De um lado do “ringue”, natural da América do Sul, com 172cm e 66 kg, “El toto” Salvio! Do outro lado do “ringue”, o português, o craque que explodiu no Sporting de Braga, o jogador de 170cm e 72 kg, Rafa Silva!

É isto, caros leitores. O meu texto desta semana coloca frente a frente dois nomes que têm sido os responsáveis pelo futebol praticado no lado direito do ataque encarnado. A verdade é que estes dois jogadores, diferentes entre si, partilham ao mesmo tempo de características muito semelhantes. Desde o aspeto físico, altura e peso, estes jogadores partilham de um futebol jogado também ele muito semelhante. Salvio, o camisola dezoito, é talvez o mais tecnicista jogador entre ambos. A sua procura constante pela finta, muitas vezes a mesma o que já levou a que muitos adversários conseguissem parar os seus movimentos, a facilidade com que toca e transporta a bola, mostram que em jogos com adversários mais acessíveis, o jogador seja a escolha mais frente.

Do outro lado, temos um jogador de velocidade. Um jogador que ao longo da sua carreira mostrou ser rápido, tanto nas alas como a jogar no centro do terreno. O Rafa é para mim um jogador que deva ser utilizado em jogos de elevada dificuldade. E porque? Porque a sua velocidade pode ser determinante para combater frente a adversários que estejam mais atentos a um futebol mais técnico do que veloz.

Rafa queria chegar, ver e vencer, mas também não conseguiu. Muito por falta de espaço e pressão das expectativas criadas
Fonte: SL Benfica

A questão é que tanto Salvio como Rafa já tiveram os seus anos de sucesso. O argentino, tanto na primeira época de empréstimo, como nos primeiros passos em definitivo no Sport Lisboa e Benfica, existia um Salvio muito forte tanto no um para um como em outro tipo de jogadas. O tempo passou e a, digo eu, desejada saída do clube, foi aquilo que faltou ao próprio para explodir. Deixou-se ficar, temporada após temporada, e nunca deu o desejado e necessitado salto. Essa falta de momento fez como que nunca mais fosse o Toto Salvio que conhecemos.

Rafa, por outros motivos, e segundo alguns treinadores de bancada, também não até ao momento aquilo que era pedido, devido ao valor que foi pago pelo seu passe. O Rafa chegou a ser, se ainda não é, o jogador mais caro da história do clube. Um valor alto para o mercado nacional, tanto a ser pago pelo Sport Lisboa e Benfica como recebido pelo Sporting Clube de Braga. Depois, e devido ao elevado número de atletas para fazer as alas encarnadas, Rafa viveu sempre na sombra dos colegas e quando entrava mostra falta de ritmo de trabalho. Esse fator, e outros que podemos não conhecer, fez com que Rafa nunca chegasse a mostrar nos relvados o valor e a expectativa que depositamos sobre o seu futebol.

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Dois jogadores. Quatro pés. Ainda dois tantos. E Muito futebol para dar.

Foto de Capa: SL Benfica

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O João é benfiquista desde que se lembra. Nascido e criado em Aveiro, com uma experiência de cinco anos de vida em Moçambique, vive em Lisboa desde Agosto de 2015. A acompanhar os jogos do Benfica desde sempre e sem falhar a presença no Estádio da Luz pelo menos uma vez por ano, desde sempre que escreve textos pessoais acerca do Benfica e sobre o futebol em geral. Com coragem para defender e criticar o clube da Luz sempre que for preciso, tem mais interesse pela arte do futebol praticado do que pelas polémicas ou aspectos que mancham o desporto rei.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.