liga europa

É quase tão certo como a morte e os impostos (como dizia Adam Smith): as boas sequências de resultados, no futebol e em qualquer outro desporto, estão destinadas a terminar. A derrota do SC Braga na Turquia ilustra isso mesmo, interrompendo uma série de 15 jogos consecutivos sem perder e uma tradição que se queria, entre os bracarenses, longínqua – só vitórias na Turquia (dois jogos, duas vitórias).

De facto, estes dados parecem ter tido algum peso (positivo) no âmago dos onze escolhidos por Paulo Fonseca para iniciar a partida dos oitavos-de-final, que não se deixaram intimidar com a intensidade do Sukru Saracoglu, entrando em campo com enorme personalidade, fechando possíveis linhas de passe ao meio-campo turco, esvaziado de ideias, talvez, pela frustração da supremacia estratégica do seu adversário, que até foi o primeiro a criar perigo, num remate de Hassan, categoricamente “patrocinado” por passe longo de Luiz Carlos, em boa posição, mas à figura de Demirel.

Até ao final da primeira parte a toada manteve-se, e o Braga soube manter o controlo da partida, mesmo com a contrariedade da lesão de um dos seus centrais à passagem do primeiro quarto de hora (Ricardo Ferreira foi substituído por Boly), excepção feita a um lance em que Volkan Sen deu um abanão ao jogo turco, ganhando espaço na ala direita, procurando Van Persie, que obrigou Matheus a excelente intervenção.

Na segunda parte, o Fenerbahçe voltou diferente. Ter-se-á dito o que era necessário mas não era simpático de ouvir da boca de Vitor Pereira. E a atitude mudou. Volkan Sen liderou a revolução da mentalidade e explorou da melhor maneira o flanco direito da defesa bracarense, fazendo várias maldades sobre Baiano e levando o credo à boca dos minhotos, destacando-se o momento em que Sen procura Van Persie, este marca, mas vê o golo ser invalidado por fora-de-jogo… duvidoso.

Anúncio Publicitário
Mehmet Topal prepara-se para fazer o único golo do jogo Fonte:
Mehmet Topal prepara-se para fazer o único golo do jogo
Fonte: Fenerbahce SK

A pressão turca ia aumentando, o público potenciava-a, e o Braga não a conseguia sacudir. Van Persie, com um cabeceamento que passou perto da baliza de Matheus, quase asfixiava os guerreiros, que só conseguiram respirar durante os dez minutos entre (69-79) a saída de Volkan Sen (entrou Nani) e a entrada de Fernandão (ponta de lança, que rende Potuk, um extremo), período no qual Josué, numa saída rápida, saindo da direita para o centro, rematou, colocado para grande defesa de Demirel.

Terminou aí a ousadia bracarense. Entretanto chegou Fernandão, que, juntamente com Van Persie mobilizou o eixo central bracarense, abrindo espaços no meio-campo e partindo o jogo. O Fenerbahçe aproveitou-o da melhor maneira – Mehmet Topal aproveitou um passe mal calculado de Luiz Carlos para explorar esse “vazio” e alguma passividade arsenalista e, num remate à entrada da área, fez o golo do encontro, que deixou os turcos satisfeitos e os bracarenses impotentes, sem conseguir reagir até ao final.

Segue-se a segunda mão, daqui a uma semana, na Pedreira, onde tudo ficará resolvido. É um factor mais que suficiente para que o Braga sonhe alto, até porque se completarão cinco anos sobre a fantástica eliminação imposta ao Liverpool, para a edição de 2010/2011 da Liga Europa, na qual o Braga só parou… na final.

 

Figura do jogo:

Volkan Sen – Quando a equipa parecia caída num marasmo total, foi ele quem deu o abanão necessário para que o jogo começasse a ganhar o rumo desejado pelos turcos.

Na segunda parte, liderou pelo exemplo, fugindo sempre à marcação de Baiano, não deixando o resto da defesa bracarense descansada com as suas incursões. O seu incoformismo fez aumentar a fé aos seus companheiros.

Saiu aos 69 minutos, e a equipa ressentiu-se.

 

Fora-de-jogo:

Rafa – Um grande jogador tem grandes responsabilidades. Rafa já não foge ao rótulo e vai ter de passar a encarar todos os jogos com a noção de que a exigência sobre ele vai ser cada vez maior à medida que o seu nível exibicional aumenta. Nele estavam depositadas as esperanças minhotas, e o lado esquerdo (o seu) foi, de facto, muito requisitado, mas não soube dar a melhor sequência aos lances do seu flanco, não conseguindo ser o desequilibrador letal no contragolpe que já foi esta época quando a equipa foi forçada a baixar as linhas (à semelhança deste jogo).

Foto de Capa: Fenerbahce SK