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O dérbi acabou. O Benfica venceu. O Sporting foi um digno vencido. Entretanto, nas redes sociais, locais onde o irracional passa marcas, fala-se, como não poderia deixar de ser, de polémicos erros de arbitragem. Por isso, caro leitor, se vem à procura de uma crónica de arbitragem, vai-se dar mal. O jogo, que é aquilo que realmente importa – não estou com isto a dizer que o árbitro não conta –, foi interessante, intenso, particularmente na segunda parte, e equilibrado. Ainda assim, a haver um vencedor, seria o Benfica. A sua superioridade no primeiro tempo foi mais natural e trabalhada, em termos técnico-tácticos. A superioridade leonina no segundo tempo partiu muito do recuo benfiquista e de um futebol intenso, mas não muito bem trabalhado. Mesmo com um fortalecimento do meio-campo, Rui Vitória perdeu o controlo do jogo. Mas venceu-o. É sempre o que conta.

Era bem caro o metro quadrado no relvado da Luz no primeiro tempo. Nem os artistas Adrien e Pizzi conseguiam ter espaço para manobrar o jogo ofensivo das suas equipas. O Sporting começou com ligeiro ascendente, tentando recuperar a bola em zonas altas e forçar o Benfica a jogar no seu meio-terreno. Esse ligeiro ascendente – durou aproximadamente 15 minutos – apenas se materializou num lance de Gelson. Com o tempo, o Benfica respondeu na mesma moeda.

O meio-campo cerrou fileiras – Pizzi destacou-se nas recuperações de bola – e o Benfica ganhou ascendente táctico. Com Gonçalo Guedes, Rafa e Salvio a darem intensidade ao ataque benfiquista, o golo acabou por surgir com naturalidade. Rafa cruzou de trivela e Salvio, em esforço, colocou a redondinha no sítio certo. Até ao intervalo, mais do mesmo: o Benfica a controlar tacticamente o jogo e a sair com perigo em transição – destaque para a capacidade de Jiménez em jogar de costas para a baliza – e o Sporting sem ideias.

Salvio e Jiménez foram decisivos Fonte: SL Benfica
Salvio e Jiménez foram decisivos
Fonte: SL Benfica

No segundo tempo o jogo mudou como do dia para a noite. É sempre difícil, em futebol, medir o que pesou mais: se a melhoria do Sporting a todos os níveis – destaque para a entrada de Campbell, que deu outra vivacidade no ataque leonino –, se o recuo do Benfica, não alicerçado num controlo do jogo mas numa renúncia ao jogo. A segunda parte caminhou sempre nestes dois mundos futebolísticos. O Sporting criou várias ocasiões e o Benfica, logo na primeira que criou, ainda no início do segundo tempo, marcou. O Sporting aumentou ainda mais a intensidade e acabou por reduzir por intermédio de Bas Dost. A partir do minuto 80, o Benfica adaptou-se melhor ao modelo de três médios e fechou definitivamente as portas ao ataque leonino.

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Não foi brilhante, não foi sempre bem jogado. Foi táctico, mas interessante e intenso, o dérbi. O Benfica mostrou força anímica, depois de uma má fase, enquanto que o Sporting mostrou alguma passividade e desorientação no primeiro tempo, tentando compensar depois. Já era tarde. Uma boa entrada vale sempre mais do que uma ponta final pujante. Mais um cliché do futebol que se prova ser verdadeiro.