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Pediu desculpa ao inglês alto, louro e de verde vestido, aconchegou a bola com o pé esquerdo para as redes e festejou. Das bancadas, vénias para ele. Dele, sorrisos e o coração para as bancadas. Naquele golo, tudo foi Enzo Pérez. Desde o golo de guardar na memória até às lágrimas pelo melhor amigo. A história de amor do 35 com a Luz já começara algum tempo antes. Mas antes, o desprezo pelo Enzo. O Enzo “férias”, que tinha custado um bom dinheiro e que acabou emprestado ao clube de origem. O Enzo que jogando a extremo nada mostrou para benfiquista se encantar.

No início da temporada de 2012/13, o meio-campo do Benfica era o verdadeiro “ai Jesus”. Sem Javi e Witsel de uma vez só, sobrava Matic e…. Matic.  Jesus viu em Enzo o jogador ideal para lançar na posição 8. Todos torceram o olho, não digamos que não. Passados dois anos, Enzo Pérez é o menino querido da gente vermelha. E sim, no centro do meio-campo, onde é um gigante, onde come adversários e foge deles no seu Ferrari. E porque, embora possamos pensar que sim, nada no futebol acontece por acaso, feliz do Jorge Jesus que viu nele todas estas capacidades. De extremo vulgar a monstro no meio: J-O-R-G-E J-E-S-U-S.

Enzo é um jogador à Benfica Fonte: chuto.pt
Enzo Pérez é um jogador à Benfica
Fonte: chuto.pt

Os adeptos são uns tipos simples. Só precisam de um jogador que dê tudo, que lhes encha os olhos e a alma. Que saiba o que é o Benfica e que saiba o que aquilo representa para nós, representado nós também muito para ele. Enzo é o típico jogador à Benfica. Que morde os calcanhares dos rivais, que se esfola, que chora as derrotas e dança as vitórias. Que ilude os adversários, dando-lhes, por segundos, a utópica ideia de que lhe poderão roubar a bola. Simula para um lado, adversário por terra, vai pelo outro. Arrogante com a bola nos pés, sempre a roçar o limite do aceitável, sempre a calar os adeptos do “não brinques aí…”. Bolas! Deixem o Enzo brincar onde quiser, porque sabe, porque quer, porque precisa daquilo. “La calle” no coração, Argentina nas veias e na ponta dos pés – Dier, sabes qual é que ele vai escolher? – o argentino gere todo o jogo do Benfica a seu bel-prazer. O Benfica agradece, os benfiquistas idem. A história de amor de Enzo pelo Benfica e do Benfica pelo Enzo terá começado em Amesterdão. Lágrimas tão genuínas que dói cá dentro ver a tal imagem do Aimar abraçando-o, como que num conforto paternal de quem diz que está tudo bem. Mas não estava e o Enzo sabia.

Tudo isto para chegar até aqui: Enzo renovou até 2018. Poucos caracteres bastaram para deixar a nação vermelha feliz da vida. Enzo é um dos nossos, Enzo vive o nosso sonho, o nosso céu e o nosso inferno. Sente como nós. Enzo sabe que não é só um jogo, que amanhã já custa menos, que são só 22 gajos atrás de uma bola. Por tudo isso, merece todas as vénias que lhe possamos fazer. Enzo é Benfica. Pode o Benfica ser para sempre teu, Enzo?

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