A CRÓNICA: PRIMEIRA PARTE EFICAZ GARANTE VITÓRIA

Ao primeiro jogo pós-Bruno Lage, existiu tranquilidade na Luz. A equipa do SL Benfica superiorizou-se a um Boavista FC em boa fase, que não replicou em Lisboa as interessantes dinâmicas de outros encontros.

Os axadrezados entraram amedrontados e inofensivos, incompreensivelmente, já que o Benfica surgiu apático. O primeiro golo encarnado é precisamente aquando do primeiro remate à baliza. Aos 17 minutos, um Gabriel rejuvenescido realiza um passe genial, que é aproveitado da melhor forma por Almeida, depois de andar embrulhado com Hélton Leite, guarda-redes que foi notícia esta semana pelo suposto interesse das águias nos seus serviços.

O Boavista não incomodou minimamente a baliza de Vlachodimos, finalmente espectador despreocupado, e a equipa de Nelson Veríssimo foi, lentamente e sem grandes pressas, ficando confortável no controlo das operações. As oportunidades surgiam e Hélton ia exibindo as qualidades superlativas na defesa de remates – foram seis grandes defesas no jogo todo -, mas fica, mais uma vez, mal na fotografia, devido ao segundo golo dos encarnados. Desta vez, Gabriel descobre, de novo, um colega em boa posição, Pizzi, que finaliza exemplarmente de cabeça, quase sem ângulo.

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O terceiro golo, já perto do intervalo e da autoria de Gabriel, cimentou a distância em termos de talento individual dos dois conjuntos. Não que o Benfica tenha feito um grande jogo, mas melhorou substancialmente na eficácia que não houve, escandalosamente, na Madeira, a título de exemplo.

O súbito regresso do canhoto brasileiro à boa forma e a melhoria significativa no acerto provocaram os números expressivos antes da segunda metade, mas o futebol benfiquista continuou sem grandes adornos e o requinte dos melhores tempos continua afastado. Nem os pequenos rasgos esporádicos e bons entendimentos junto à área boavisteira afastaram o fantasma do tédio. Mais também não se podia esperar.

Fica a clara sensação de que a equipa decidiu arrumar com a questão o quanto antes, ficando apenas a precisar de controlar no resto do tempo regulamentar. As ameaças à baliza de Hélton Leite continuaram e a entrada de Rafa trouxe a faísca suficiente para dar mais interesse à partida, que subiu consideravelmente quando, contra a corrente do jogo, Dulanto, central peruano do Boavista, aproveitou ao segundo poste um livre indirecto bem marcado. Recorrendo a bom gesto técnico, introduziu a bola de primeira no poste mais distante de Vlachodimos, que bem tentou voar.

O golo ameaçador, ao contrário de outros jogos, não atemorizou o Benfica e a equipa continuou a controlar a posse de bola. Apenas a velocidade de um Mateus, angolano saído do banco tardiamente, incomodou a defesa encarnada em raras ocasiões, prontamente resolvidas.

Houve ainda golo anulado a Vinícius, que respondeu de cabeça a um cruzamento exemplar de Nuno Tavares – exibição bem conseguida, em clara melhoria –, por fora-de-jogo, após consulta do VAR.

E assim terminou, com 3-1, o primeiro jogo de Nélson Veríssimo ao comando dos encarnados, que atingem os 67 pontos na tabela e ficam à espreita do FC Porto, que recebe amanhã o Belenenses SAD.

A FIGURA

Fonte: SL Benfica

Gabriel – Depois da inacreditável participação no jogo com o CD Santa Clara, onde saiu ao intervalo, Gabriel surgiu com novo penteado e de cara lavada em termos técnicos. Não que a sua taxa de sucesso no passe longo tenha sido exemplar, com muitas más tentativas, mas providenciou Pizzi e Almeida para os dois primeiros golos, e completou o 3-0 com um remate colocado à entrada da área. Tudo isto culminou numa exibição esforçada e mais de acordo com a qualidade que lhe é reconhecida (e que desde a lesão ainda não tinha sido testemunhada).

O FORA-DE-JOGO

Fonte: Bola na Rede

Daniel Ramos – Era fácil apontar Hélton Leite como a figura em causa nesta derrota axadrezada, mas a força da estatística contradiz o peso no resultado. Sem ele, teria acontecido goleada. Daniel, o seu técnico, destacou-se por não conseguir imprimir as mesmas dinâmicas na equipa, que vinha de boa fase e começava a ganhar cada vez mais o seu cunho pessoal. Na Luz, no entanto, nunca teve a capacidade de comandar um assalto à deprimida equipa adversária. Deu-lhe o controlo do jogo e nunca quis mais do que aquilo que esperava ter. Soube mexer com o jogo a partir do banco, mas já era tarde.

ANÁLISE TÁTICA SL BENFICA

Não houve mudanças por parte do técnico interino dos encarnados, optando por manter a estrutura habitual de 4-4-2, com Chiquinho no papel de segundo avançado. A presença de Pizzi no lado esquerdo, por troca com Cervi, apresenta-se como a mais notória variante tática, na qual o português apoiou Nuno Tavares durante largos períodos de tempo. Esteve, aliás, muito mais interventivo que noutros jogos, ocupando grandes áreas de terreno na procura de gerir ritmos e alimentar as associações na aproximação à área adversária – Seferovic foi o principal cliente de serviço, surgindo em boa posição várias vezes. Infelizmente, não houve capacidade para materializar os entendimentos dos colegas.

11 INICIAL  E PONTUAÇÕES

Vlachodimos (6)

Almeida (8)

Rúben Dias (7)

Jardel (7)

Nuno Tavares (8)

Weigl (7)

Gabriel (9)

Pizzi (6)

Cervi (6)

Chiquinho (6)

Seferovic (5)

SUPLENTES UTILIZADOS

Vínicius (5)

Rafa (7)

Samaris (5)

Jota (-)

ANÁLISE TÁTICA BOAVISTA FC

O abandono do 3-4-2-1, que vinha sendo solução ocasional no reatamento da competição, não ajudou a equipa a soltar-se no relvado da Luz e a aproveitar a má fase encarnada. O 4-2-3-1, com Bueno e depois Yusupha nas costas do avançado, não ofereceu circunstâncias para a equipa se catapultar para uma exibição mais atrevida – até porque o espanhol cedo se escondeu no bolso de Julian Weigl e a equipa ficou orfã do seu guia. Carraça e Marlon, mais presos e sem a liberdade para preencherem os últimos 30 metros, raramente causaram dores de cabeça tanto a André Almeida como Nuno Tavares.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Hélton Leite (6)

Carraça (5)

Ricardo Costa (5)

Dulanto (7)

Marlon (5)

Obiora (5)

Paulinho (4)

Gustavo Sauer (5)

Alberto Bueno (4)

Cardozo (4)

Cassiano (5)

SUPLENTES UTILIZADOS

Mateus (6)

Yusupha (4)

Stojiljkovic (3)

Luís Santos (-)

Artigo revisto por Mariana Plácido

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