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    Maccabi Haifa FC 1-6 SL Benfica: E assim, já dá?

    Benfica

    A CRÓNICA: EXCELÊNCIA DAS ÁGUIAS NA CHEGADA AO PRIMEIRO LUGAR DO GRUPO

    Ao Benfica não se exigiam grandes correrias que a tarefa de chegar ao primeiro lugar do grupo dependia em grande parte do que uma Juventus cadavérica poderia fazer na recepção ao PSG. Os italianos pouco ajudaram, chegaram momentaneamente ao empate, mas deixaram-se suplantar pela evidente diferença de qualidade individual. Em Haifa, o Benfica cedo percebeu que tinha de fazer pela vida.

    Quando Roger Schmidt tira Aursnes, até ali melhor em campo, e Gonçalo Ramos à passagem da meia-hora, a mensagem transmitida aos adeptos era de relaxamento competitivo e o definitivo abdicar das ambições de vitória no grupo. Poucos imaginariam que o jogo acabasse num estrondoso 1-6 – o melhor resultado de sempre do Benfica neste formato da Liga dos Campeões – mas o Benfica mostrou brio, raça competitiva inigualável e que a segunda linha do seu plantel está à altura das circunstâncias. Musa é quem faz o segundo, Chiquinho ganha o livre para o terceiro, Henrique Araújo entra aos 81’ e mostra-se pouco depois. Bah, com duas assistências – uma delas verdadeiramente sensacional -, cimentou estatuto na ala direita.

    A estupefacção geral com as substituições operadas por Roger Schmidt surgia sobretudo pela réplica que os israelitas conseguiram dar na primeira parte, à semelhança do jogo na Luz na primeira volta. Muito combativos, de sangue na guelra, correrias desenfreadas que incomodaram o Benfica e tardaram o previsto controlo dos portugueses, que demoraram muito a assumir-se como patrões do jogo. Só mesmo na segunda parte.

    O clique deu-se com o golo de Grimaldo, num livre quase tão bom como o marcado ao Chaves no fim-de-semana: por essa altura, a Juventus faz o 2-2 em Itália mas é anulado por fora-de-jogo. Locatelli estava adiantado. Em Israel, alguém deve ter perdido a paciência com os incompetentes italianos e ordenado à equipa que era para continuar a carregar. «O principal objetivo era ganhar o jogo e com o decorrer do jogo vermos o que podia acontecer. Sentimos que estava ao nosso alcance e continuámos com o pé no acelerador» explicou Gonçalo Ramos nas reacções.

    Os golos foram surgindo e o Maccabi passou a ser actor secundário na noite. Jogavam em casa, perante 30 mil dos seus fervorosos adeptos – mas a partir do terceiro de Grimaldo e do quarto golo de Rafa, quando faltava um quarto de hora para o final, tudo foi sobre o Benfica. O estádio foi silenciado por 500 portugueses que, arrumados a um cantinho, deliravam com a enxurrada de futebol ofensivo – os jogadores e multidão israelita olhava atónito para tudo aquilo, sem se conseguir muito bem exprimir ou contestar qualquer intenção benfiquista. As segundas bolas foram todas do Benfica, os lances saiam todos bem, tudo era harmonia naquele final de jogo – a histeria veio definitivamente no sexto golo de João Mário, quando não perde tempo com festejos e sprinta para o banco para perguntar, num português desenrascado: Já dá ou é preciso mais um?

     

    A FIGURA

    Alexandre Bah SL Benfica
    Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

    Alexander Bah – Não foi a melhor das exibições no capítulo defensivo, não senhor.  Bah sofreu muito com Cornud e quando Chery pendia para a sua zona de acção. Como já todos percebemos, há arestas a limar nas capacidades táticas do dinamarquês – mas também são óbvias as suas inatas qualidades no ataque à profundidade e baliza adversárias, uma multiplicidade de recursos que poderão fazer dele um lateral de excelência: a velocidade de ponta não impede que o cérebro seja base de todas as suas decisões, a inteligência que se alia a um recorte técnico de alto nível e a visão de jogo de playmaker, que lhe permitiram descobrir Henrique Araújo no quinto golo. A atacar, Bah é já um portento e por isso merecerá hoje todo o destaque, pelo contributo decisivo para a goleada.

    O FORA DE JOGO

    Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

    David Neres – Sim, quando decidiu aparecer, garantiu um golo feito a Rafa. Mas hoje foi uma daquelas noites em que o brasileiro sentiu muitas dificuldades em se divertir, pelos desafios que lhe impuseram do lado contrário: com um adversário chato – no melhor sentido da palavra –, sempre pronto a lutar pela bola, Neres foi muitas vezes exposto ao choque físico, que não é de todo a sua praia nem o melhor contexto para atingir o auge. Não se soube proteger, não o souberam proteger, não teve desenvoltura nem creatividade de se soltar das amarras táticas que o mantiveram no bolso de Cornud, Mohammed ou Goldberg.

     

    ANÁLISE TÁTICA – MACCABI HAIFA FC

    O 4-3-3 atrevido de Barak Bakhar teve capacidade de fazer mossa na intenção de controlo encarnada pelas variações dos três da frente – Dean David, Chery e Pierrot – que além da intensidade física que conseguiram impôr na pressão, juntavam-se geralmente em zona central, deixando as alas para as investidas de Cornud e Meir. Tanta presença no miolo incomodou sobremaneira na primeira metade, com o Benfica nem sempre confortável na gestão da posse e obrigado a entrar no jogo físico dos israelitas. Com as mudanças na segunda metade e a passagem para um linha de três centrais, o Maccabi perdeu as estribeiras, desleixou-se e acabou por se suicidar tacticamente, permitindo ao Benfica a cavalgada final até ao sexto golo.

    11 INICIAL E PONTUAÇÕES

    Cohen (2)

    Meir (4)

    Seck (5)

    Golberg (5)

    Cornud (5)

    Abu Fani (4)

    Lavi (6)

    Mohamed (5)

    David (5)

    Pierrot (4)

    Chery (6)

    SUBS UTILIZADOS

    Tchibota (3)

    Atzili (-)

    Arad (-)

    Rukavytsya (-)

    Menahem (-)

    ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

    Schmidt iniciou de forma previsivel, no 4-2-3-1 habitual com Aursnes em substituição de Enzo Fernández, João Mário e Neres a ladear a dupla Rafa e Gonçalo Ramos. Quando aos 30 minutos faz a misteriosa alteração, João Mário passa a ser o ‘8’, com Chiquinho a preencher a meia-esquerda – papel onde teve prestação muito positiva, mostrando que pode ser opção válida. Por fim e sempre como acontece quando Henrique Araújo entra neste Benfica, o 4-4-2 clássico entrou em acção, com o português em cunha com Petar Musa e Diogo Gonçalves a resvalar na direita. Não se registaram nuances assinaláveis no sistema benfiquista, diferentes daquelas que temos assistido e esmiuçado recorrentemente.

    11 INICIAL E PONTUAÇÕES

    Vlachodimos (5)

    Bah (8)

    António Silva (6)

    Otamendi (6)

    Grimaldo (8)

    Florentino (7)

    Aursnes (5)

    João Mário (7)

    Neres (4)

    Rafa (6)

    Ramos (5)

    SUBS UTILIZADOS

    Chiquinho (7)

    Musa (6)

    Diogo Gonçalves (5)

    Henrique Araújo (6)

    Lucas  Veríssimo (-)

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    Pedro Cantoneiro
    Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
    Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, o Benfica como pano de fundo e a opinião de que o futebol é a arte suprema.
    Bola na Rede