A CRÓNICA: A DIFERENÇA DE TER UMA LIGA INTERNA COMPETITIVA

Com o selecionador da seleção feminina, Francisco Neto, nas bancadas do Benfica Campus, não podia ter começado pior a caminhada das encarnadas na sua própria casa, porque apenas dois minutos volvidos e o Chelsea FC já fazia das suas frente ao SL Benfica. A qualidade de Pernille Harder a fazer-se sentir no lado esquerdo, depois o cruzamento passou por todas e ficou com selo para o pé de Kirby marcar o 0-1.

Quando parecia que estava a existir um equilíbrio na partida, aparece mais um murro no estômago. Mas desta vez não era porque não estivessem avisadas, porque as blues são fortes também neste momento do jogo e de um livre: novo golo. Millie Bright apareceu para cabecear e bater novamente Carolina Vilão (0-2).

Já se sabia que este ano as inglesas queriam ganhar tudo e não era para mais. O andamento é totalmente outro e quem tinha dúvidas aqui está a resposta da FA, a federação inglesa. De novo, uma grande jogada a envolver quase todas as jogadoras das blues e depois o passe foi de Reiten para, mais uma vez, o pé de Kirby fazer a diferença, ficando o placar a mostrar 0-3.

Se as bolas paradas pudessem falar, certamente, diziam “É GOLO DO CHELSEA!” (sim, em caps lock, porque era mais do que evidente). Do pé os passes de Reiten já tinham um destino sempre fixo e iam lá sempre parar as bolas. Quem mais viria marcar o golo? Pernillie Harder. Estava à procura do mágico golo – o seu primeiro na competição – e já o fez. Era com um 0-4 que se recolhia ao intervalo.

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A diferença estava plasmada em campo e as encarnadas iam tentando contornar o poderio das londrinas. Contudo, nem a sorte estava do lado do SL Benfica, pois de um corte a bola foi direitinha para Beth England e a jogadora fez o golo de uma forma gélida tal e qual como o seu nome indica um país com condições atmosféricas semelhantes. Apesar da expulsão de Ucheibe, o Chelsea ainda teve muitas oportunidades, mas a bola nunca mais entrou em nenhuma das balizas.

A eliminatória da UEFA Women’s Champions League acabou de ter os primeiros 90 minutos e faltam agora mais 90 e desta vez em Terras de Sua Majestade. Contudo, resta poucas duvidas quanto à equipa apurada, o Chelsea FC, que demonstrou que é também a mais poderosa. Uma vitória justa e as londrinas mostram aqui a toda a sua concorrência europeia que este ano não é para brincar. Quanto às encarnadas, têm ainda uma imagem do Seixal para tentar apagar, mas agora em Londres.

 

A FIGURA

Fran Kirby – A par de Guro Reiten – que fez um hat-trick de assistências, foi a melhor jogadora em campo, mas vou escolher aquela mais mais diferença fez a nível de golos. A capacidade de estar constantemente em jogo e de fazer a diferença foram fundamentais neste jogo contra o SL Benfica. Continuava a mostrar a mesma vontade em cada lance que disputava e foi importante com dois golos na partida.

 

O FORA DE JOGO

Andreia Faria – A internacional portuguesa não entrou bem no jogo e foi pelo seu lado que acabou por surgir o primeiro golo das inglesas na partida. Já no aquecimento a jogador não se mostrava nas melhores condições e mostrou esse “mau dia” em campo. Acabou por ser substituída ainda no decorrer da primeira parte, quando já aparentava algum cansaço.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Luís Andrade seguiu aquela que é uma das regras máximas do Futebol “equipa que ganha não se mexe”. É o mesmo 4-3-3 que se apresentou na Bélgica frente ao RSC Anderlecht e as encarnadas estavam prontas para tentarem ter um meio campo coeso e também uma defesa que pouco espaço daria às inglesas. A tática encarnada não ia fugir muito daquilo que tem apresentado na Liga Portuguesa, apenas com a condicionante de que aqui não iria ser dominadora em quase nenhum aspeto.

