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Mais de um dia depois do previsto, o Benfica podia finalmente mostrar que o empate na Madeira na primeira volta não passou de um acidente de percurso. Renato Sanches e André Almeida não alinharam de início, muito provavelmente para diminuir o risco de um cartão amarelo os poder afastar do derby com o Sporting. Talisca assumiu o lugar de Sanches e Nélson Semedo voltou aos jogos do campeonato a titular. No lado esquerdo, Rui Vitória também trocou Eliseu por Grimaldo, este em estreia absoluta na Liga.

O jogo começou praticamente com mais um golo de Jonas. Foi logo aos cinco minutos que o brasileiro aproveitou um mau alívio da defesa do União para, de primeira, abrir o marcador. Com um começo assim, muitos adeptos terão pensado que este jogo na ressaca do aniversário do clube daria para construir mais uma goleada na Luz. E se o Benfica não estava a vencer por muitos quando Cosme Machado apitou para o descanso só se deve queixar de si próprio. Na primeira parte, este União da Madeira foi uma das equipas mais frágeis, senão a mais frágil, que pisou a Luz este ano. Totalmente remetidos atrás, os jogadores comandados por Norton de Matos nunca conseguiram acertar nas marcações e, para além disso, nunca conseguiram formar um bloco compacto atrás, abrindo grandes espaços entre linhas que os jogadores do Benfica aproveitaram para ensaiar tabelas e triangulações perigosas.

Mesmo com todas estas facilidades concedidas por uma equipa que raramente arriscou sair para o ataque (não mostrou capacidade para construir jogo ofensivo), o Benfica ofereceu um festival de golos falhados na primeira metade do jogo e muitos momentos de desespero aos espetadores presentes na Luz – que registou uma excelente assistência numa segunda-feira, com todos os setores do estádio abertos, à falta de adeptos dos madeirenses em Lisboa. Primeiro foi Nélson Semedo a ameaçar o golo, depois Pizzi a rematar cruzado, rasteiro e a rasar o poste. Depois, veio um autêntico RaulGudiñoShow, com o guarda-redes do União a defender tudo o que havia para defender. Mitroglou tentou duas vezes quase consecutivas o 2-0 – numa surgiu isolado -mas nada feito. Depois, foi a vez de Pizzi tentar o golo mas o guarda-redes emprestado pelo Porto levou a melhor, novamente em dose dupla (25 e 26 minutos).

Jonas continua de pé quente Fonte: SL Benfica
Jonas continua de pé quente
Fonte: SL Benfica

Pouco depois da meia hora, vieram os lances mais perigos dos madeirenses na primeira parte: um passe em profundidade que colocaria isolado o avançado do União mas que Júlio César desfez qual líbero e um remate à entrada da área de Paulo Monteiro ao lado, na sequência de um canto. Mas mesmo sem forçar muito, bastava ao Benfica acelerar um pouco para os madeirenses se desmontarem. Até ao intervalo, Pizzi e Talisca ainda tentaram dilatar a vantagem mas a noite era de Guidiño.

As equipas mudaram de campo mas o ritmo do jogo manteve-se. A segunda parte começou mais morna, muito por culpa da melhor organização dos madeirenses na defesa. Gaitán teimava em não aparecer e desequilibrar como só ele sabe fazer, Talisca não conseguia fazer esquecer Sanches nem por 10 segundos (faltou sempre o transportador de jogo), Pizzi tinha deixado a eficácia no Seixal. E na Luz começava a surgir algum nervosismo porque 1-0 seria sempre curto e num lance de contra-ataque ou numa bola parada os madeirenses poderiam surpreender. Pouco depois da hora de jogo, Mitroglou passou outra vez ao lado do golo quando tinha tudo para marcar e, coincidência ou não (fica à consideração do leitor), o Benfica voltou a melhorar quando Rui Vitória decidiu trocar Talisca por Salvio. Foi precisamente o argentino a colocar de novo as mãos de Gudiño a arder e depois Mitroglou a perder novamente o duelo com o guardião da União. Os encarnados tanto tentaram que acabaram por fazer o 2-0. Canto na esquerda, remate do grego, desvio de Jonas e a bola no fundo das redes, a quinze minutos dos 90.

Num jogo sem grande história, destaque para a prestação positiva de Semedo e Grimaldo, apesar de o espanhol ainda cometer alguns erros e se balancear demasiado para o ataque – esta noite não teve problemas de maior mas contra um adversário de outro calibre a conversa seria outra. Houve ainda tempo o estádio cantar os parabéns ao Sport Lisboa e Benfica pelos seus 112 anos e  Raul Gudiño brilhar (se contei bem foram doze, como num jogo de futsal). O nulo do Sporting em Guimarães deixa a porta aberta ao primeiro lugar já no sábado. E é para entrar sem pedir licença.

A Figura:

Jonas – O speaker anunciou mas nem era preciso: Jonas fez os dois golos e foi sem dúvida o homem do jogo. Está na luta pela bota de ouro e pode mesmo ganhar.

O Fora-de-Jogo:

Luís Norton de Matos – O experiente treinador do União montou uma equipa muito defensiva e sem critério algum na transição ofensiva. Dois ingredientes para sair da Luz goleado. Se não aconteceu, bem pode agradecer ao seu guarda-redes.

Conferência de Imprensa:

Rui Vitória: falou de uma vitória “justíssima, uma exibição segura e de muitas oportunidades para fazer golo”. Sobre a aproximação ao Sporting, o treinador encarnado disse que o campeonato está ao rubro e que há três candidatos a lutar pelo título. Sobre a ausência de Renato Sanches : “Não queria ver o jogador condicionado por causa de um cartão. É um selvagem, tem um potencial enorme”. Questionado sobre o facto de Jonas ter passado para a liderança da bola de ouro depois do bis desta noite, Vitória elogiou a sua “veia goleadora imensa”.

Norton de Matos: surgiu na sala de imprensa totalmente conformado com o resultado. “O Benfica teve mais bola, mais ocasiões. É difícil anular o jogo interior do Benfica, eles jogam de olhos fechados”. O treinador do União disse que “em geral, a equipa dignificou o que tem feito” mas admitiu que o jogo “era de outro campeonato” e que foi um “bom teste” antes dos madeirenses visitarem Braga, o Dragão e Alvalade. Em relação ao adiamento do jogo, Norton de Matos não ter sido fácil ficar “sete horas à espera do avião” mas garantiu que esse contratempo não teve influência no resultado. Disse que faltou à sua equipa ter bola com maior qualidade e, já no final, deixou a pergunta: “ Como é que se anula a genialidade de Salvio, Gaitán, Jonas?”

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