Depois de vencer o clássico no Dragão, o SL Benfica de Bruno Lage recuperou os sete pontos de desvantagem que tinha para o rival, e somou mais dois para lá daqueles que o antigo líder tinha, colocando-se a si no topo da tabela classificativa da Primeira Liga.

Dias depois, o Benfica foi a Zagreb para a primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa e foi aí que começaram a surgir as dúvidas. Não se tratou apenas da derrota por 1-0 frente aos croatas – já que era pela margem mínima, e fora de casa e, por isso, um resultado ultrapassável na segunda mão –, mas sim pela fraca exibição dos encarnados em terras Balcãs.

As dinâmicas tão faladas por Bruno Lage não funcionaram em Zagreb, João Félix parecia perdido e Krovinovic completamente fora de jogo. Para piorar toda a questão, houve a lesão de Seferovic, ainda na primeira parte. Logo depois da entrada de Cervi – que se demonstrou uma má opção, devido à fraca capacidade de mexer com o jogo –, houve o golo croata devido a uma infantilidade de Rúben Dias, que fez penálti mesmo no canto na área encarnada. Um lance desnecessário que levou a que a eliminatória fosse para Lisboa com desvantagem do Benfica.

Três dias depois do desaire na Croácia, regressava o Benfica ao campeonato a necessitar de vencer para manter a vantagem de dois pontos perante o FC Porto – que ganhara no dia anterior. Porém, contra um Belenenses SAD de emblema novo, o Benfica cometeu dois erros infantis e cruciais para o empate a duas bolas. Demorou a desbloquear o jogo, ao marcar só aos 55 minutos, mas, um primeiro erro de Vlachodimos – que até nos custa criticar devido à quantidade de pontos que já nos deu –, e um segundo erro, novamente de Rúben Dias, deu o empate final, colocando agora margem de erro zero no que resta da temporada benfiquista, logo após a vitória no Dragão. Foi a primeira vez que Lage ficou dois jogos consecutivos sem vencer e as perguntas surgiam, já com uma derradeira eliminatória dentro de três dias.

Vlachodimos tem sido exímio na baliza, mas errou escandalosamente no jogo contra o Belenenses SAD
Fonte: SL Benfica

Se dúvidas havia, Lage não as esclareceu na primeira parte desse embate com croatas. Escolheu, como sempre fez para esta competição, uma equipa mais fresca, menos utilizada, mais jovem e pouco se fez para vencer a partida. Porém, a segunda parte trouxe algo diferente: Jonas, João Félix e Grimaldo. Aí, a conversa foi outra e, apesar de o jogo ter ido a prolongamento, a frescura dos homens de vermelho comparada à dos croatas foi evidente, para não falar de que se viu novamente o Benfica a jogar como aquilo a que Lage nos habituara.

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Surge, três dias depois, a deslocação a Moreira de Cónegos. Novamente a precisar de vencer, o Benfica desta vez foi mais esclarecedor. Colocou para trás os jogos menos bem conseguidos, e foi golear por 0-4 num terreno onde só duas equipas haviam vencido esta temporada. As dinâmicas vivem!

Bruno Lage mostra-se mais completo perante os adeptos, agora que passou por momentos em que o seu futebol e as suas decisões não levaram a grandes vitórias. Depois de passar pelo sabor da derrota e do empate – ainda por cima consecutivos e decisivos –, Lage manteve-se fiel à sua visão de jogo e à sua gestão de plantel onde todos contam. Sem ter um modelo fixo de jogo que depende de um e outro jogador, mesmo sem Seferovic a combinar com Félix na frente, Lage conseguiu explorar a dinâmica de jogo com outras personagens em campo e isso mostrou-se bem sucedido frente ao Moreirense.

É um treinador que pensa o jogo um por um e o adequa a cada situação. Esperou pelo cansaço dos croatas na primeira parte – explicando a opção de Jota e Rafa na frente – para depois, na segunda, colocar Jonas e Félix para tirar proveito disso mesmo. Está a gerir o plantel entre Liga Europa e Primeira Liga com o plantel à disposição, aproveitando tudo o que cada um pode acrescentar à equipa, analisando o momento ideal para este fazer a sua parte nesta jornada.

Bruno Lage continua a impressionar-nos.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

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