A CRÓNICA: DEJA-VU NÃO CHEGAR PARA DESCREVER ISTO…

Acabou antes de começar. Assim foi o tão propalado sonho europeu 20/21 do “novo” SL Benfica. Uma segunda parte à moda antiga foi o suficiente para deitar por terra tal ensejo e por deixar já pelo caminho, na primeira paragem da Liga dos Campeões que ainda não o é, as águias de Jesus.

Segue para o play-off o PAOK de Abel Ferreira, após um jogo de duas partes relativamente distintas. Primeiro tempo com claro ascendente encarnado em termos de domínio territorial – também com permissão grega – e de domínio da posse de bola, mas sem que tal se tenha refletido nas oportunidades flagrantes de golo, ainda que a principal tenha pertencido ao SL Benfica.

Após um par de calafrios para cada lado, Pizzi atirou com estrondo ao poste da baliza de Zvikovic no batimento quase exemplar de um livre direto frontal, aos 29 minutos. Não entrou a bola e pouco tempo mais tarde saíram os jogadores. Quando voltaram, tudo mudou.

O PAOK veio mais determinado para o segundo tempo. Mais determinado do que tinha estado na primeira parte e mais determinado do que o adversário. Não chegou a dominar o jogo com bola – nem tenção disso fazia -, mas dominou-o sem o esférico e com qualidade defensiva.

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O plano ofensivo não mudou: explorar a ala direita da defesa encarnada e as costas da mesma. Aos 63 minutos, resultou. Giannoulis avançou no terreno como é seu apanágio, encontrou com uma paralela Akpom, que surgiu em diagonal, do meio para a esquerda, nas costas da defensiva benfiquista e o avançado do PAOK endereçou a bola de novo a Giannoulis.

Vertonghen intercetou o esférico na sua trajetória, mas não lhe deu uma melhor – enviou-a para as redes de Vlachodimos, fazendo o 1-0 para os gregos. A reação psicológica do SL Benfica foi aquela a que já nos habituou a equipa encarnada: péssima, se alguma.

Ainda que o PAOK não forçasse muito o segundo golo, este era quase espectralmente esperado. Pairava no ar um sentimento forte de deja-vu. Mas faltava algo…

Faltava Zvikovic. O sérvio ex-SL Benfica entrou e, claro está, marcou. Aos 75 minutos, chegou aos seus pés uma bola vinda da esquerda, que o jovem sérvio tratou de puxar para o centro do terreno, partindo da direita, e rematar rasteiro para o 2-0.

Até final, apenas caos disfarçado de “ideia de jogo bem trabalhada”. A turma de JJ circulava a bola sem, no entanto, ter grandes planos para ela. As entradas de Darwin e Vinícius vieram povoar a área grega, sem que verdadeiramente lá chegasse o esférico, pelo menos, de forma “redonda” e limpa.

Um singelo golo, aos quatro minutos de compensação, foi tudo o que os pupilos de Jesus foram capazes de obter, não tendo sido sequer suficiente para fazer renascer a esperança.

 

A FIGURA

Ala esquerda do PAOK – A par do guardião Zvikovic, Giannoulis e Tzolis foram os melhores jogadores em campo, com exibições portentosas que escamotearam por completo as suas tenras idades – 20 e 18 anos, respetivamente. A já conhecidamente debilitada asa direita da águia lisboeta não foi capaz de travar o ímpeto destes dois jovens gregos. De resto, foi a partir da ala esquerda grega que surgiram ambos os golos da turma de Salónica.

O FORA DE JOGO

Segunda parte do SL Benfica – A primeira parte das águias foi positiva, plena de domínio, ainda que inócuo, e com a marca deixada no poste direito da baliza à guarda de Zvikovic. Não fazia prever a segunda parte… à SL Benfica… de 2020. Falta de concentração, falta de ideias, falta de coesão, falta de inteligência/chico-espertice, falta de tudo o que não podia faltar.

Mas, acima de tudo, falta de capacidade defensiva para travar um PAOK ofensivamente previsível, um PAOK que fez o que se esperava: procurar saídas rápidas pela esquerda do seu ataque e minar as costas da defesa encarnada. Em outras e menos palavras, mais do mesmo.

 

ANÁLISE TÁTICA – PAOK FC

A equipa de Abel Ferreira defendia em 5-4-1 (por vezes 5-3-2) com Akpom a ser o principal elemento na pressão à construção encarnada. No momento ofensivo, os gregos alinhavam num 3-4-3, por vezes moldado num 3-4-2-1, que bebia da fantasia de Tzolis, das subidas de Giannoulis e da mobilidade de Akpom.

A turma de Abel optou sempre por um bloco compacto, coeso e baixo no momento de defender, dificultando de sobremaneira as penetrações do SL Benfica. Na saída para o ataque, não se distendiam muito, apoiando-se apenas na qualidade técnica e no entrosamento dos jovens Tzolis e Giannoulis.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Zivkovic (9)

Ingason (6)

Varela (7)

Michailidis (7)

Pelkas (6)

Crespo (6)

El Kaddouri (6)

Schwab (7)

Giannoulis (9)

Tzolis (9)

Akpom (7)

SUBS UTILIZADOS

Zivkovic (7)

Swiderski (5)

 Esiti (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Jorge Jesus não fugiu muito ao apresentado na pré-temporada, apostando num 4-2-3-1 assente na mobilidade e intercâmbio de corredores de Pedrinho e Pizzi. As tentativas de entrada no cerrado bloco defensivo do PAOK tinham por base o jogo entrelinhas de Pedrinho e a capacidade de jogar de costas para a baliza de Seferovic.

Taarabt deveria ter funcionado como dínamo do meio-campo encarnado, mas não foi capaz de o ser com constância. Everton procurava muito o jogo interior, abrindo “ala” para Grimaldo, mas a falta de entrosamento entre ambos era ainda algo notória. Nos 30 minutos finais, o jogo das águias tornou-se menos claro e fluido, com a procura de endossar a bola para os avançados – Darwin e Vinícius – a ser a ordem do dia.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Vlachodimos (5)

André Almeida (5)

Rúben Dias (6)

Vertonghen (6)

Grimaldo (5)

Weigl (5)

Taarabt (5)

Pedrinho (7)

Everton (7)

Pizzi (5)

Seferovic (5)

SUBS UTILIZADOS

Darwin Nuñéz (5)

Vinícius (5)

Rafa (7)

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O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.                                                                                                                                                 O Márcio escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.