Memórias de domingo

- Advertisement -

sl benfica cabeçalho 2

A memória é uma coisa tramada. Prende-nos, faz com que tenhamos receio do mundo, debilita-nos as capacidades e amputa-nos vontades. Tem impacto no exercício da nossa vida pessoal e profissional. O futebol não é diferente. É a memória que nos deixa exaltados ou preocupados com um determinado jogo. Vai do trauma à alegria, da concentração à ansiedade. O Benfica vs Sporting deste fim-de-semana não fugiu à regra. Do lado verde e branco havia um misto de receio pela muito melhor forma do Benfica em comparação com o ano anterior. Mas também algum, pouco, relaxe por causa da memória. Os três a zero do ano passado. Teo, Slimani e Ruiz alentavam as esperanças sportinguistas de abalar da Luz com mais três pontos e uma vitória. O colombiano rumou para as américas latinas e o argelino foi para terras de Isabel II representar o campeão inglês. As personagens eram outras, mas a fé, essa, era a mesma.

No Benfica o estado de espírito não devia fugir muito disto. Uma equipa enaltecida pelo primeiro lugar isolado no campeonato, mas de confiança abalada pelas derrotas na Madeira e em casa frente ao Nápoles para a Liga dos Campeões. A bola rolou. Podia estender-me em caracteres para fazer um resumo viável e fidedigno do jogo, mas prefiro que isto tome outro rumo. O ambiente foi, de princípio a fim, contagiante. Tudo conta para um jogo destes. Fumo, petardos, confusão barulho, gritos, festejos. Imaginem que tudo aquilo é uma noite muito bem passada ao ar livre. Se tiverem uma noite dessas não se vão lembrar de tudo. Apenas de momentos, de flashes.

A festa dos jogadores encarnados depois da vitória frente ao eterno rival; Fonte: SL Benfica
A festa dos jogadores encarnados depois da vitória frente ao eterno rival;
Fonte: SL Benfica

Flash. Pizzi dá por si envolvido num lance complicado para o árbitro. Guedes prega a fundo, derrapa, Rafa tira uma página do livro de Quaresma e Salvio assina. Flash. Salvio volta a estar no lance. Nélson saltou uma colcheia no compasso defensivo de Rúben Semedo, cruza e Jiménez, num pas de deus com João Pereira faz o dois a zero. Flash. Campell usa e abusa da passividade do lado direito da retaguarda encarnada e Bas Dost faz o costume.

O sofrimento, vinte minutos que mais pareceram quarenta e, a natural urgência do Sporting, marcaram o que restou da partida. Até que Jorge Sousa apitasse, aos noventa mais quatro e meio, a memória esteve lá, disfarçada de receio. E se isto fosse um Benfica contra Besiktas, o remake? Ou, e se o Sporting marcasse mais dois e voltássemos a perder na Luz com Jesus?  A memória só picou o ponto e rendeu o turno que o alívio chegou e, com ele, um novo lembrete. Um bem risonho. O Benfica venceu o dérbi, aumentou para cinco os pontos de avanço sobre o leão e recuperou de duas derrotas. Agora, se há memória bem presente e uma a repetir, é aquela que nos últimos três anos tem sido gravada em Maio, algures no Marquês.

João Valente
João Valentehttp://www.bolanarede.pt
João Valente é um apaixonado pela arte do futebol. Nascido e criado durante boa parte do tempo em Lisboa, começou a seguir este desporto com uns tenros quatro anos e, desde então, tem sido um namoro interminável. É benfiquista de gema – mas não um que só vê Benfica à frente! É alguém que sabe ser justo quer o Benfica ganhe ou perca e que está cá para salientar os porquês, na sua opinião, dos resultados. Como adepto de futebol que é não segue só a atualidade do futebol português; faz questão também de acompanhar a par e passo o que de mais importante acontece nos principais campeonatos. A conjugar com o seu interesse pelo futebol, e pela malha, desporto que descobriu porque o seu avô era campeão lá na rua, veio a escrita, forma que encontra de expor os seus pensamentos na esperança de um dia se tornar num grande jornalista de desporto, algo que dificilmente acontecerá mas, tudo bem, ele um dia há-de perceber isso.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

74 minutos não foram suficientes | Benfica

Durante 74 minutos, o Benfica competiu e teve o jogo ao seu gosto, relativo claro, como não poderia deixar de ser diante de um adversário desta envergadura. Contra o Bayern Munique, uma das potências mundiais no futebol feminino.

José Barcala responde ao Bola na Rede: «O Benfica estava muitas vezes compactado num espaço muito pequeno»

José Barcala analisou o duelo entre o Benfica e o Bayern Munique, com vitória alemã por 3-0. Técnico respondeu à questão do Bola na Rede.

Ivan Baptista responde ao Bola na Rede: «Sinto que fomos praticamente perfeitos no momento de organização defensiva»

Ivan Baptista analisou o duelo entre o Benfica e o Bayern Munique, com vitória alemã por 3-0. Técnico respondeu à questão do Bola na Rede.

Edu Aguirre garante: Jorge Jesus pediu desculpa a Cristiano Ronaldo e revela promessa do selecionador

Edu Aguirre, jornalista e amigo de Cristiano Ronaldo, revelou que Jorge Jesus pediu desculpas a Cristiano Ronaldo.

PUB

Mais Artigos Populares

Toda a cronologia da polémica entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus que levou o capitão a abandonar a seleção

Perdido no meio da novela a envolver Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus? Fica com a cronologia detalhada e sucessão de acontecimentos.

Antigo árbitro português envaidece-se por expulsão a Jorge Jesus e ataca: «Este analfabruto pode até ganhar tudo na seleção, mas nunca passou de um...

Marco Ferreira, antigo árbitro, atacou Jorge Jesus numa publicação nas redes sociais. Em causa, o conflito com Cristiano Ronaldo.

Zlatan Ibrahimovic não perdoa e crítica Cristiano Ronaldo: «Não precisa de lutar por minutos como uma criança. Ficar no banco agora é para o...

Zlatan Ibrahimovic reagiu ao abandono do estágio da seleção de Portugal por parte de Cristiano Ronaldo, durante esta quarta-feira.