O fim da temporada aproxima-se e com ele vem o período de transferências, uma das alturas mais entusiasmantes do calendário. Como é natural nesta fase, as equipas aproveitam para reforçar os seus planteis, com base no que precisam para o período de competição seguinte.

É precisamente esse exercício que pretendo fazer. O objetivo passa por traçar um diagnóstico dos principais setores a reforçar, de acordo com o plantel que fez esta época. Uma vez identificada a problemática, espera-se que as escolhas do clube colmatem as necessidades do grupo de alguma forma.

Sem mais demoras, identifico fragilidades em praticamente todos os setores, à exceção da baliza, que está bem entregue a Vlachodimos. Faria uma alteração ou outra – saída de Svilar – e apostava em Zlobin como alternativa de valor, algo que não está a ser feito, por se tratar ainda da época de estreia na equipa principal.

Passando às grandes debilidades, é necessário um central com experiência. Contando com a saída de Conti e as permanências dos restantes (Ferro, Rúben Dias e Jardel), um quarto central seria a cereja no topo do bolo. Mas não é um central qualquer! As qualidades contam muito, e vejo nelas a liderança, o controlo com e sem bola e a visão de jogo, à semelhança do que Ferro está a fazer e da carreira histórica de Luisão, para se ter um exemplo.

Depois, uma alternativa urgente para as laterais. André Almeida e Grimaldo não são de ferro e uma das razões para serem totalistas deve-se à falta de uma segunda referência. Na direita, Corchia pode desempenhar esse papel, mas o mais provável é voltar ao Sevilha. Na esquerda, a aposta tem de ser mais firme. Yuri Ribeiro não se compara ao que Grimaldo consegue fazer e isso tem se visto nos poucos jogos que tem feito.

É na posição de lateral que reside uma das principais lacunas do plantel
Fonte: SL Benfica

No setor intermédio, se o plantel ficar como está, o que não acredito muito, a equipa está bem servida, mas é sempre útil compensar uma possível saída com uma entrada de valor. Nesse sentido, apostaria num construtor de jogo, semelhante a Pizzi.

Num outro ponto de análise, é necessário um ponta de lança puro. Seferovic é o único no plantel com essas qualidades, tendo em conta que Jonas se assemelha mais a um avançado móvel e que liga o jogo entre setores. A principal lacuna passa, assim, por substituir o suíço quando estiver de fora, como já aconteceu esta época. Assim, diria que é a posição mais urgente de reforçar, a par com a de central e lateral direito e esquerdo.

Ao falar de possíveis reforços, é mais que apropriado referir o trabalho da formação, que na maior parte das vezes fornece ao clube principal a qualidade de que necessita. É uma alternativa lógica a contratações noutros mercados e que não deve ser descurada. Baseado nos setores mais débeis, deixo os nomes de Frimpong, Alex Pinto, Kalaica ou Willock, entre muitos outros. Vale sempre mais a pena apostar num atleta da formação a despontar do que num outro jogador que pouco ou nenhum conhecimento tem da liga e do clube para onde vai jogar.

Com isto dito, fica a minha leitura sobre os setores que julgo necessários reforçar para 2019/2020. Acima de tudo, o que pretendo passar é que podem ser várias as opções, mas tudo parte de um bom diagnóstico do que é preciso, evitando escolhas à toa, como inclusive aconteceu este ano.

Foto de Capa: SL Benfica

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