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Benfica e Atlético de Madrid entraram em campo já apurados para os oitavos-de-final. Faltava definir quem ocupava o primeiro lugar e o colchoneros levaram a melhor, vingando, curiosamente pelo mesmo resultado, o desfecho do jogo no Calderón. Já lá vão mais de 30 anos sem ganhar na Luz a uma equipa do país vizinho e a tradição parece teimar em manter-se. Ao montar a equipa em 4-2-3-1, Rui Vitória queria sobretudo controlar o meu campo, arriscando o menos possível (afinal um empate bastava). Com Fejsa e Renato mais recuados, Gonçalo Guedes e Pizzi nas alas e Gaitán atrás de Jonas, estava montada uma estratégia cautelosa, com a certeza de que os espanhóis viriam a Lisboa para tentar vencer.

E a entrada do Benfica, controlador e a encostar o Atlético à sua área nos primeiros 10 minutos, fazia antever uma grande noite europeia, daquelas que costumam ser lembradas nos trinta anos seguintes. Os encarnados faziam circular a bola com velocidade (a única forma, viríamos a perceber durante o jogo, de fragilizar o bloco defensivo denso e quase indestrutível do Atlético) e recuperavam rapidamente a posse da bola quando a perdiam. Um início forte, como aconteceu em Braga, mas desta vez sem golos. Os madrilenos podem ter ficado surpreendidos mas foram equilibrando o jogo e o Benfica foi baixando o ritmo. Valeu Júlio César com um par de boas defesas. Por pouco tempo. O Atlético estava por cima e, à passagem da meia-hora, marca por Saúl. A jogada é simples e eficaz: com o Benfica desequilibrado, Vietto ganha a linha de fundo e cruza para Saúl que, vindo de trás e sem marcação, faz o golo.

O primeiro remate do Benfica apenas iria surgir aos 37 minutos (!), por Gonçalo Guedes, e na sequência de uma iniciativa individual. As duas linhas defensivas do Atlético formavam um bloco incrivelmente compacto por onde era muito difícil entrar. Jonas era obrigado a baixar para vir buscar jogo, ou seria totalmente bloqueado pelos centrais. E, assim, a equipa ficou muitas vezes sem referência ofensiva e sem presença na área, o que tornava os cruzamentos estéreis e obrigava os jogadores a forçarem o jogo interior, onde não havia espaço, ou a atrasarem a bola até Júlio César.

Mitroglou ainda reduziu mas o Benfica acabou em 2º lugar do grupo; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Mitroglou ainda reduziu mas o Benfica acabou em 2º lugar do grupo
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica 

Na segunda parte, com a entrada de Mitroglou, a equipa parecia ter reentrado em campo com outro ânimo. Mas foi sensação que durou pouco tempo. Os espanhóis, muito experientes a virar resultados adversos e ainda mais a conservar vantagens, mostraram bem a maturidade própria de uma equipa que joga quase de olhos fechados, recheada de jogadores internacionais de enorme qualidade técnica e comandada por um dos melhores treinadores do mundo. Sem acelerar muito e perante o adormecimento geral dos encarnados, o segundo golo surgiu com alguma naturalidade: André Almeida ficou parado enquanto Ferreira- Carrasco lhe ganhava todo o corredor. O belga teve tempo de parar, contemporizar a chegada de Vietto ao interior da área e oferecer o golo de bandeja. É fundamental reforçar a equipa com um defesa-esquerdo (Eliseu não mostra grandes avanços e Sílvio pode não ser uma aposta totalmente segura) e um defesa direito, já que André Almeida só jogo o quanto baste (e só basta a nível doméstico) e Nélson Semedo ainda está longe de estar recuperado.

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Quando o treinador decidiu lançar Jimenéz o jogo mudou. As constantes correrias de Jonas tinham-no desgastado (não faz sentido colocar Jonas sozinho na frente) e era preciso poder de choque na frente. Aos 63 minutos, o mexicano deixou o primeiro aviso com um remate algo fraco e Carrasco respondeu logo a seguir, com um tiro de fora da área. Mas a reação do Benfica iria mesmo acontecer. A 15 minutos do fim, Jiménez conseguir vislumbrar um raro espaço entre linhas, avançou e, vendo Mitroglou na área, fez o passe rasteiro. O resto foi instinto de baliza do avançado grego. Receção e rotação perfeitas e a bola estava lá dentro.

Daí para a frente, a equipa portuguesa pediu ao coração o oxigénio que já não tinha e só não chegou ao empate por falta de sorte. Renato Sanches, o menino-maravilha que a cada jogo impressiona cada vez mais, quis repetir o golaço frente à Académica e andou lá perto. Jiménez esteve a centímetros de festejar num bom cabeceamento. Eliseu ainda tentou de longe mas sem sucesso. Um dos finalistas da final de 2014 da Champions esteve debaixo de uma pressão sufocante durante a etapa final do jogo mas conseguiu resistir. Já que é inevitável sermos atirados ao lago dos tubarões no sorteio de sexta-feira, que nos calhe o mais inofensivo. O Zenit traz boas memórias, vindas da eliminatória de 2012. Seria um bom déjà vu.

PS: Uma referência positiva para Fejsa. Não sei se retirou o lugar a Samaris ou não, mas fez um jogo bastante consistente, jogou a um ritmo bastante alto e foi muito importante em algumas recuperações de bola. Se não tiver o azar de se voltar a lesionar, pode muito bem atingir o momento de forma do ano passado. Uma coisa é certa: para a posição 6 não falta qualidade.

A Figura:
Renato Sanches – Incrível o sentido posicional, as acelerações, as recuperações de bola improváveis, o pulmão. Que jogador!

O Fora-de-Jogo
Gonçalo Guedes – É um bom jogador mas esta noite esteve muito desinspirado. Muito lento a soltar a bola, sem o seu habitual poder de explosão e com muitos passes errados. 

Foto de capa: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica

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