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ÚLTIMA HORA:

SL Benfica B x CD Mafra

SL Benfica B 1-3 CD Mafra: Líder contestado

A CRÓNICA: SALOIOS COM VITÓRIA REQUINTADA

O tempo há muito se encarregou de tornar obsoleta a ideia de que para se ser líder são precisos anos de vivências passados entre os sucessos das grandes conquistas e o amargo sabor das duras derrotas. O que não se perdeu foi a ideia de que até os melhores líderes são questionados. Benfica B

A contestação foi levada a cabo pelo CD Mafra que venceu, no Futebol Campus, o SL Benfica B, líder da Segunda Liga. Os encarnados somaram a segunda derrota no campeonato, a primeira em casa, mas permanecem no primeiro lugar.

A espera pelo golo não se chegou a transformar em impaciência. O Mafra entrou agressivo e o primeiro golpe que aplicou no adversário foi um bruto pontapé que abriu uma ferida nas águias. À meia volta, na ressaca de um canto, foi Bura, constantemente ameaçador nas bolas paradas, quem, logo aos nove minutos, deixou a defesa do Benfica B a girar à procura de uma bola que já só encontrou no fundo das redes.

Os encarnados imediatamente fizeram pong ao ping que tinham recebido. A entrada da área foi o local idóneo para Filipe Cruz bater em jeito um livre direto que respondia ao golo sofrido três minutos antes.

Cada vez que o Mafra rodava o jogo rapidamente para o lado esquerdo – Pedro Pacheco esteve exemplar nesse aspeto –, Rodrigo Martins não dava opção de doce e só fazia travessuras, obrigando Svilar a limpar a casa. O Benfica B ia explorando a velocidade de Umaro Embaló para chegar ao ataque.

O Mafra continuou mais seguro de si na segunda parte. Os mafrenses resolveram com eficácia os desafios defensivos e continuaram a contar com um Rodrigo Martins a dar vida ao ataque. A vantagem chegou na conversação de uma grande penalidade apontada por Gui Ferreira.

Se começou ao pontapé, acabou com o selo de Vitor Gabriel. Os extremos tocaram-se quando Rodrigo Martins desenvolveu um belo lance para assistir o brasileiro para o 3-1 final.

 

A FIGURA

Rodrigo Martins – Se faltar energia na casa de alguém a culpa é dele que a roubou toda para si. A velocidade e irreverência que impôs mereciam que a sua exibição tivesse terminado coroada com um golo que acabou por não surgir.

 

O FORA DE JOGO

Cher Ndour Não conseguiu brilhar na ligação de jogo interior tanto como a equipa precisava. Acabou rendido por Ronaldo Camará.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA B

O Benfica B teve alguma dificuldade na ativação dos médios para executar a ligação. Contra esta lógica, os melhores momentos de ataque posicional benfiquista, embora esporádicos, aconteceram quando libertaram o lateral Rafael Rodrigues à esquerda.

Esta situação poderia ter acontecido mais vezes caso o jogo interior fosse uma ameaça, dado que, por vezes, é necessário atrair atenções para as zonas onde não se quer jogar para libertar aquelas que podem ser mais úteis.

Em ataque rápido, Umaro Embaló, atuando como extremo pela direita, recorreu à velocidade para ser a principal arma ofensiva. Tiago Gouveia, do outro lado, não se conseguiu impor num jogo que até era propício às suas características.

Com o decorrer do encontro, Nélson Veríssimo pediu a Rafael Brito, médio mais recuado, que se colocasse entre os centrais, Tomás Araújo e Pedro Álvaro, a defender, adaptando o 4-3-3 que utilizou como base. Martim Neto foi tendo protagonismo quando recuou no terreno para orquestrar a construção. No espaço entre linhas quem mais vezes brilhou foi Henrique Araújo.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

 

Svilar (6)

Filipe Cruz (4)

Tomás Araújo (6)

Pedro Álvaro (6)

Rafael Rodrigues (5)

Rafael Brito (5)

Martim Neto (5)

Cher Ndour (4)

Umaro Embaló (6)

Tiago Gouveia (5)

Henrique Araújo (5)

SUBS UTILIZADOS

Ronaldo Camará (5)

Luís Lopes (5)

Henrique Pereira (5)

João Neto (-)

Fabinho (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD MAFRA

O Mafra apresentou dois médios no centro do terreno, Andrezinho e Aparício, de características ofensivas. Para compensar a inferioridade numérica e de músculo em zona nuclear, Ricardo Sousa tratou de fazer recuar o ponta de lança Stevy Okitokandjo para condicionar o médio defensivo do Benfica B.

