Jonas regressou aos relvados e deparou-se com outros três companheiros a lutarem pelo “sítio” dele. O ponta de lança brasileiro tinha-se lesionado antes do começo da corrente época, durante a pré-temporada, e apenas conta com cerca de 40 minutos de jogo até agora. Um ponta de lança que chegou ao Benfica a custo zero, depois de ter sido dispensado do Valencia, e tornou-se num dos melhores marcadores da liga portuguesa nos últimos anos. Um jogador que garante uma presença abrupta na ofensiva encarnada, vem buscar a bola, devolve, circula, dribla, passa, e sobretudo remata para fazer o golo. E é nisso que Jonas é especialmente bom: fazer golos. Chegou já com 30 anos de idade, e desde a sua entrada fez cerca de 120 golos em partidas oficiais. Na época passada, com 34 anos de idade, Jonas foi o melhor marcador da Liga NOS com 34 golos, ficando à frente de Bas Dost e Marega que estão no auge da carreira futebolística em termos de idades. E nestas últimas temporadas foi sempre batendo recordes atrás de recordes apesar de ainda se ter lesionado gravemente na época de 2016/17, quando a sua carreira ficou em sério risco de acabar prematuramente. E isto devia dar-lhe passagem automática para o lugar no 11 titular?

A qualidade de Jonas é inegável, mas o Benfica reforçou-se neste mercado com dois pontas de lança, Nicolás Castillo e Facundo Ferreyra, e ainda conta com Haris Seferovic desde a época passada. E a pergunta levanta-se: qual merece o lugar disputado no 11 titular do Benfica?

Para já tem sido Seferovic a aposta de Rui Vitória. Tem marcado muitos golos? Nem por isso. Um ponta de lança que se queira afirmar na frente tem de marcar golos, e Seferovic não tem tido muita sorte. As exibições não têm sido muito más, pelo contrário, nos últimos jogos tem-se visto um Seferovic que nem se cheirou na época passada. Todas as estatísticas traem o avançado suíço, mas o que se vê durante a partida é muita vontade de marcar, mas muito azar à mistura.

Haris Seferovic tem sido a aposta e até tem vontade de marcar, mas a sorte não está do seu lado
Fonte: SL Benfica

E os reforços?

Nicolás Castillo é o mais jovem dos quatro avançados em questão, mas já passou por alguns clubes. A sua melhor época em termos de golos marcados foi no ano passado, ao serviço do Club Universidad Nacional, equipa da primeira divisão mexicana. Nas duas épocas que lá esteve marcou 26 golos no total (oito na primeira época, em que fez 13 jogos, e 18 na seguinte, em que fez 32 jogos). Com apenas 25 anos de idade já está no seu sexto país diferente a atuar como jogador de futebol, sem nunca se ter realmente destacado num clube de renome mundial. De algum destaque estão apenas as duas épocas que esteve no Club Brugge, da Bélgica, em que ganhou uma certa titularidade na segunda temporada, isto entre 2013 e 2014. Fez os primeiros jogos oficiais ao serviço do Benfica contra o Fenerbahce da Turquia, e acabou por se lesionar na segunda mão (de notar que entrou como titular nesta partida). Depois da lesão esteve seis minutos dentro de campo, a contar para a liga portuguesa, frente ao Rio Ave.

Já Facundo Ferreyra tem sido uma aposta um pouco mais regular. Já conta com relativamente bastantes minutos de jogo na liga, e até na Liga dos Campeões. Em praticamente todos os jogos que atuou de águia ao peito foi titular, mas até agora apenas marcou um golo, frente ao Boavista. Ferreyra chegou do atual maior clube da Ucrânia, onde marcou alguns golos nas últimas temporadas, mas num campeonato muito menos exigente que o português.

Com estes quatro atacantes a disputar apenas um lugar, terá Rui Vitória de fazer alterações táticas para dar mais minutos a todos? A meu ver isso não pode ser possível no atual sistema de jogo. O meio campo tem necessariamente de ter três jogadores, sendo que um está mais perto do ponta de lança e dos extremos (lugar que, para mim, seria dominado por Filip Krovinovic caso não estivesse lesionado). Dois pontas de lança iam tirar um médio do esquema, e para mim isso não pode acontecer muito menos agora que Gabriel chegou ao Benfica. Então qual será a melhor solução? Rotação constante? Jonas gosta de ficar confortável na frente, e acredito que ainda tem qualidade para segurar a posição, basta agora um período de reintegração pós-lesão. Seferovic precisa de marcar mais para tentar disputar o lugar, já os reforços também têm de mostrar mais do que exibiram até agora.

Foto de Capa: SL Benfica

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