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CS Marítimo 0-3 SL Benfica: RogerBall na ilha 

Pedro Cantoneiro · 3 min

Águias com Fama Benfica Internazionale
Foto: Carlos Silva/ Bola na Rede

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Benfica

A CRÓNICA: SÓ A DISPLICÊNCIA IMPEDIU NÚMEROS AVASSALADORES

Ao Benfica não se pedia muito mais do que o conseguiu na Madeira. Não faltou atitude nem bom futebol aos encarnados, o ritmo intenso que conseguiram imprimir a partir do quarto de hora remeteu o atrevido Marítimo – sempre a pressionar alto como podia – a figura de corpo presente, excepção feita ao guarda-redes Carne. O penalty falhado por João Mário foi a prova dum Benfica perdulário como já tivera sido em Brugge ou noutras ocasiões – muito criam os encarnados, tanto espectáculo dão que fica sempre a simples sensação de dever cumprido e nada mais do que isso. Em futebol jogado, respeitou-se  o clima alegre das bancadas dum Caldeirão que, se não estava a abarrotar, muito próximo disso parecia; Mas três a zero não traduz a superioridade benfiquista nem as debilidades defensivas dum Marítimo que se quer afirmar gente grande, mas que não tem as capacidades para o sustentar.

Ficou provado também que o sistema que Roger Schmidt implementou na Luz não depende dos craques que melhor o interpretam e que dele saem mais beneficiados – se os jogos feitos após a saída de Enzo não chegassem para acabar com as dúvidas, uma exibição como a de hoje sem Rafa prova que há muito mais equipa que individualidades: há espaço ideal para todas florescerem, como tão bem se vê no caso de Aursnes, que se realiza cada vez mais como verdadeira personificação do Rogerball. É abnegado, mas nunca trapalhão, corre quilómetros sem fazer cara feia, desarma com a mesma facilidade com que dribla três sobre a linha de fundo e oferece de bandeja na zona de penalty. Aursnes é a grande contratação da época e merecerá todas as honras que lhe fizerem eventualmente – porque é um jogador total, uma daquelas raridades que joga bem em qualquer relvado e resiste a todas as trocas de posições. No Benfica, encontrou o sistema ideal para desabrochar.

Ao 4-2-3-1 encarnado respondeu José Gomes com um meio-caminho entre o 4-3-3 e o 5-2-3 – dependia sempre de René Santos e do seu posicionamento, que definia momentos de pressão e de cobertura. Já como em Alvalade ou no Dragão, o Marítimo assumiu que conseguia dividir despesas com o Grande, de forma corajosa, sublinhe-se. Jogando em casa, mais nenhuma hipótese se colocava a uma equipa minimamente digna e com ganas de fugir à despromoção. Viu-se bem que há boas ideias, pernas quanto baste e a matreirice da perda de tempo para quebrar ritmos alucinantes – há uma estratégia bem definida e, apesar desses momentos, não será sensato chamar ao Marítimo uma equipa de anti-jogo. Quando com bola, sabem sair com qualidade e chegar ao último terço em boas condições de meter medo ao adversário. Só que é nesse capital momento que se percebe o porquê do Marítimo em 2023 não ter a performance classificativa de outros Marítimos, mais uefeiros…

Resta dizer que, se demorou o Benfica a marcar na primeira parte, foi oportuno o intervalo para o treinador alemão dar um abanão e calibrar a concentração do conjunto. Quatro minutos depois de entrarem, estava feito o 2-0 – e aí acabou a história da partida, que teve como post scriptum o inevitável amarelo a Aursnes – à bica como Florentino, era questão de tempo e limpa contra o Vitória SC em casa – e a estreia dos prodígios nórdicos, finalmente. Dois meses depois.

A FIGURA

Fredrik Aursnes SL Benfica
Fonte: Carlos SIlva/Bola na Rede

Fredrik Aursnes – João Mário falhou o penalty, redimiu-se com a assistência para o primeiro e fez o segundo: mas é o norueguês que merece todos os elogios exagerados, todas as reacções de espanto e toda a histeria que se materializa naquela gíria mais violenta: o que vai, quase de certeza, contra a sua maneira de ser, aquele misto entre a frieza nórdica e a timidez própria de quem ainda não tem bem noção do quanto vale que caracteriza muitas vezes os génios da bola e que nos impressionam, especialmente por estarmos habituados a perfis mais espampantes e coqueteiros.

O FORA DE JOGO

Vítor Costa – Só lhe perguntando directamente conseguiremos ter uma resposta séria para tantas dúvidas criadas pelo seu posicionamento anárquico, que o tornaram muitas das vezes… invisível. Quantas vezes subiu Bah sem qualquer oposição? Lembrar-se-á João Mário da última vez que passara 90 minutos sem ninguém a aproveitar a sua sombra? Será razoável admitir que só era possível apercebermo-nos de que Vítor estava em campo quando o Marítimo tinha um lançamento à esquerda…? 

Pedro Cantoneiro

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