Por seu turno, os extremos, Vitor Gabriel e Rodrigo Martins, pressionavam os centrais, enquanto que os laterias, Bruno Silva e Gui Ferreira, encaixavam nos laterais contrários. Com este enquadramento, os três centrais, Pedro Pacheco, Bura e Pedro Barcelos, que assinalaram uma bela exibição, duelaram de um para um com os atacantes encarnados.

Com Bruno Silva, um esquerdino a jogar sobre a esquerda no sistema de 3-4-3, a tendência do lateral foi procurar zonas interiores, deixando a largura para Vitor Gabriel.

Com mais elaboração pela direita, mas com mais objetividade sobre a esquerda, foi pelo flanco canhoto que o Mafra mais vezes aplicou desenvoltura aos ataques por intermédio de um vertical Rodrigo Martins.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Miguel Santos (6)

Bruno Silva (6)

Pedro Pacheco (7)

Bura (7)

Pedro Barcelos (7)

Gui Ferreira (6)

Andrezinho (6)

Pedro Aparício (6)

Vitor Gabriel (8)

Rodrigo Martins (8)

Stevy Okitokandjo (6)

SUBS UTILIZADOS

Pedro Lucas (6)

Inácio Miguel (5)

Rodrigo Gui (-)

Lucas Marques (-)

Wenderson (-)

 

BNR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

 

SL BENFICA B

Bola na Rede: Até que ponto as dificuldades que estes jovens jogadores sofreram hoje, sendo mesmo obrigados a fugir à matriz de jogo da equipa, vão contribuir para o seu crescimento?

Nélson Veríssimo: Certamente que irão contribuir até para o crescimento da própria equipa. Todos os jogos são desafios diferentes, cada equipa com quem jogamos tem uma ideia de jogo diferente, portanto, tudo contribui para o processo de crescimento individual e coletivo. O jogo de hoje não foge a esse processo.

Da mesma forma, nos jogos em que ganhámos, houve situações em que as equipas adversárias nos colocaram em dificuldades e que também serviram para analisar. Foi um resultado que esteve longe do que pensávamos obter, há que reconhecer isso.

O adversário, em grande parte do jogo, foi melhor do que nós. Com humildade para reconhecer isso, vamos conseguir projetar o futuro de uma forma mais consistente.

CD MAFRA

Bola na Rede: O que pretendia com o recuo dos pontas de lança Okitokandjo, na primeira parte, e de Pedro Lucas, na segunda, para marcarem o médio mais recuado do Benfica, o Rafael Brito, sendo que, mesmo a atacar, muitas vezes estavam mais recuados do que os extremos? Ouvi-o muitas vezes a pedir ao Vitor Gabriel que não deixasse jogar por fora. Acreditava ser aí que o Benfica B poderia causar mais dificuldades?

Ricardo Sousa: O Benfica joga com os extremos muito abertos. Não queríamos que o Benfica aproveitasse a qualidade que tem nos extremos. Tínhamos que planear a semana de treinos para fazer uma pressão alta.

Na pressão alta, sentimos que era melhor bloquear os dois centrais com os dois extremos e meter o Okitokandjo numa posição basicamente 10 para não deixar o Rafael Brito sair a jogar. É importante não deixar as equipas saírem a jogar por fora. Os nossos centrais teriam que bascular muito mais se o jogo fosse mais exterior. Foi uma tática que resultou.

Permitiu-nos, além de fazer uma boa exibição, fazer um bom resultado, sem o Benfica nos ter criado nenhuma situação de perigo em termos de jogo jogado. Nos últimos oito jogos não sofremos um golo de bola corrida.

Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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