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Roger Schmidt | Como joga o PSV Eindhoven?

Gabriel Henriques Reis · 3 min

Roger Schmidt PSV
Foto: PSV Eindhoven

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O PSV Eindhoven, de Roger Schmidt, venceu o AFC Ajax na final da Taça dos Países Baixos por 2-1, num jogo de fortes emoções e no qual se conseguiu perceber, mais uma vez, as mais fortes características do treinador alemão, espelhadas na sua equipa.

Apesar da vitória, o Ajax teve diversos golos anulados e esteve por diversos momentos muito perto do golo que daria ainda maior conforto na final. Sim, porque começou mesmo a vencer. Os golos da reviravolta do PSV surgiram no início da segunda parte, de livre, cobrado ao segundo poste, e um minuto depois, numa recuperação de bola e fantástica jogada de Cody Gakpo, a grande figura da equipa dos Philips.

Mas, afinal, no que se baseia o jogo de Roger Schmidt? Pois bem, antes de qualquer tática, o treinador alemão pauta o seu estilo de jogo pela velocidade, fazer chegar a bola o mais rapidamente possível a zonas avançadas. Segundo palavras do próprio, “quando temos bola, procuramos soluções para a levar o mais rapidamente possível para zonas perigosas, mas o foco do nosso jogo é sempre a pressão defensiva”, aponta.

Outra das mais acentuadas características é a possibilidade de apresentar diferentes sistemas, apesar da intransigência em alguns aspetos do jogo. “Posso implementar a mesma ideia com sistemas diferentes”, refere Roger Schmidt. Esta temporada, já se viu o 4-4-2 (bastante utilizado), o 4-2-3-1 ou até o 4-3-3.

Resumidamente, podemos esperar de Roger Schmidt a pressão alta na primeira linha de construção do adversário, uma reação rápida à perda da bola, mesmo muito rápida, capacidade de sair a jogar desde trás, inclusive com a participação do guarda-redes na criação, dois médios-defensivos que garantem a solidez defensiva da equipa e laterais, extremos e avançados projetados no ataque. No vídeo abaixo, pode ver-se o momento em que o PSV perde a bola e a forma como os jogadores se dirigem no sentido de a recuperar, conseguindo mesmo chegar com perigo a zona de finalização.

Será, portanto, na transição ofensiva e na rapidez com que pretende chegar à frente que Roger Schmidt se irá destacar. Mas a questão que se impõe é apenas uma: terá o SL Benfica elementos que sejam concordantes com o estilo do jogo do seu novo treinador? Bem, terá certamente alguns, mas não todos. Aliás, a nova cara do SL Benfica nesta última fase da temporada, que até tem conseguido, de forma até inesperada, alguns grandes resultados, tem sido através de um jogo de calma e paciência, sabendo aproveitar um bloco mais baixo e aproveitar os lances de contra-ataque e exploração da profundidade para Darwin, Everton ou Rafa, como foi o caso dos jogos perante o Ajax, Liverpool FC e Sporting CP.

Terá o plantel tudo o que o exigente treinador alemão precisa? A mim, parece-me que quando o SL Benfica tentava ser mais impositivo nas partidas, mostrava-se uma equipa sem ideias e com visíveis debilidades do ponto de vista defensivo, até com equipas teoricamente mais fracas. Mais importante que tudo, terá ele o tempo necessário e a paciência dos adeptos para trabalhar um projeto a médio-longo prazo que permita ao clube um crescimento sustentado, sem entrar em histerismos por eventuais maus resultados?

Pergunto de forma retórica, acautelando a hipótese de que Roger Schmidt possa não ter sucesso imediato. Os encarnados estão sem vencer qualquer competição desde o dia 4 de agosto de 2019, quando venceram a Supertaça, e só voltarão a ter hipótese de erguer novamente um troféu perto de janeiro de 2023. É preciso que seja dado tempo para que o alemão implemente as suas ideias com firmeza e para que o plantel, reforçado ou não, possa vir a ser capaz de demonstrar uma outra face, não só no campeonato, como em todas as outras competições internas. Veremos o que o tempo nos reserva, com a certeza de que, pelo menos, será interessante acompanhar o novo treinador benfiquista.

Gabriel Henriques Reis

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