queremos o nosso Lima de regresso! Para bem do nosso clube, para o teu bem, caro Lima, queremos-te de volta ao estrelato!

E por isso mesmo, e até para te animares, e até porque me ajudaste (e de que maneira!) a ter uma fantástica tarde de domingo, convido-te aqui para irmos beber uma caipirinha, “cara Lima” que já foi muito doce para um dos amores da minha vida.

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