Foi contratado para a época 2017/2018, onde sob o comando de Rui Vitória começou como um titular goleador, mas rapidamente foi perdendo espaço e minutos de jogos. Arranca 2018/2019 como dispensado, mas com o decorrer dos jogos acabou por voltar a ganhar a titularidade e terminou a época como o melhor marcador do campeonato português. Agora, lança-se à nova temporada como titular, mas com constantes exibições desapontantes, o que tem levado ao aumentar da crítica dos analistas e dos próprios adeptos.

Não tenho qualquer dúvida sobre a qualidade de Seferović. Nunca foi um goleador, mas sempre foi um avançado com boa qualidade técnica, boa leitura de jogo e muita inteligência. Um avançado forte, que não se prende a zonas de finalização, servindo a equipa nos vários setores de ataque. As minhas dúvidas prendem-se na sua força psicológica. Parece-me um jogador que rapidamente se deixa afetar por momentos de menor confiança, o que o leva a tão inconstantes desempenhos.

Neste momento, temos um Seferović a quem as coisas não correm bem. Nunca foi um finalizador, mas enquanto ponta de lança não pode desperdiçar a quantidade de oportunidades que tem. Contudo, o que mais me tem surpreendido são as más decisões que tem tomado, os movimentos não tão bons, as combinações imperfeitas e a pior leitura dos lances – o que resulta por exemplo em constantes foras-de-jogo.

Além da falta de confiança, temos a falta de discernimento. Esta última é resultado daquilo que a equipa técnica lhe tem proposto fazer em campo. Basta ouvir o treinador do SL Benfica falar sobre os quilómetros percorridos pelo suíço. Quando é pedido a um jogador que corra quilómetros atrás de quilómetros ao longo de 90 minutos, é normal que no momento de decidir, executar e finalizar, este não apresente o mesmo discernimento. E também é compreensível que um jogador que tanto corre e se esforça reaja mal às criticas e assobios – os jogos não lhe estão a correr bem mas dá tudo o que tem e não sente esse esforço reconhecido.

Haris Seferovic, uma inconstante emocional que clama por banco
Fonte: SL Benfica

Um jogador com fraco equilíbrio emocional, desgastado física e psicologicamente, que surge coroado como o melhor marcador do campeonato e se esforça como nenhum outro e mesmo assim é assobiado. Neste contexto surge a reacção após o golo ao Leipzig. Seferovic, no fundo do seu desespero, marca contra os críticos. O problema é que os principais críticos são aqueles que vão preenchendo as bancadas do Estádio da Luz.

Seferovic corre, Seferovic falha, Seferovic é assobiado, Seferovic marca, Seferovic manda calar os adeptos, Seferovic é assobiado, Seferovic decide em Moreira de Cónegos e Seferovic volta a ser criticado. Esta montanha russa vai sendo a época do suíço.

Haris Seferovic, o avançado suíço que trocou o relógio do seu país natal pela montanha das terras frias da Rússia. Uma inconstante emocional que clama por banco.

Foto de capa: SL Benfica

artigo revisto por: Ana Ferreira

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