Na primeira vez que escrevi sobre Vlachodimos, dei conta da firmeza e segurança que veio a confirmar na baliza encarnada. Sensivelmente um ano depois, o internacional grego já mostrou e demonstrou que faz mais sentido o lugar de titular, como referência nos postes, ser seu.

A escolha não poderia ser mais acertada! Odysseas é fundamental para Bruno Lage como primeira opção. A direção confia no seu trabalho e, por isso, está a ser estudada a possibilidade de renovação de contrato por mais um ano (até junho de 2024), com a cláusula de rescisão fixada nos 60 milhões de euros, a que acresce um aumento salarial.

Em paralelo, o mercado avança e, sem existir uma explicação prática, a baliza é um dos setores a reforçar. É facto que o Benfica está à procura de um guardião e, ao todo, já foram apontados oito nomes: Keylor Navas (Real Madrid CF), Gulácsi (RB Leipzig), Robin Olsen (AS Roma), Gerónimo Rulli (Real Sociedad), Sergio Rico (Sevilla FC), Perin (Juventus FC), Cillessen (Valencia CF) e Mignolet (Club Brugge), sendo que os últimos três, pelo italiano ter chumbado nos exames médicos e por o holandês e o belga terem assinado recentemente, estão riscados da lista.

Esta situação, que como disse carece de uma justificação, coloca uma enorme pressão sobre Odysseas, que pode ver o seu lugar em risco, devido ao facto de todos os nomes mencionados acima serem para a posição de titular. Só assim faz sentido, ou não fossem a grande maioria – com exceção de Navas e Rico – totalistas nos clubes que representam.

Mas Vlachodimos parece não estar afetado, porque a cada jogo que passa – já fez cinco no verão – vai rubricando excelentes exibições, como quem grita em plenos pulmões “Eu estou aqui e não se esqueçam do que posso dar”. Isto inclui as reposições largas de bola, o que implica maior poder muscular nos braços e no tronco, algo que tem vindo a ganhar com os exercícios e treinos diários.

Na pré-época, Vlachodimos não sofreu qualquer golo. Na Supertaça, brilhou com sete defesas
Fonte: SL Benfica

Se se pensar bem, a urgência não é assim tão grande, daí a naturalidade que o 99 vai levando! Como diz Bruno Lage, os reforços – se for caso disso – podem estar no Seixal. Isto porque não vejo necessidade de um reforço de maior nomeada que o próprio Vlachodimos. Como já disse aqui, Zlobin pode ser consolidado como alternativa principal e Bruno Lage é a pessoa indicada para o fazer, ou não se tivesse já cruzado com o russo na equipa B. Já o caso de Svilar não é tão linear quanto a isso. A falta de minutos é uma realidade, não faz bem a qualquer jogador e é certo que o belga será o primeiro a sair se alguém entrar.

Assim, esta busca incessante só tem cabimento se for para o posto de suplente, porque a titularidade não necessita de sair de Vlachodimos, que tem prezado pela segurança, regularidade e atenção na abordagem ao jogo, o que inclui a qualidade nas defesas que realizou em toda a pré-época e na Supertaça. Na mesma medida, tem-se esforçado para melhorar as situações em que é mais fraco, precisamente no ataque à bola com os pés.

Na versão 2019/2020, o Benfica e Bruno Lage contam com Vlachodimos, tal como o fizeram na época passada, onde foi o sexto mais utilizado em todo o plantel, com 50 jogos. A confiança mantém-se e, a poucos dias do arranque do campeonato, não há necessidade de alarmes desnecessários, resultantes do impacto que uma potencial entrada de um reforço para a baliza vai causar no grupo. Odysseas não tem de estar sujeito a isso e, mesmo não sendo tudo garantido na vida, este é um dos casos em que o lugar de titular tem de ser claro desde o início. Afinal, está em causa a estruturação de toda uma temporada. A partir daí, a tarefa passa por consolidar as restantes alternativas à disposição. A missão passa por definir as prioridades na baliza e até que ponto é justificável investir no defeso. Se sim, perceber quais as hipóteses de rendimento para quem chega. Se não, apostar em quem está, selando pelo bem-estar e evolução qualitativa dos atletas envolvidos.

No ataque à nova época, a importância de Odysseas Vlachodimos é crucial. Os primeiros meses de trabalho já serviram para provar que não há que ter qualquer receio quanto à estabilidade que se pede ao setor e, mais importante, que o lugar de Vlachodimos não está à disposição. Resta saber se os rumores se tornarão realidade e de que forma a estrutura benfiquista irá gerir os seus três guarda-redes, nunca esquecendo que o elemento principal já conhece dono.

Irá Vlachodimos manter a titularidade? Será que o Benfica vai conhecer um reforço para a baliza neste defeso? São questões para uma próxima oportunidade, já depois do fecho do mercado de transferências.

Foto de Capa: SL Benfica

Comentários