No arrumar da barca se vê o pescador | Rio Ave x Benfica

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Benfica
Primeira Liga 2023-24, 34ª jornada: Sexta-feira, 17 de Maio, 20h45, Estádio dos Arcos

A ANTEVISÃO: FINALMENTE, O ÚLTIMO EPISÓDIO –  LOGO À SEXTA-FEIRA PARA PERMITIR A FUGA APRESSADA DO PESADELO

Rio Ave x Benfica: um filme com tanta acção não poderia, sob pena de se tornar inconsequente, terminar  em calmaria avantajada naquela apatia que serve de descompressão a tanto stress; se logo deu para entender que nunca acabaria em felicidade, em festa rija, pelo menos conservava-se a esperança dum recolher pacífico dum pano todo manchado – de sangue e, sem qualquer resvalar para a traquinice, de tomatada. Os assobios já aconteceram, as discussões e os exageros das paixões suportaram todo o guião: e agora, em que só se pedia que os intervenientes executassem com zelo as tarefas a que foram propostos e que do alto dos envidraçados gabinetes chegasse a avaliação final, recheada de meas culpas – eis que senão surgem mais uma vez os tribunais, os vilões de outras temporadas e de quem o protagonista se vê perseguido insistentemente, culpa das parasitas que ainda pulam pelo seu corpo acima.

Rui Costa vê-se participante de mais uma zaragata legal, fantasmas que o assombrarão enquanto não decidir banhar-se em lixívia – se intacta estiver a sua moral e consciência; continuando rodeado dos mais fétidos cheiros e encostado às mais frágeis paredes, não encontrará o presidente descanso e espaço mental para se ocupar devidamente do seu projecto desportivo, que deixa seguir cadavericamente, sozinho e abandonado, à sua sorte e à mercê às mordidelas dos críticos e impacientes. Como senão bastasse, surge Bruno Lage em entrevista atrasada mais ainda a tempo de devolver à História a verdade dos factos – ou uma versão bem mais aproximada daquela que sempre foi a convicção popular, demasiado esperta para se deixar enganar eternamente pela propaganda solta das gravatas.

Roger Schmidt pouca responsabilidade tem sobre este esgoto a céu aberto e vitima se vem tornando do que Lage denunciou: a falta de apoio hierárquica nos momentos mais conturbados, nas circunstâncias onde um líder dá a cara e um chefe se remete ao silêncio da ponderação, muitas das vezes a bonita máscara da cobardia.

Num estádio onde o Benfica foi muitas vezes feliz em final de época, as memórias alegres dos títulos ganhos nos Arcos (e consumados depois) não ajuda a tornar esta última jornada num desafio mais interessante. O que se passará em campo pouco acrescentará ao desastre e pouco dirá do que aí pode vir – não será agora que Schmidt experimentará outras nuances táticas ou tentará novas adaptações. Único propósito que pode acender a chama do entusiasmo é a estreia de mais miudagem, à boleia da de João Rego contra o Arouca.

Do outro lado, Luís Freire é um homem realizado. Mais um grande trabalho na carreira do técnico de 38 anos, que dá o exemplo pela determinação em chegar ao topo vindo dos confins da lusitânia futebolística, subindo a pulso e cheio de suor as montanhas que outros trepam de teleférico – determinação essa que, aliada ao imenso conhecimento tático e de relações humanas, o colocam no topo dos mais promissores da nossa Liga, merecendo toda a atenção dada, talvez demasiado cedo, a nomes como Daniel Sousa ou Rui Borges. O árbitro é David Silva, 30 anos, da associação do Porto.

10 DADOS RÁPIDOS

  1. 33 viagens do Benfica a Vila do Conde, com saldo positivo para as águias – 22 vitórias e só cinco derrotas.
  2. A última delas em 2017-18, para a Taça; Antes, em 2014-15; e a antepenúltima há 19 anos, na recta final do título ganho por Giovanni Trapattoni.
  3. Só que nas actuais circunstâncias, a coisa complica: este Rio Ave perdeu a última vez em casa a… 29 de outubro, na jornada 9!
  4. Mais: além do rocambolesco recorde dos 18 empates na Liga, outro à boleia desse mas não menos assinalável – desde o Ano Novo, o Rio Ave perdeu… duas vezes. Em 18 jogos!
  5. A jogar em casa, os vilacondenses são a oitava melhor equipa do campeonato, com tantos pontos (25) como o 6º e 7º classificados (Moreirense e Arouca) e tantos golos sofridos como o Sporting de Braga (19), apenas mais um que o Vitória (18).
  6. Na segunda volta, cinco proezas: empate no Dragão, igualdade impostas nos Arcos a Sporting e Sp. Braga e a tal vitória contra o Guimarães. Falta o Benfica para o pleno do top 5.
  7. Mais utilizados? A locomotiva Costinha (3231 minutos), o líder Aderllan (3028), o goleiro Johnatan (2610) e o organizador Amine (2394). Goleadores de serviço? Boateng com sete, Fábio Ronaldo com seis e Joca com quatro.
  8. Luís Freire contra os encarnados: três derrotas em quatro jogos. Tirou pontos logo na estreia, com o Nacional (1-1, 2020-21).
  9. Estreia-se o senhor juiz David Silva contra a equipa principal do Benfica  – apitando os Bs, dirigiu quatro vitórias e quatro derrotas.
  10. Com o Rio Ave será mesmo a primeira vez

JOGADORES A TER EM CONTA

Joca – A grande época protagonizada pelo irrequieto criativo culminou no fabuloso golo marcado contra o Vitória vimaranense, na vitória caseira da ronda 32 – nuns Arcos tocados ao de leve pelo clima farrusco, Joca pegou-lhe em cheio, e de primeira, do meio da rua. A obra de arte, que talvez injustamente lhe tenha apenas dado agora o reconhecimento que mereceu toda a época pelo importante papel como avançado móvel no 3-4-3/3-5-2 de Freire, devia catapultá-lo para esse estatuto de inegociável do plantel – mas, pelos vistos, poderá despedir-se frente ao Benfica.

Prestianni – Não se estreou frente ao Arouca e por isso adivinha-se a oportunidade de se estrear pela equipa principal na última jornada, justificada sobretudo pelas boas atuações nos poucos minutos feitos pela equipa B – pormenores tão assinaláveis que essa opção, mais uma época inteira, deve estar fora de questão, prevendo-se como quase certo o empréstimo.

XI´s PROVÁVEIS

Rio Ave: Johnatan; Pantalon, Aderlan Santos e Patrick William; Costinha, Amine, Tanlongo e Vrousai; Joca, Fábio Ronaldo e Boateng

Treinador: Luís Freire

«Como treinador, diria que este foi o melhor trabalho de sempre. Foi uma época recheada de dificuldades, em que perdemos muitos jogadores em comparação com o ano passado, não pudemos ter reforços até meio da época e tivemos de reconstruir o plantel, com problemas salariais à mistura. Ainda assim, só temos uma derrota na segunda volta».

Benfica: Trubin; Spencer, António Silva, Otamendi e Carreras; João Neves e Florentino; Di Maria, Rafa e Tiago Gouveia; Arthur Cabral

Treinador: Roger Schmidt

«Foi uma época exigente para todos e estes jogos são difíceis, mas são também uma boa oportunidade para mostrarmos atitude, caráter. Durante a época atravessámos momentos difíceis, mas queremos mostrar uma boa resposta em campo e é isso que vamos fazer».

PREVISÃO DE RESULTADO: Rio Ave 1-1 Benfica

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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