Havia claros momentos, principalmente a nível ofensivo, as encarnadas acabavam por se apresentar num 4-4-2 com Nycole e Cloé Lacasse a serem as jogadoras mais avançadas. A nível defensivo, Luís Andrade pareceu adotar esta tática assim que viu a disposição das inglesas em campo. Com a expulsão de Ucheibe, as encarnadas tiveram de ser mais combativas e ter mais entre-ajuda defensiva com um sistema de 4-4-1, onde Ana Vitória acabou por ocupar a posição da jogadora expulsa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Carolina Vilão (5)

Ana Seiça (5)

Sílvia Rebelo (5)

Carole Costa (5)

Catarina Amado (7)

Pauleta (6)

Christy Ucheibe (3)

Andreia Faria (3)

Ana Vitória (5)

Cloé Lacasse (6)

Nycole Raysla (4)

SUBS UTILIZADAS

Beatriz Cameirão (6)

Francisca Nazareth (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – CHELSEA FC

No último encontro para a Liga Inglesa, as blues apresentaram-se num sistema tático de 3-4-3, contudo, em Portugal as britânicas apresentaram-se num 4-4-2. Para este jogo em Lisboa houve três alterações na equipa inicial que defrontou o West Ham United FC. Millie Bright, Guro Reiten e Sophie Ingle entraram, sobretudo, para encaixarem nas posições defensivas (no caso de Bright) e também a meio campo, as restantes duas jogadoras.

O 4-4-2 das blues tinha como grande motor de ligação entre a defesa e o ataque com Ingle e Ji, que faziam a total diferença. As trocas surtiram muito efeito no 11 inicial das inglesas, visto que as duas jogadoras acabaram por marcar daquelas que entraram. De destacar a importância que Guro Reiten está a ter no processo ofensivo das blues, sendo que a bola acabava sempre por passar pela jogadora norueguesa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ann-Katrin Berger (6)

Maren Mjelde (5)

Millie Bright (7)

Magdalena Eriksson (6)

Jonna Anderson (5)

Ji So-Yun (8)

Sophie Ingle (6)

Fran Kirby (9)

Guro Reiten (7)

Pernille Harder (8)

Bethany England (7)

SUBS UTILIZADAS

Jessica Carter (6)

Maria Thorisdottir (5)

Niamh Charles (5)

Erin Cuthbert (5)

Jessie Fleming (5)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL BENFICA

BnR: Quando havia a pressão das jogadoras do meio campo, o Chelsea aproveitava para lançar as suas jogadoras nas costas ou para aparecerem entrelinhas. Acredita que esta falha foi preponderante durante todo o jogo e se é aquela que é principal para corrigir para o próximo jogo?  

Luís Andrade: São dinâmicas que o Chelsea tem e que tem jogadoras muito inteligentes. Nós tentámos analisar aquilo que era a equipa do Chelsea, mas aquilo que trabalhamos em campo normalmente não acaba por sair da mesma maneira em campo. É algo complicado. Ainda assim, concordo com aquilo sobre as entrelinhas e nós acabámos por abrir muitos espaços entrelinhas e depois quando essas bolas entravam estávamos muito desprotegidas. De qualquer maneira, como já disse, é preciso trabalhar. É uma análise que vamos fazer depois deste jogo e depois corrigir aquilo que fizemos neste jogo.

Sílvia RebeloMelhores declarações

«Sabíamos que íamos apanhar uma grande equipa e tínhamos de adiar o golo. o golo não intranqualizou a equipa. surgiram dois golos de bola parada e não pode acontecer. demos o melhor de nós neste jogo».

«o problema esteve na equipa toda. temos muito trabalho a fazer e os nossos adeptos têm de estar orgulhoso de nós, porque daqui para a frente haverá muitas vitórias».

«Precisamos destes jogos [importantes] todos os fins de semana, mas não sendo possível [em Portugal] temos de trabalhar de outra maneira. Esta semana, vamos trabalhar da melhor maneira para nos apresentarmos bem em Inglaterra [na segunda mão]».

«Temos que estar habituadas a jogar contra uma ou a duas avançadas. É uma aprendizagem e há uma longa caminhada para conseguirmos chegar ao patamar que está, neste momento, o Chelsea».

CHELSEA FC

Emma HayesMelhores declarações

«Temos jogadoras capazes coletivamente de produzir bons momentos e de criar grandes oportunidades em frente à baliza. Acredito que a grande diferença entre as duas equipas foi a frieza que as duas tiveram em frente à baliza».

«Agora a diferença entre as equipas na Liga dos Campeões está muito mais pequena e isso notou-se no jogo de hoje. Estou impressionada com o que está a evolução que o futebol português está a ter».

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