Publicidade

Os campeões que o Benfica pode esperar

John Aguiar · 4 min

Os campeões que o Benfica pode esperar

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sl benfica cabeçalho 1

Tinha deixado escrito, noutros fóruns de opinião, que o Benfica era favorito na eliminatória ante o Zenit russo. Sendo certo e certeiro que o clube do Petrovsky tem figuras de grande nível, não possuem craques de primeira linha (Hulk é um anafado com força, Witsel está longe do que prometeu um dia, e os russos da equipa são bons mas irregulares), na Liga russa estão aquém do expectável e apenas somos separados deles por um patrocínio milionário, o que permitia a distribuição de cinco milhões de euros pelo plantel, por oposição ao milhão e meio que caberá a Gaitán e Cª, Lda. Por outro lado, temos o peso da História do nosso lado, que na Champions League tem de pesar qualquer coisa, aliado à experiência europeia que acumulámos nos recentes e fabulosos percursos da Liga Europa. Por isso, apesar de estar felicíssimo com a passagem aos ¼ de final da competição dos milhões, considero que aconteceu a normalidade. Mesmo perante a inexplicável azia de Villas-Boas. Um aparte: que imagem de Portugal passa este treinador ao afirmar o que afirmou ontem?

A passagem do Benfica aos ¼ de final da Champions League garante ao Sport Lisboa e Benfica um brutal encaixe de 27 milhões de euros (desconto já aqui o justo prémio aos jogadores). Antes de mais, gostaria de que este valor fosse aplicado, pelo menos metade dele, no reforço do plantel. Sendo certo que temos um grupo que detém algo impagável, união, lembro que temos algumas lacunas por suprir. A posição 6, por exemplo, continua carenciada, pois Fejsa, um excelente jogador, não dá garantias físicas. Mas esta eliminatória significa outra coisa: no mínimo, mais dois jogos. E de uma exigência extraordinária. Portanto, a análise do que espera o Benfica terá de ser feita a duas dimensões: o adversário em perspectiva e o “custo” a nível interno.

O adversário.

Olhando ao potencial elenco, todos nós desejaríamos o Wolfsburgo. Mas sinceramente vejo adversários mais desejáveis. Fortes serão todos. E se nos calha em sorte o Barcelona, o Bayern (se confirmarem o esperado carimbo) ou o Real Madrid, aí estaremos condenados certamente. O nível é outro. Mas it ain’t over til it’s over, como diria Lenny Kravitz… Agora, se o sorteio ditar o Manchester City, o Paris SG ou o Atl Madrid, num dia bom, podemos bater o pé! Aliás, o meu adversário desejado são mesmo os ingleses. São equipas que jogam sempre o jogo pelo jogo, estão longe de serem imbatíveis (como prova a Liga Inglesa) e de certa forma são inexperientes na Europa do mais altíssimo nível, estando desesperados por um sucesso europeu, ao mesmo tempo que lutam pela Liga inglesa. Claro que gente como “Kun” Aguero, Jesus Navas, David Silva, Yaya Toure, Vincent Kompany, etc, num dia bom, são fortíssimos e batem-se com qualquer gigante. Mas isso não quer dizer nada… Gente como Gaitán, Mitroglou e Jonas, num dia de sonho, podem fazer miséria no Etihad. O Wolfsburgo joga na super competitiva liga alemã e são sempre temíveis.

Nico Gaitán marcou o golo decisivo Fonte: SL Benfica
Nico Gaitán marcou o golo decisivo
Fonte: SL Benfica

André Schurrle, Bas Dost, Julian Draxler e uma defesa bastante experiente constituem um problema difícil de resolver. Porém, são também acessíveis. Não estão propriamente espantosos na Liga interna (7.º) e a luta para chegar a uma posição que permita a qualificação europeia pode desviar o foco. Veremos… City e Wolfsburgo são, pois, os meus adversários de eleição, pelos recursos disponíveis, mais limitados que os demais, pela inexperiência europeia e pelo desgaste que a frente interna lhes impõe. Ir à meia- final, neste quadro, é possível, a eliminação nunca será dramática (a menos que registemos um resultado demasiado… traumático.)

A frente interna. O Benfica corre risco de perder o foco na frente interna. É a realidade. E nos ¼ de final de uma competição como a Liga Milionária temos de apresentar o melhor fato. Cabe a Rui Vitória jogar um jogo de cada vez, puxando os jogadores à terra. Sobretudo os mais verdinhos, como Ederson, Lindelof ou Sanches. O calendário ditará que a primeira mão será jogada a seguir ao embate com o Braga na Luz, e a segunda mão após visita a Coimbra e antes da recepção ao Vitória sadino. Poderia ser bem pior o cenário, creio. Mais a mais, um clube como o Benfica, se acusar o desgaste e se perder o foco no título por causa da frente externa, é sinónimo de má preparação. A Champions League será sempre um extra, uma fonte de receitas apenas.

Mas também raiz do nosso prestígio e um lugar natural. Por isso, o Benfica não pode escudar-se na competição para desculpar os fracassos eventuais, nem podia ter respirado de alívio se fosse eliminado. Tem de, na pré-época, preparar-se para chegar o mais longe imaginável! Seja qual for o adversário, temos de ir ao limite da nossa capacidade. Interna e externamente. E com obrigação de defender/disputar o título nacional. Até ao fim, teremos desafios difíceis: defrontaremos pelo menos um gigante europeu vezes dois; iremos medir forças com o Braga duas vezes na Luz; eventualmente, teremos uma final interna; e iremos a Vila do Conde e ao Funchal. É uma maratona a subir e com o oxigénio a rarear. Mas a força mormente vem da competição e das vitórias, e elas, se não escassearem, vão ser um suplemento vital.

Foto de Capa: SL Benfica

John Aguiar

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Benfica

2 anjos e 2 diabos convertidos | Benfica

O mundo não é transparente, preto e branco ou qualquer outra singularidade imutável. Como diria Bruno Nogueira no Último a Sair, "O mundo é bué cenas". E, fazendo uso da expressão, é a evolução, a mutação e o desenvolvimento dessas cenas o motor para a passagem dos dias não ser apenas isso. A sucessão de acontecimentos do Benfica funciona desta maneira. Nos últimos anos, sucederam-se treinadores, mudanças estruturais e conjunturais e mercados de transferência que, na sua sequência, levaram a que, ao dia de hoje, Andreas Schjelerup e Gianluca Prestianni sejam os grandes dínamos do futebol encarnado. Quando foram contratados, o norueguês em janeiro de 2023, o argentino um ano depois, não era propriamente surpreendente vislumbrar na dupla criativa o futuro das águias. Os meses - mesmo anos - seguintes deixaram algumas dúvidas e hesitações sobre o assunto, quase sempre mais pertinentes pela qualidade da aposta do que pela qualidade dos intérpretes, mas 2026 tem ajudado nos esclarecimentos. Já não é só o futuro que passa pela dupla criativa. O presente também o é. 

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.